19 de ago de 2011

as pérolas do agenor

Uma das grandes contribuições do crítico, poeta e tradutor Ivo Barroso para a história da tradução no Brasil foi, alguns anos atrás, reunir e publicar as 89 resenhas escritas por um professor de Barbacena, de nome Agenor Soares de Moura, publicadas numa coluna semanal do jornal carioca Diário de Notícias entre 1944 e 1946. A coletânea se chama À margem das traduções, lançada pela Arx em 2003, e tem o inestimável mérito de nos oferecer alguns relances do panorama crítico-tradutório daquela época.


O teor dos artigos não varia muito: com fanfarra talvez um pouco excessiva, são apontados deslizes e erros variados de traduções da época. Depois de quatro ou cinco artigos, sente-se que o próprio articulista não conseguia formular uma análise mais abrangente, extrair alguma conclusão um pouco mais geral ou dar alguma sugestão concreta para melhorar a situação editorial que descrevia. 

Bem resume um tradutor insuspeito, Paulo Henriques Britto, em entrevista publicada na revista Bula, aqui
A intervenção de Agenor foi salutar naquele momento, chamando a atenção para a importância da qualidade no trabalho de tradução. Porém uma ressalva que pode ser feita ao trabalho dele é que seus comentários são sempre pontuais. Ora, achar falhas pontuais numa tradução é sempre possível. Para se fazer uma avaliação séria de uma tradução, é necessário ser sistemático, considerar a obra como um todo, pesar os erros e acertos, tentar compreender para onde apontam as falhas encontradas (se o problema é conhecimento da língua-fonte, domínio dos registros informais na língua-meta, ou lá o que seja), considerar qual o público a que a tradução se dirige, etc. Sem dúvida, muitas das falhas apontadas por Agenor seriam criticáveis em qualquer situação, mas crítica de tradução deve ser mais do que uma colheita de “pérolas” descontextualizadas. 
Mas, num fim de tarde chuvoso, ao lado de uma xícara de chocolate quente, se tivermos paciência em dar os descontos pela verborragia um tanto pomposa, um certo dogmatismo estreito e alguns ressaibos de arrogância do articulista, pode ser divertido folhear À margem das traduções e rir com simpatia e sem malícia a algumas "pérolas", como dizia Agripino Grieco, colhidas aqui e ali pelo colunista. 
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2 comentários:

  1. Denise, uma curiosidade minha. ¿Vc prepara o chocolate quente dalgum jeito especial, ou é só leite e chocolate? É q tenho saudade do jeito q minha mãe fazia (q ficava grossíssimo) e não sei fazer. Imagino q se vc vem de tradição alemã, deve ter um jeito especial de fazer.

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  2. hoje em dia a gente usa um pouquinho de maizena para engrossar, bem pouquinho, meia colherinha de chá, tipos. antigamente não sei o que usavam: farinha? araruta? ou só ficavam apurando o leite com o chocolate e o açúcar (e aí também vai condensando)? mas tem de engrossar sim, com um pauzinho de canela, então, hmmm!

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