19 de set de 2011

não pode, e ponto.




Não sei grego, li poucas vezes a Ilíada e a Odisseia, e ainda por cima em prosa. O pouquinho que li da tradução da Ilíada de Odorico Mendes nem conta. Nunca li as traduções feitas por Carlos Alberto Nunes, que foram recentemente lançadas na coleção Saraiva de Bolso.

Dito isso, o que sei é que João Angelo Oliva Neto é respeitado e conceituado classicista, e Érico Nogueira também. Assim, se Érico explica que a troca de Odisseu por Ulisses é praticamente um crime de lesa-majestade:
Dois exemplos devem bastar; um da Ilíada:
"Idomeneu, o fortíssimo Ajaz. Ulisses, porventura";
da Odisseia o outro:
"Palas a todos contava do divo Ulisses os trabalhos";
e em ambos o torpe assassinato de Odisseu e do ritmo dactílico, e versos antes perfeitos agora de pé quebrado.
e se João Oliva comenta:
Não bastasse o "Ulisses" fora do ritmo, a Odisséia de bolso, a despeito de três preparadores de originais, manteve erro de efeito semelhante que a 6a edição da Ediouro INSERIU na sua própria e melhor edição anterior.[...]  no verso 38 lê-se:
"do próprio Atrida se uniu imolando-o no dia da volta",
em que os acentos recaem em prÓ, trI, nIU, lAN, dI, e vOL
ou seja, 2a, 4a, 7a, 10a, 13a, e 16a como deve ser para manter-se o andamento datílico.
Pois bem, a edição de 2004, já em formato maior, e esta atual trazem "Átrida", proparoxítono, contra a forma que Carlos Alberto Nunes escolheu, que, inclusive, é a correta, abonada pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia de Ciências de Lisboa,
eu acredito. E não só acredito, como fico encantada em saber que temos tão bons classicistas, tão bons conhecedores de Homero e admiradores da obra de Carlos Alberto Nunes, capazes de alertar a nós leitores.

Outra coisa que eu sei também é que um dos direitos morais do autor da tradução é o direito à integridade de sua obra. Diz lá na lei 9610/98:
Capítulo II
Dos Direitos Morais do Autor
Art. 24. São direitos morais do autor:
[...]
IV – o de assegurar a integridade da obra, opondo-se a quaisquer modificações ou à prática de atos que, de qualquer forma, possam prejudicá-la [...]
Juntando a com b, mesmo em minha mais abissal ignorância do grego, de Homero, da tradução de Carlos Alberto Nunes e das técnicas de versificação, parece-me que alterar um determinado ritmo e quebrar o pé de um verso não são coisa pouca e prejudicam, sim senhor, a integridade da obra.

Então o que concluo é que a Saraiva (ou quem lhe licenciou a tradução) fez mal, errou, cometeu uma infração da lei 9610/98 ao modificar a tradução de Carlos Alberto Nunes e ao violar seu direito moral à integridade da obra.

Eu, se fosse da área ou se os direitos de Carlos Alberto Nunes estivessem sob minha guarda, recorreria aos meios legais para proteger a obra contra essas mutilações editoriais alopradas.

Deixo humildemente minha solidariedade aos lesados por essa violação dos direitos morais de Carlos Alberto Nunes: na verdade, incluo-me entre eles, como leitora.

O caso está no blog de Érico Nogueira, Ars Poetica, aqui. Agradeço o toque de Luiz de Carvalho.

Atualização: veja o desdobramento do caso aqui.

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30 comentários:

  1. ERRATA
    Em lugar de Ulisses,
    Leia-se Odisseu.
    Preservem o dactílico
    Pelo amor de Deus!

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  2. Olá,

    Gostaria de acrescentar que a tradução de Carlos Alberto Nunes publicada pela Ediouro de uns anos pra cá contém algumas deturpações nesse sentido de alterar o ritmo do poema.
    Não sei se ocorreram devido à "revisão" que o texo foi submetido (sobre a qual há um prefácio), mas, de qualquer maneira, há problemas, e pude constatar comparando essa edição com uma recém lançada pela editora Hedra.
    A comparação foi feita rapidamente, numa livraria, pois eu não tenho a edição da Hedra. Porém, mesmo que rápida, pude conferir um erro logo no verso 22 do Canto I:

    Na edição da ediouro está assim:

    "Mas o deus, agora, se achava em visita aos longínquos Etíopes"

    Como já é de conhecimento, a tradução de Nunes tem o seguinte critério rítmico: uma sílaba tônica e duas átonas, sucessivamente, para simular o ritmo do original grego (que é, em geral, uma longa e duas breves). Portanto, aparentemente, todas as primeiras sílabas de cada verso devem ser tônicas (pois no grego sempre se começa com uma sílaba longa).
    Coisa que não acontece neste verso, já q a 1ª e a 4º sílabas deveriam ser tônicas, mas não são, e sim a 3ª e 5ª sílabas, ficando o ritmo regular somente a partir do "aGOra..."

