9 de ago de 2011

james, hawthorne, thoreau

henry james pai era muito amigo de emerson. quando thoreau foi tentar a vida como jornalista em nova york, visitou várias vezes a casa dele e ficaram razoavelmente amigos. anos depois, thoreau, com sua franqueza habitual, lamentou os disparates místicos do james sênior. já este, uns bons anos depois que thoreau morreu, escreveu umas barbaridades, dizendo que desde o começo não tinha gostado dele. não sei... li a correspondência entre emerson e james sênior sobre thoreau, e nos anos 40 ele parecia gostar bastante do fauno de concord.

por falar em fauno, thoreau e hawthorne tiveram uma relação muito interessante (dizem que o fauno de mármore é inspirado em thoreau), e depois hawthorne se torna grande influência para henry james jr. (que escreveu bastante sobre ele, e dizem ter se inspirado no marble faun para um romance seu, roderick hudson).

em minhas pesquisas sobre thoreau (e, secundariamente, sobre poe) insisto um pouco nesse período bastante determinado da chamada Renascença americana (1850-1855), mas os fios são muito longos e a trama é bastante entrelaçada: acho que fica mais difícil entender a gênese do modernismo, tal como se encarna, por exemplo, em james, sem conhecer um pouco o movimento daquela época.

deixando de lado as vastas psicologices narrativas de james (e lembrar que era irmão de william james, o criador da psicologia pragmática), comentei uma vez, meio intuitivamente, que thoreau escrevia coisas que até poderiam qualificá-lo como um grande poeta modernista avant la lettre - não os horrorosos poemas convencionais de sabor emersoniano e transcendentalista, mas os enxutos, visuais, sonoros e saborosos. eu não descartaria totalmente esse insight.
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