30 de set de 2010

30 de setembro, dia do tradutor

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são jerônimo é aquele santo que tirou um espinho
da pata de um leão, que então ficou amigo dele.



monteiro lobato é aquele autor que criou
as maravilhosas histórias do sítio do picapau amarelo.



a septuaginta é aquela versão do antigo testamento que 72 sábios, isolados em 72 claustros, em 72 dias traduziram para o grego, resultando no milagre de um idêntico texto.


são jerônimo, que traduziu a bíblia para o latim, falecido em 30 de setembro de 420, é o padroeiro dos tradutores de todo o mundo. 

monteiro lobato com suas laicas obras de tradução, se não é, deveria ser o patrono dos tradutores no brasil.

e a lenda da septuaginta oferece a ilustração suprema de que apenas por milagre podem existir traduções iguais.
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29 de set de 2010

dicta iv

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ideais de tradução:
transparência


ou opacidades?






imagens: walker glass

dicta iii

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ideais de tradução:
visibilidade


ou invisibilidade?


imagem: aqui

28 de set de 2010

descartes, discurso do método

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um presente de jacó guinsburg e família de bento prado jr.
aos leitores

em decorrência de um alarmante caso de plágio/contrafação na coleção os pensadores, pela nova cultural,  da obra de descartes, discurso do método em tradução de jacó guinsburg e bento prado jr., os detentores dos direitos gentilmente autorizaram a disponibilização da tradução legítima na internet. o arquivo em pdf se encontra em:

http://www.scribd.com/doc/14893702/Descartes-Discurso-do-Metodo-trad-Jaco-Guinsburg-e-Bento-Prado-Jr-com-notas-de-Gerard-Lebrun-publicacao-autorizada-pelos-detentores-dos-direitos

imagem: mathematicianspicutres.org
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27 de set de 2010

dicta ii

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a propósito das teorias desconstrutivistas da tradução, paulo henriques britto tem uma boa tirada:
O jogo do logocentrismo é, em última análise, o jogo da linguagem. Recusar-se a jogá-lo é condenar-se ao silêncio.
imagem: david montgomery, deconstruction
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dicta i

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dia 30 de setembro é o dia mundialmente consagrado ao tradutor. de hoje até lá, alguns comentários sobre o ofício.


a antoine berman:
J'appelle mauvaise traduction la traduction qui, généralement sous couvert de transmissibilité, opère une négation systématique de l'étrangeté de l'oeuvre étrangère.
eu responderia:
J’appelle mauvaise théorie la théorie qui, généralement sous couvert d’universalité, opère une négation systematique de l’étrangeté de la pratique par rapport à elle.
imagem: via lasarina
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26 de set de 2010

arquivo II

este arquivo, criado em 07/03/10 para abrigar informes sobre o processo landmark/cyrino contra raquel sallaberry e mim, bem como sobre o manifesto em defesa da luta contra o plágio, passa a incluir demais notícias e menções desde fevereiro de 2010 ao trabalho do nãogostodeplágio.

para notícias anteriores, consulte o arquivo I

comunidades no orkut:
física, pensamentos aleatórios ; jane austen - portuguêsjane austen II ; jane austen IIIjane austen IVletras usp ; prosa contemporânea 2.0tradução literária ; traduções tenebrosastradutores/ intérpretes br I ; tradutores/ intérpretes br II ; tradutores/ intérpretes br III ; tradutores/ intérpretes br IVufsc


atualizado em 26/09/2010; 28/10/2010
se você tiver mais informes sobre contrafações e plágios de tradução, por favor inclua nos comentários. obrigada.
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fromoldbooks.org
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24 de set de 2010

os mais vendidos

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o publishnews, publicação online dedicada ao mundo do livro, inaugurou a semana passada uma nova seção, atualizada às sextas-feiras: a lista dos livros mais vendidos, a partir dos dados fornecidos por redes de livrarias, incluindo quantidade de livros, ranking semanal das editoras, classificação geral e divisão por categorias. realmente muito bom!

gostaria muito que, no caso das obras traduzidas, o publishnews acrescentasse o nome do autor da tradução. a presença desse dado obrigatório, constantemente omitido nas listas corriqueiras dos mais vendidos, seria um diferencial a mais a marcar a qualidade dessa iniciativa do publishnews.

tenho certeza de que em pouco tempo as próprias livrarias passariam a encaminhar os dados já completos para a equipe do publishnews. enquanto isso não acontece, o nãogostodeplágio se prontifica a lhe fornecer semanalmente essas informações, para ser incluídas nas listagens.
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23 de set de 2010

capistas que se cuidem

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o blog pó dos livros, de portugal, traz um caso interessante: a editora tinta-da-china lançou um livro em janeiro de 2010, chamado os postais da primeira república, trazendo na capa uma montagem de cartões postais de época.


em setembro de 2010, a editora fonte da palavra pega a mesma capa, dá uma desbotada e uma ampliada ("Limita-se a fechar a imagem para não se ver o título e o logo de colecção do livro plagiado"), e publica angelina, uma mulher do povo na I república.


um dia depois do post do pó dos livros, anuncia o chupa-capa em seu site que está retirando a obra de circulação...

agradeço o toque de raquel sallaberry, do lendo jane austen e do jane austen em português.
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a questão judaica, moraes

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ajeitando umas prateleiras em casa, descubro um velho exemplar d'a questão judaica, de marx, pela editora moraes. não consta a data, mas minha rubrica marca "1983".