    Eis como está na edição da Hedra:

    "Mas esse agora se achava em visita aos longínquos Etíopes"

    [só não me lembro se o "agora" está entre vírgulas"]

    Observa-se aqui que a cadênca normal.

    Suspeito que o erro na edição da Ediouro foi fruto da "revisão" porque o contexto desse verso é o seguinte:

    "(...) Lastimavam-no todos os deuses,
    com exceção de Posido, que em cólera ainda se inflama
    contra o deiforme Odisseu, té que à pátria não fosse chegado.
    Mas o deus, agora, se achava em visita aos longínquos Etíopes,"


    Acho que o revisor quis mudar o "esse" para "o deus" para evitar uma possível confusão entre "Posido" e "Odisseu". No entanto, se a referência fosse "Odisseu", o termo seria "este", e não "esse"... Portanto, a alteração, além de deturpar o ritmo, não se fez com base em "erro" algum de Carlos Alberto Nunes.

    Ainda não contactei a Eidouro, mas o farei em breve, pois, além deste, há outros erros semelhantes...

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  3. caro rafael: agradeço os exemplos. a editora da nova fronteira que está cuidando desse licenciamento para a saraiva ficou de restaurar a tradução íntegra de carlos alberto nunes. tomara que o faça realmente.

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  4. Infelizmente, li estes comentários tarde demais, visto que não foram recolhidas as edições adulteradas da Ilíada e da Odisseia, publicadas conjuntamente pela Saraiva e Nova Fronteira. Fui atrás das traduções de Carlos Alberto Nunes, no entanto, encontrei pela frente uma editora que não respeitou o ilustre tradutor. Que terrível é abrir os livros e não poder confiar nas editoras nem em seus processos de edição. E não adianta ter o nome de tradutor conhecido na capa, porque, como este caso nos mostra, nada é garantia de qualidade. A qualidade é o conhecimento e a informação que precisamos adquirir (rapidamente, para não ser tarde demais) e os mil olhos para vigiar o que nos foi legado.

    P.S.: ainda queria dizer que a edição em questão não possui a numeração dos versos, o que é lamentável, pois, por exemplo, se você for ler um artigo sobre a Odisseia - que, naturalmente, irá citar algum verso desta obra -, não vai conseguir encontrar, de forma rápida, qualquer verso no contexto geral da Odisseia. Seria a mesma coisa que ler um artigo sobre o Novo Testamento, mas não ter as referências dos versículos.

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  5. Anônimo20.5.14

    Além desses problemas, constatei que NENHUMA edição da Ilíada disponível atualmente está com o texto perfeito.
    A edição da Ediouro contém inúmeras falhas, desde palavras escritas erradas (não só erros ortográficos, mas troca de palavras devido à similaridade - alterando a compreensão do texto -), e versos com palavras faltando, ou então desmembrados, com palavras emendando no verso seguinte como se fossem desse verso ao qual se emendam! Deturpando também a cadência do verso... isso é um verdadeiro absurdo.
    A editora Hedra publicou uma Ilíada que padece dos mesmos gravíssimos defeitos, e ainda é mais cara e com papel de qualidade inferior que a da Ediouro...

    Já a Odisseia, texto da editora Hedra, que é de bolso, parece mesmo ser o original do tradutor, embora ainda não tenha tido tempo verificar se há erros, como no caso da Ilíada... O texto publicado pela Ediouro, como já mencionado, é uma revisão, e não a tradução original...

    É de pasmar tamanho desrespeito com o trabalho importantíssimo desse tradutor que só recentemente vem sendo devidamente reconhecido. Prova desse reconhecimento, aliás, é a recentíssima publicação de sua tradução da Eneida, de Virgílio, pela editora 34, em edição bilíngue, com organização de ninguém menos que João Ângelo Oliva Neto, citado no texto da blogueira, que cotejou o texto com os manuscritos de Carlos Alberto Nunes, corrigindo erros das edições anteriores (já há muitíssimo esgotadas, diga-se de passagem). Uma pena que ainda não há um trabalho como esse em relação à Ilíada e Odisseia...

