31 de jul de 2010

legal!

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claudio willer lança novo livro, um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia moderna, pela civilização brasileira.

LOCAL: Será na Livraria Cultura (Loja Record) do Conjunto Nacional, à Av. Paulista 2073.
DATA: Dia 11 de agosto, quarta-feira, a partir das 19 h.

como explica claudio:
Trata-se da versão editada (com alguma redução e também acréscimos) da minha tese de doutorado em Letras, apresentada à USP em 2008. Na primeira parte, examino e discuto as doutrinas gnósticas; na segunda, trato de suas conexões, heterodoxas e paradoxais, com uma diversidade de autores, do Romantismo até hoje: William Blake, Novalis, Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Pessoa, Breton e surrealistas, Dario Veloso, Hilda Hilst etc.
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29 de jul de 2010

é disso que estou falando

comentei o caso da editora cedic, de belo horizonte, aqui. hoje a leitora georgia enviou um comentário, que reproduzo aqui, com dor no coração:

Olá, trabalhamos em uma biblioteca e adquirimos a coleção Projeto Ler Literatura Universal. Não temos muito conhecimento sobre as literaturas originais de cada obra, mas com o pouco que temos não é dificil identificar que são plágios e como você mesmo relatou nada consta de lugar onde foi publicado, data, edição, classificação da literatura. Ficamos perplexas com tanto descaso com as pessoas que querem buscar o conhecimento dos grandes escritores.

Deveria ter uma constituição que defendesse os direitos dos consumidores e leitores.

Deixamos aqui nossa indignação.
pois é, georgia. concordo e compartilho a indignação de vocês.
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por que sou a favor da revisão da lda XIV

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a legislação sobre o direito de autor deve respeitar a convenção maior da qual o brasil é signatário: a convenção de berna. clique aqui para baixar.

o artigo 7 da convenção de berna dispõe sobre o prazo de vigência dos direitos patrimoniais do autor:
1) A duração da proteção concedida pela presente Convenção compreende a vida do autor e cinqüenta anos depois da sua morte.
2) Entretanto, quanto às obras cinematográficas, ... a duração da proteção expira cinqüenta anos depois da referida realização.
3) Quanto às obras anônimas ou pseudônimas, a duração da proteção concedida pela presente Convenção expira cinqüenta anos após a obra ter se tornado licitamente acessível ao público.
4) ... a duração da proteção das obras fotográficas e das obras de artes aplicadas protegidas como obras artísticas ... não poderá ser inferior a um período de vinte e cinco anos contados da realização da referida obra.

porém:
6) Os países da União têm a faculdade de conceder uma duração de proteção superior àquelas previstas nos parágrafos precedentes.

no brasil, aproveitando-se do item 6, o prazo atual é 70 anos após a morte do autor, ao invés dos 50 anos recomendados no item 1 da convenção de berna.

o nãogostodeplágio é vivamente favorável à imediata redução do atual prazo de 70 anos para os 50 anos previstos acima.
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por que sou a favor da revisão da lda XIII

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cito:
Se antes vivíamos numa era de leitura apenas, em que a passividade era regra, hoje com as inúmeras ferramentas que a tecnologia da informação nos oferece, podemos ler, editar, reescrever, alterar, transformar. Basta querer e ter a criatividade necessária. Não é a mesma coisa que fotocopiar páginas e distribuir, é recriar. As leis, criadas na era anterior, não previam isso e não conseguem lidar com esse novo cenário. No máximo, enxugam gelo.

Cecília Meirelles foi engavetada por culpa da lei de direitos autorais que deveria promover sua obra. A briga de seus herdeiros por seu espólio é apenas um dos efeitos colaterais desse regramento anacrônico. Se seus livros estivessem livremente sendo publicados, reeditados, comentados e, sim!, recriados por fãs, todos estaríam ganhando - a autora e sua família, os leitores, a indústria. No caso, seguir a lei foi a pior opção.
em overmundo

imagem: hora do voo

28 de jul de 2010

por que sou a favor da revisão da lda XII

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Herdeiros de Cecília Meirelles... ainda não
O Globo - 28/07/2010 - Por Joaquim Ferreira dos Santos

Lou Reed, que cancelou a vinda à Flip, redimiu-se, pelo menos, com Zé Ramalho. A versão em português de “Nobody but you”, desautorizada há anos, foi oficializada pela editora do americano ... Se Lou Reed disse sim, Zé Ramalho continua recebendo o não dos herdeiros — sempre eles — de Cecília Meireles. O paraibano quer lançar sua gravação de “Canteiros”, com versos de Cecília e música de Raimundo Fagner, feita na década passada e até hoje inédita.
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por que sou a favor da revisão da lda XI

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porque não gosto de me sentir no coração das trevas.

