23 de jun de 2011

que pena!

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encafifada com a impressão de que a editora martin claret estaria tentando dar uma no cravo e outra na ferradura ao cadastrar uma tradução de mário laranjeira (flores do mal) e depois uma suposta tradução de um suposto "rodolfo schaefer" (crítica da razão prática) - veja aqui -, fiz um levantamento de seus dez últimos registros oficiais na agência do isbn, na fundação biblioteca nacional. são eles (clique nos títulos para ver as fichas):

978-85-7232-817-3 As flores do mal - trad. Mário Laranjeira
978-85-7232-818-0 Memórias de Sherlock Holmes - trad. Joaquim Machado
978-85-7232-819-7 As aventuras de Huckleberry finn - trad. Alex Marins
978-85-7232-820-3 Dos delitos e das penas - trad. Torrieri Guimarães
978-85-7232-821-0 A arte da guerra - trad. Pietro Nassetti
978-85-7232-822-7 Os melhores contos de Lovecraft - trad. Lenita Esteves
978-85-7232-823-4 Os melhores contos de Edgar Alan Poe - trad. Katia Orberg e Eliane Fittipaldi
978-85-7232-824-1 A arte da prudência - trad. Pietro Nassetti
978-85-7232-825-8 Crítica da razão prática - trad. Rodolfo Schaefer
978-85-7232-826-5 Os arquivos de Sherlock Holmes - trad. Casemiro Linarth

entre os tradutores da lista acima, mário laranjeira e lenita esteves são ambos docentes da usp e autores de traduções sérias e respeitadas. casemiro linarth, jornalista paranaense, tem se dedicado nos últimos anos a traduzir conan doyle para a editora, e não conheço nada que possa desabonar suas traduções. o mesmo em relação a kátia orberg e eliane fittipaldi, esta última também tradutora experiente, docente e conhecedora de poe.
torrieri guimarães, advogado já falecido, traduzia pelo espanhol e, apesar de ter feito e assinado várias traduções ao longo da vida, não chegou propriamente a criar respeitabilidade entre leitores e profissionais.

pietro nassetti, dentista também falecido poucos anos atrás, virou motivo de indignação, espanto e piada em inúmeros veículos de comunicação por dar seu nome a mais de uma centena de cópias e plágios de tradução na editora martin claret. alex marins, que comparece como autor de dezenas de traduções espúrias, não passa de uma figura de fantasia, e tampouco "rodolfo schaefer" parece ser mais do que um simples nome de cobertura.

joaquim machado, tradutor português, era publicado no brasil pela editora melhoramentos, a qual declarou que jamais cedeu os direitos dessa tradução para a martin claret. sua tradução tinha sido adulterada e copiada com o nome de "john green", o mesmo que assina a estupefaciente edição d' a origem das espécies pela editora claret. mas talvez, quem sabe, pode ser que esta tenha vindo a adquirir a licença em data mais recente. a ver.

das dez obras citadas acima, cinco delas, eivadas de irregularidades e/ou inexplicáveis peculiaridades, já foram comentadas no nãogostodeplágio.
  • memórias de sherlock holmes: veja aqui e aqui
  • as aventuras de huckleberry finn: aqui e aqui
  • a arte da guerra: denúncia do jornalista adam sun, na revista piauíaqui; ver também aqui
  • a arte da prudência: aqui e aqui
  • crítica da razão prática: aqui e aqui
mas esses registros recentes na agência do isbn na fundação biblioteca nacional parecem sugerir que a editora martin claret não renunciou a suas bizarras práticas que se estendem por mais de uma década. lamentavelmente, não vejo como a pequena minoria de traduções sérias e honestas conseguiria escapar aos respingos dessa política editorial.

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7 comentários:

  1. Denise,

    aqui fico com Mr. Darcy: "My good opinion once lost is lost forever.".