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  6. Eu admiro as traduções do Carlos Alberto Nunes e tenho o box da Ilíada e Odisseia da Saraiva, eu não tenho conhecimento suficiente para achar erros na métrica do texto mas fiquei triste de ver o trabalho do tradutor deturpado, me senti lesado comprando gato por lebre.
    Mas fiquei contente de saber que a Eneida foi muito bem tratada depois de anos sem um relançamento, eu tive que tirar uma cópia da biblioteca da UnB toda cheia de rabiscos porque eu não encontrava em lugar nenhum o livro para comprar.

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  7. Anônimo5.6.15

    Curiosamente, A Odisseia, escrita depois, precede em fama A Ilíada. Sabemos. E aqui, peço licença, para, também, opinar.

    A discussão dos "chamados" eruditos, desde a antiguidade, chega a duvidar da existência do poeta autor: Homero. E muitas são as críticas sobre a Obra original, quanto mais, sobre suas versões.
    Sejam versões, traduções ou transliterações, como as classifiquemos, creio que todas estas formas se fazem presentes, com seus significados, em tão grande e difícil empreitada.

    Traduzir sem interpretar e deixar transpor-se em sua própria visão (tradutor sobre autor) é impossível. Mesmo hoje, em nossos idiomas dar a forma literária ao pensamento e tê-lo levado com perfeição à outra língua é uma ideia de ingênua pretensiosidade.
    Uma Obra, e na forma poética única em que Homero (creiamos) se nos oferece, é um desafio não só em ser lido, como vertido com o gigantismo que guarda há 2600 anos o Mito-Histórico.

    Também não sou conhecedor do Grego; nem atual, nem antigo. Sou um humilde escritor e poeta que se esforça em aprender mais a língua própria com a melhor leitura de que dispõe. Não conheço os tradutores nem seus doutos críticos; portugueses, brasileiros e, até, "gringos" - respeitosamente. Pesa-nos, ainda, que alguns dos tradutores, como Odorico, (por meio do qual tive meu primeiro contato com Homero) viveu no Séc XIX; e o que lemos sobre estes nobres senhores é o que nos impõem os textos encontrados.

    Seja, Odorico Mendes; Carlos Alberto Nunes; Frederico Lourenço ou Haroldo de Campos, todos apresentam traduções notadamente distintas e não me atrevo a criticá-los imputando-lhes incorreções e desqualificações.

    Aprendi, e parece-me que todos, igualmente, justificam em seus Prefácios, as razões com que deram as formas que as temos.
    Tentar imitar o "hexâmetro dactílico" grego, um idioma cujo "alfabeto" e gramática não são filhos do Latim, como nosso belo e rico Português, ou pretender igual ou fiel beleza ao trazê-lo para um possível "dodecassílabo", ou o que seja, em verso ou prosa, jamais alcançarão a dimensão primeva, por melhor que se faça.

    Trocar os nomes dos personagens "deuses" gregos para seus equivalentes romanos é o menor dos problemas, uma vez que tenhamos a inteligência e conhecimento do fato em deslize.
    O que nos cabe é exigir, como for possível, que os editores sejam responsáveis, competentes e honestos ao imprimir e dispor seu trabalho à venda, resguardando o autor.
    Cada tradutor oferece uma visão de um passado distante e nebuloso, ainda que descreva tanto o ouro quanto o sangue em igual medida, e em não menor importância os ideais na filosofia e política em suma poética..
    Por si só, o "purismo de uma erudição acadêmica" não faz juz ao poeta autor que não está presente para opinar. É, também, um desabrido desrespeito e falta de ética e educação chamar, pejorativamente de "vulgar" a tradução vertida em um vernáculo mais simples e, mesmo popular.
    Parece-me o querer impedir que Obras da envergadura da: Ilíada, Odisseia ou a Eneida de Virgílio cheguem ao povo, permanecendo restrita a uma pseudo-elite-burguesa.
    Finalmente, creio ser um bom conselho, ler e comparar quantas versões for possível e se for capaz de fazê-lo (ler) no grego original, então, e só então, tendo, pois, alguma autoridade, expressar-se depois, de seu olimpo, e nos ensinar, pobres mortais.




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    1. Anônimo2.6.16

      nada a ver...

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  8. Mário Sérgio1.7.15

    Cara Denise, meu nome é Mário Sérgio, tenho uma dúvida. Há alguns anos comprei a edição da Ediouro da Ilíada e da Odisséia, traduzida por Carlos Alberto Nunes, cuja editora, ao que parece, promoveu algumas alterações.Agora para o ano de 2015, a Editora Nova Fronteira, do grupo Ediouro, está relançando as duas epopeias, em capa dura,a condicionados em um box. Gostaria de saber se você tem algum parecer sobre estas reedições, tendo em vista as observações apresentadas pelos professores acima mencionados. Ou seja, esta nova edição da Nova Fronteira está devidamente corrigida, como prometido pelo editor ao recolher as edições da Saraiva. Obrigado pela sua atenção. Mário Sérgio

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  9. prezado mário sérgio: para ser sincera, não sei lhe dizer, mas tendo a crer que sim. vou tentar apurar.