é uma edição bem pobrezinha, sem nenhuma referência bibliográfica, sem página de créditos, título original, nome do tradutor, nada, nada; apenas a página de rosto (idêntica à capa) e só.


mas a ela se aplica o cotejo que foi feito entre a questão judaica publicada pela centauro e a edição da laemmert.

para o cotejo entre a pretensa tradução atribuída a silvio donizete chagas pela centauro e a tradução de wladimir gomide pela laemmert, veja a questão judaica.

sobre a relação entre a moraes e a centauro, veja a tragédia brasileira.

sobre a questão judaica da centauro, que esqueceu de tirar o nome da laemmert no prefácio da obra (imagem que fez grande sucesso - mais de 120 downloads neste blog), veja o primeiro de abril centauriano.

e a mesma página, com a mesma menção passando batida, na edição da moraes:


que triste legado!
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22 de set de 2010

imperdível

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jorio dauster, que há décadas admiro como tradutor e que tenho como um de meus modelos de praticante do ofício de tradução, numa bela entrevista a petê rissatti em "conversas entre tradutores".

imagem: liology
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emerson, ensaios

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o nome de "jean melville" - que, com pietro nassetti e "alex marins", compõe a mais impressionante tríade de tradutores de que se tem notícia em língua portuguesa, com pretensas traduções publicadas pela editora martin claret - consta também num volume chamado ensaios, de ralph waldo emerson.

é mais uma daquelas edições cuja página de créditos parece um prêt-à-porter, como comentei no caso d'as viagens de marco polo ou d'o jogador de dostoiévski.


o volume traz uma montagem interessante: tem os doze textos que compõem os originais essays - first series, mas, sem qualquer razão ou nota explicativa, acrescenta (e como primeiro ensaio!) character - que, originalmente, é o terceiro texto dos essays - second series.

diga-se de passagem que, com esse acréscimo um tanto gratuito, o cuidadoso ordenamento original da obra acaba alterado. deve parecer um detalhe insignificante para a editora.

a tradução de caráter, nesta edição claretiana atribuída a "jean melville", não guarda mistérios sobre sua origem: é cópia fielmente fiel, lealmente leal, integralmente integral da antiga tradução de sarmento de beires e josé duarte, publicada em ensaístas americanos, volume XXXIII da clássicos jackson, 1950. o ensaio está disponível no site ebooksbrasil, com todas as devidas referências.

os demais ensaios da coletânea claretiana vêm de outra fonte, e arrebicados de alguns pobres cosméticos e canhestra copidescagem. esta outra fonte, lamento dizer, é o volume ensaios publicado pela editora imago em 1994, esgotadíssimo. a tradução foi feita a quatro mãos, por carlos graieb e josé marcos mariani de macedo.

posso apontar várias diferenças. por exemplo, e talvez não por acaso,* um começo de parágrafo no começo de um dos ensaios, autoconfiança:

graieb/macedo:
Li outro dia alguns versos, escritos por um eminente pintor, que eram originais e nada convencionais. A alma sempre ouve uma admonição em tais poemas, seja o assunto qual for.
"jean melville":
Um dia desses li algumas poesias, muito originais e nem um pouco convencionais. Independentemente do assunto, em poemas como esses a alma sempre ouve um conselho.
mas no mesmo ensaio, também no começo, encontro:

graieb/macedo:
Lança o guri às rochas,/ Amamenta-o com o leite da loba;/ Hibernando com o falcão e a raposa,/ Que suas mãos e pés tenham poder e velocidade.
todos hão de convir que "lança o guri às rochas" para cast the bantling on the rocks é uma solução bastante pessoal. o que não obsta encontrarmos:

"jean melville":
Lança o guri às rochas,/ Amamenta-o com o leite da loba;/ Hibernando com o falcão e a raposa,/ Que suas mãos e pés tenham poder e velocidade.
um pequeno detalhe cômico:

macedo/graieb:
A objeção a conformar-se a usos que se tornaram mortos para vós é a de que eles dissipam vossa força.
"jean melville":
O aviltamento a resignar-se a usos que já morreram para vós é o de que eles dissipam vossa força.
tirando o fato de que emerson está falando em "conformar-se" (to conform), que não significa "resignar-se" e sim proceder em conformidade com alguma coisa, a impressão que se tem é que a "objeção" se transformou em "aviltamento" porque a cópia escaneada estaria meio confusa, o "tradutor" leu "abjeção" e praticou sua habitual tradução por sinonímia.*

também acho engraçado que a edição da imago traga o original de um poema de emerson com dois erros tipográficos no mesmo verso: surchanged and sultry with a powder (p. 182, em vez de surcharged and sultry with a power), e que as mesmíssimas gralhas ressurjam na edição da claret à p. 175.

abaixo segue uma ilustração realmente instrutiva desses procedimentos. mostra a improvável coincidência poética, o rude copidesque da prosa, a fiel preservação de frases no meio e final do parágrafo.


* sobre "jean melville", um ex-colaborador da editora martin claret comenta: "eram inventados nomes 'estrangeirados' que podiam dar a aparência de tradutores confiáveis e autorizados. Por exemplo: 'Jean Melville'. 'Jean' é o nome do filho do Sr. Claret; Melville, todos sabem, o sobrenome do autor de Moby Dick, esta uma obra editada pela editora, que portanto estava na ordem do dia". sobre o escaneamento das traduções legítimas para a posterior adulteração, relata que "havia um 'departamento' que o fazia, como em linha de produção". sobre a tradução por sinonímia, "a questão não era exatamente a de trocar termos 'rebuscados' por 'fáceis' ... mas sim por 'sinônimos'. Solicitava-se alterar sobretudo inícios e finais de parágrafos, para que 'não desse na vista'" (saulo krieger, pseudotraduções).

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.