25 de ago de 2011

encalhe, destruição etc.


em 16 de agosto de 2010, josélia aguiar, da folha de s.paulo, apontava em sua matéria "superprodução: sobre livros perdidos e descartados", aqui:
... às vésperas da abertura da 21ª Bienal do Livro de São Paulo, a Câmara Brasileira do Livro, o Sindicato dos Editores e a Fipe divulgaram que, em 2009, foram publicados no país 52.509 títulos (2,7% a mais do que em 2008), com um total de 386.367.136 exemplares (aumento de 13, 5%). As vendas em 2009 atingiram 228.704.288 exemplares. 
Não que as 157.662.848 cópias não absorvidas sejam encalhe. Mas, se não forem compradas, poderão vagar entre depósitos de editoras e livrarias, sem jamais serem abertas, até serem liquidadas em saldões ou virar aparas e confetes literários. Destruir livros é mais barato do que mantê-los no estoque.
passado um ano, a cbl e o snel comemoram o crescimento de produção (mas superior ao das vendas) do setor, segundo levantamento da fipe.

em 20 de agosto de 2011, raquel cozer, do estado de são paulo, aponta em sua matéria "encalhe, destruição: a superprodução de livros no brasil", aqui:
A eliminação de sobras de livros é tema abordado com cautela por empresários, mas a prática de “transformar em aparas”, como eles preferem, é bem menos rara do que se possa pensar, em especial neste momento em que o mercado editorial brasileiro produz muito mais do que consegue vender. ... 
Doar é sinônimo de dor de cabeça. Para editoras, preparar kits com poucos exemplares de cada livro e distribuir entre instituições sairia mais caro que estocar e não resolveria a questão da quantidade; tampouco interessa às instituições receber mil exemplares de um livro só. ... Junta-se a isso o fato de que estocar é muito mais caro que destruir o encalhe, mesmo que a destruição implique perder o dinheiro da edição. .  
e no entanto:
Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo, responsável por mais de cem pontos na cidade, diz que iniciativas de doações são raríssimas. “Quase 100% dos livros que as bibliotecas têm são comprados. Este ano, recebemos uma única doação de uma editora, a 34, que teve uma sobra de livros que publicaram pelo governo.”
há algo de errado, não? e não podemos esquecer que, num presente de toda a sociedade à iniciativa privada, o setor editorial não paga impostos, gozando de isenção tributária, concessão esta que mereceria um mínimo de contrapartida, quando menos recebendo em nossas bibliotecas os "restos" que estão encalhados nas editoras.

p.s. quando uma editora fala em transformar seus estoques em aparas, imagino que isso significa que ela vende seus encalhes para empresas de sucata e reciclagem, não? aí é evidente que qualquer doação sempre será um prejuízo, em comparação a uma operação de venda, que gera faturamento. ou estou enganada?
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2 comentários:

  1. Interessante. Até onde sei, a Biblioteca Britânica, em Londres, recebe pelo menos uma cópia de CADA LIVRO publicado no Reino Unido e, até onde consta, doado. O mesmo ocorre na americana Biblioteca do Congresso. Nossas bibliotecas precisam COMPRAR material para o acervo? Não faz sentido...

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  2. olá, flávio, aqui também: é o chamado "depósito legal" - as editoras enviam (ou deveriam enviar, nem todas cumprem) um exemplar de suas edições para nossos acervos na biblioteca nacional. mas o caso das doações aqui seria para as centenas (ou milhares) de bibliotecas públicas, estaduais e municipais, que existem no país.

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