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  2. Carlos25.6.11

    Denise, conheci há pouco o seu blog, mas já nos primeiros textos é possível reconhecer a importância do seu trabalho. Como leitor, admiro seu esforço e competência em apontar como certas editoras afrontam as regras mínimas de civilidade, desrespeitando a boa-fé de seus leitores e ignorando criminosamente as leis do direito autoral. Espero que você persista na sua honrosa luta contra esses "falsários" editoriais.Parabéns e força

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  3. Olá, Denise.

    Seria bom se depois de tantos anos esta editora escolhesse o caminho da lisura, mas ele pressupõe uma seriedade completa que parece que ainda não estão prontos para adotar. Pena que traduções boas ficarão perdidas no meio disso.

    Abraços.

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  4. é, raquel, concordo, acho que é meio por aí...

    carlos, obrigada! volte sempre :-)

    marcos, é, concordo: muita gente nem passa perto da MC, e essas traduções podem até acabar se queimando ou passando batido pelo "efeito de proximidade".

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  5. Anônimo20.7.11

    Denise,
    A Editora Martin Claret decidiu recolher do mercado traduções caídas em domínio público que havia publicado por ter-se dado conta de que sua qualidade era mesmo questionável. Assim sendo, contratou-nos, a mim e a Kátia Orberg (assim como a outros tradutores respeitáveis, como o Prof. Mário Laranjeira que você menciona acima - profissional irretocável)para refazermos alguns de seus volumes. O nosso ainda está no prelo. Garanto-lhe que nossas traduções nada têm de plágio (você pode compará-las com quaisquer outras já publicadas) e que são fruto de muito trabalho, muita pesquisa e inúmeras revisões. Caso nos tenha escapado algum erro, é de lavra própria e o assumiremos publicamente. Para o volume de Poe, escrevi um prefácio (bastante acadêmico, até) explicando um pouco a filosofia que norteou nosso trabalho.
    Seria pena que o preconceito acima impedisse leitores sérios de ter acesso a nosso texto. Ele atenta para características estéticas de Poe (inclusive na camada do significante) que, até o momento, não encontramos em nenhuma outra tradução para o português.
    Abraço,
    Eliane Fittipaldi

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  6. prezada eliane, agradeço sua visita. tenho absoluta certeza de que sua tradução de poe nada tem de plágio e apresentará alta qualidade. seu nome, bem como o de mário laranjeira e lenita esteves, dispensa apresentações.

    discordaria, porém, da expressão "o preconceito acima". a desconfiança em relação às práticas editoriais da martin claret, a meu ver, é mais do que justificada: trata-se de uma opinião objetivamente fundada em fatos concretos que se repetem há quase quinze anos, e está longe de ser um mero "preconceito".

    o que sobretudo me espantou - e este é tema principal do presente post - é que, mesmo apresentando novas traduções de profissionais da mais alta probidade e qualidade, simultaneamente a editora se obstina não só em manter, mas também recadastrar e reeditar obras espúrias. em outros termos, meu receio não se refere de maneira nenhuma às edições que acima saudei e louvei, e sim, evidentemente, à companhia tão pouco recomendável em que elas se encontram.

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  7. Anônimo21.7.11

    Cara Denise,
    Compreendo sua desconfiança. Quando fui contratada, a MC declarou abertamente estar com um problema de imagem por ter sempre reeditado traduções caídas em domínio público sem julgar de sua qualidade. A nova proposta consistia em substituir gradativamente TODAS essas traduções - daí o fato de boas obras conviverem com obras ruins (eu não sabia que continuavam oferecendo as ruins, pensei que as haviam recolhido...). Daí a contratação de profissionais idôneos e reconhecidos no mercado, gente do calibre de um Mário Laranjeira. Quando eu falei em "preconceito", estava me referindo à nova proposta, segundo a qual o nome do tradutor virá na capa do livro (essa promessa nos foi feita). Esperemos para ver. Mas concordo com você: é uma pena ter o poder de oferecer obras de qualidade a um público tão carente de boa leitura e não o fazer de maneira homogênea. A má tradução é mais que uma falta de respeito para com o autor, o leitor - é um crime contra o patrimônio cultural. Abraço,
    Eliane

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