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  10. Mário Sérgio13.11.15

    Cara Denise, tem alguma informação quanto ao que te pedia em 01/07/2015. Obrigado pela atenção. Mário Sérgio

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    1. olá, mário sérgio: não cheguei a apurar. dê uma checadinha pelos exemplos apontados acima: ulisses em vez de odisseu, átrida em vez de atrida.

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  11. Anônimo19.11.15

    Acabei de comprar o box Ilíada/Odisseia lançado esse ano pela Editora Nova Fronteira e gostaria de saber se as "falhas" retratadas por muitos aqui foram corrigidas, e se essa é, portanto, uma edição confiável. Desde já agradeço aos que colaborarem.

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    1. olá, anônimo, vide acima resposta a mário sérgio.

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    2. Anônimo23.11.15

      Obrigado, Denise. E parabéns pelo trabalho, que contribui muito com quem busca as melhores traduções e edições de grandes obras. Como leitor, encontro dificuldade de escolha em meio a variadas traduções e edições, e sempre venho buscar orientações aqui.

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  12. Anônimo8.1.16

    Só para constar, a caixa da Nova Fronteira contendo os dois clássicos utiliza a forma Odisseu em vez de Ulisses. Infelizmente, não atentei aos outros erros aqui apontados.

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    1. Anônimo22.3.16

      A caixa da Nova Fronteira só mudou o acabamento. O texto, embora utilize Odisseu em vez de Ulisses - que só foi usado, na verdade, nas edições de bolso -, continua repleto de falhas já apontadas aqui nos comentários anteriores: palavras erradas, omissas ou deslocadas de versos. Uma lástima. Mandei e-mail para a editora mais de uma vez, mas fui solenemente ignorado.
      Depois de alguma pesquisa, concluí que as melhores edições da tradução de Carlos Alberto Nunes são da editora Melhoramentos, do começo dos anos 60, que só se acham em sebos (físicos ou virtuais). Mesmo nessas há pequenas falhas ortográficas (por exemplo, na expressão "picadeiros troianos", em vez de "picadores troianos"), mas só. E mesmo assim, em muito menor quantidade que as edições posteriores. Pude verificar isso porque comparei o texto dessa edição dos anos 60 com o da primeira edição, da Editora Atena, dos anos 40. O problema da primeira edição é que, embora não tenha percebido qualquer falha no texto, ele foi revisado posteriormente pelo tradutor, então o texto da primeira edição difere em poucas coisas das seguintes. Mas serve de parâmetro para erros de edição...
      Creio que o problema só será solucionado quando (ou se) for feito um trabalho tal como o foi na recente edição da Eneida...

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  13. Anônimo13.1.16

    Alguém sabe dizer se a tradução do Odorico é confiável ou a do Carlos Alberto Nunes é a melhor?

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  14. confiável? é um portento, um monumento da língua! difícil é entendê-la, tão latinizada e barroca que é.

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  15. confiável? é um portento, um monumento da língua! difícil é entendê-la, tão latinizada e barroca que é.

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  16. Algumas observações: versos não se traduzem. O greo tem seu rtimo e vocabulário proprios, da mesma forma que o portuges. O certo seria dizer que esses autores fizeram sua propria versão da obra de Homero em portugues. Homero compôs em verso porque essa era forma habitual em uma época na qual a memorização era essencial. Transpor para versos portugueses não ajuda a conhecer a obra homérica, mas sim satisfaz aos poetas que querem comapartilhar sua gloria recriando seus versos em outro idioma. Mas essas versões em verso atendem somente a um seleto grupo de leitores que é capaz de se encontrar num emaranhado de inversões apavorantes para o leitor comum ("Assim de cavalos os funerais domador Heitor foram", para preservar a métrica ao invés da prosa que preserva a ideia: "Assim foram os funerais de Heitor, domador de cavalos"), que, se passar da primeira página, chega ao final sem conhecer a história. Por isso, para quem quer conhecer a obra de Homero, sugiro que leia uma versão em prosa, e somente depois, se tiver coragem, e muito amor aos versos, se arrisque a ler as versões aqui discutidas.

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    1. Olá, você poderia indicar uma versão em prosa? Muito obrigado pela dica.

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    2. Anônimo22.3.16

      Meu caro, versos não só se traduzem, como devem sim ser traduzidos.
      Homero não compôs em verso só por uma questão de memorização. A poesia de Homero tem muito mais do que métrica. É verdadeira poesia, com inúmeros recursos poéticos explorados. Ao se traduzir, portanto, um texto desse em verso, os poetas não o fazem por "glória" (até por ser uma tarefa muito ingrata), mas sim para tentar recriar na língua para a qual foi traduzida a obra não só a "história", mas justamente esses recursos poéticos do texto original - tão importantes quanto o enredo -, para que soe na língua traduzida justamente o que é: poesia.
      Cada tradutor, no entanto, tem sua proposta, o que faz com que cada tradução tenha uma característica própria. No caso da poesia de Homero, há uma tradução realmente difícil de se ler, que é a de Odorico Mendes. Num outro extremo, há uma bem mais fluida, quase prosaica, que é a do português Frederico Lourenço. No meio termo há a de Haroldo de Campos, pendendo para Odorico, e, Carlos Alberto Nunes.
      Claro que nenhuma tradução substitui o original, mas, se um texto poético fosse para ser lido em prosa, o autor não teria se dado ao trabalho de o escrever poesia. Por isso, ao meu ver, a menos que só exista tradução em prosa, um texto poético deveria ser lido sempre numa tradução poética.

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  17. Com respeito as alterações e erros das edições da Nova Fronteira, como também a sua indiferença as reclamações e os direitos dos leitores possuir a obra tal qual produzida por seu tradutor, deveríamos entrar com processos judiciais. É inaceitável, depois de inúmeras reclamações, a Nova Fronteira ainda persistir em seu intento de desfigurar a obra de Carlos Alberto Nunes.

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  18. Anônimo24.7.16

    Não sou literato, nem tampouco classicista. Entretanto,como leitor me sinto desrespeito com a atitude dessas editoras. Aqui, apenas contribuirei com a discussão no tocante à edição da Nova Fronteira (Box com Ilíada e Odisseia):

    Odisseia

    Canto I, verso 21, página 30: "contra o deiforme Odisseu, té que à pátria não fosse chegado."

    Canto I, verso 22, página 30: "Mas o deus, agora, se achava em visita aos longínquos Etíopes,"

    Canto I, verso 36, página 30: "do próprio Atrida se uniu imolando-o no dia da volta,"

    Expus esses versos com a intenção de contribuir para o debate sobre essa edição da Nova Fronteira a respeito dos problemas expostos. Parece que a única questão resolvida foi "Odisseu" ao invés de Ulisses.

    No mais, agradeço à você Denise, pois desde que conheci seu trabalho através do blogue, a minha relação com os livros mudou completamente (para melhor!). Aproveito para perguntar se há alguma edição no Brasil que respeite o trabalho de Carlos Alberto Nunes, contendo a íntegra de sua tradução, já que depois de alguma pesquisa escolhi a tradução dele como a que quero ler.

    Ah, sim, as informações sobre a edição da Nova Fronteira de onde extraí os trechos: 25ª Edição, 2015.

    Obrigado pela atenção Denise!

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  19. É uma questão simples de resolver, caso você se disponha a estudar o grego clássico. Os críticos do Carlos Alberto Nunes deveriam traduzir Homero ou calar-se. Quanto ao grego, disponho-me a ensiná-lo a você - não gratuitamente, é claro.

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    1. ué, pra que essa grosseria toda?

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    2. Grosseria é querer posar de especialista, criticar o trabalho dos outros e nada fazer de melhor para colocar no lugar. O meu comentário pode ser resumido assim: se você julga que algo está mal feito, faça você mesmo. Os críticos do Carlos Alberto Nunes são especialistas em antiguidade e conhecem o grego clássico. Deveriam trabalhar ao invés de ataca-lo. Perdoe-me se o que eu disse pareceu grosseiro. Não creio que teríamos Platão e Homero traduzidos para o português sem o trabalho do Nunes. É muito fácil utilizar uma cátedra qualquer para falar mal do trabalho alheio, quando se tem, no entanto, todos os recursos para fazer melhor.

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    3. olha, márcio, realmente não sei do que você está falando. esse povo especialista que você menciona está justamente defendendo carlos alberto nunes, por quem e por cujo trabalho nutrem enorme respeito - contra as recentes intervenções indevidas dos revisores nessa edição mais recente. estão é justamente tentando resgatar a integridade da tradução, e explicam as razões. releia o post com calma.

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    4. e se você conhece um pouco a linha deste blog, deve saber que meu ponto, minha batalha, há anos e anos, é sempre a defesa do trabalho do tradutor, o respeito a ele. então realmente fico perplexa com sua intempestividade.

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