Resolução do Parlamento Europeu, de 5 de Maio de 2010, sobre a "Europeana"  (trechos)
Considerando que o acesso à informação cultural e educativa deve ser uma prioridade a fim de melhorar os padrões de educação e de vida,
Considerando que a tecnologia digital constitui igualmente um instrumento notável, que permite às pessoas que se defrontam com obstáculos no acesso à cultura e, nomeadamente, às pessoas portadoras de deficiência, acederem ao património cultural,  
Considerando que é urgente agir para resolver a questão do "buraco negro digital" em que vegetam obras de grande valor cultural dos séculos XX e XXI; que toda e qualquer solução considerada deve ter devidamente em conta os interesses de todas as partes interessadas,
Salienta os potenciais benefícios económicos decorrentes da digitalização, uma vez que os bens culturais digitalizados têm um importante impacto económico, especialmente nos sectores relacionados com a cultura, e estão na base da economia do conhecimento, tendo, embora, em conta que os bens culturais não são bens económicos como os demais e devem ser protegidos de uma mercantilização excessiva;
Salienta a necessidade de se encontrarem soluções para que a Europeana possa igualmente oferecer obras protegidas pelos direitos de autor, nomeadamente obras esgotadas e obras órfãs, com base numa abordagem sectorial e no respeito das normas que regem a propriedade intelectual e preservando os legítimos interesses dos titulares de direitos; entende que se poderiam favorecer soluções como o licenciamento colectivo alargado ou outras práticas colectivas de gestão;
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27 de jul de 2010

por que sou a favor da revisão da lda X

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por que sou a favor da revisão da lda IX

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A pasta do professor é uma deformação da função de ensinar. Isto porque impõe aos alunos a leitura fragmentada de textos que, na maioria das vezes, descaracteriza o conteúdo das obras e altera sua identidade.
O aluno não adquire o hábito da leitura, da pesquisa, do questionamento. Não desenvolve o senso crítico nem aprende a atribuir os créditos ao autor da obra.
tal é o diagnóstico da abdr sobre a malfadada "pasta do professor", publicado em sua cartilha do direito autoral. concordo em número, gênero e grau.
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26 de jul de 2010

por que sou a favor da revisão da lda VIII

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Para Pedro Puntoni, coordenador da biblioteca digital da USP, os direitos autorais hoje são o “gargalo” na digitalização de acervos. “Esse é um problema que complica o direito maior: a obrigação do Estado de preservar e garantir o acesso do cidadão à cultura”, diz (link, blog do estadão)


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por que sou a favor da revisão da lda VII



A Cinemateca Brasileira fica de mãos amarradas enquanto o tempo destrói o original do filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, adaptação do conto de Guimarães Rosa estrelada por Leonardo Villar, e os herdeiros disputam os valores que querem pela digitalização da obra.

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25 de jul de 2010

interlúdio biográfico

a propósito de cecília meirelles, acho que meu primeiro rilke foi a canção de amor e de morte do porta-estandarte cristóvão rilke, uns quarenta anos atrás. demoli o voluminho de tanto ler e reler.


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por que sou a favor da revisão da lda I (cont.)

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visite meu primeiro post apresentando as razões pelas quais sou favorável à revisão da lei de direito autoral, na proposta do ministério da cultura que se encontra em consulta pública à sociedade. ali comento a situação de cecília meirelles, apresentada de maneira clara e brilhante pelo jornalista fábio victor, da folha de s.paulo.



os links diretos para as matérias de fábio victor sobre a infeliz fortuna histórica da obra de cecília meirelles são os seguintes:

- briga de herdeiros deixa cecília meireles sem editora
e
- família lamenta prejuízo à obra de cecília meireles, mas descarta reconciliação

o link (exclusivo para assinantes uol ou fsp) sobre a proposta do minc para tais casos é:

- minc quer licença à revelia do herdeiro
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leituras

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admiro muito ivo barroso, e retomo aqui alguns trechos já publicados no nãogosto.




A tradução tem muito de malabarismo, ou melhor, de caminhar na corda bamba. Você se arrisca a escorregar e cair a cada passo e, mesmo que tenha conseguido chegar quase ao extremo da corda (ou do texto), o escorregão é sempre um desastre, a queda uma escoriação no seu ego. ...
 
O leitor interessado pode encontrar uma boa lista de palavras traiçoeiras no livrinho A Arte de Traduzir, de Brenno Silveira, o beabá do tradutor iniciante, que li com profunda veneração quando comecei a decifrar hieróglifos e buscava alguma base teórica em que pudesse me apoiar. Com ele aprendi o grande princípio do apostolado da tradução: a fidelidade ao texto. Mas meu propósito é outro. O que estou tentando dizer é que irremediavelmente o tradutor está sujeito a um escorregão dessa natureza e será miraculoso malabarista aquele que nunca resvalar.
 
Ler sempre com atenção, não deixar passar nunca uma palavra cujo sentido não conheça ou que não tenha checado, desconfiar de situações esdrúxulas, de frases incompreensíveis, de palavras sem sentido. Assim seu erro eventual pode se transformar nesse aparelho imprescindível ao tradutor: o desconfiômetro.

Ivo Barroso

diga-se de passagem: teve uma vez que traduzi um livro inteiro usando "oficial" para officer. peço desculpas a todos os leitores. jesus do céu! [db]

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por que sou a favor da revisão da lda VI

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acho que há algo estranho quando um compositor como ronaldo bastos se refere ao nosso ministro da cultura como um "baiano triste de biografia obscura", qualifica de "risível" a tentativa de dar maior transparência à divulgação musical e anuncia triunfal ou submissamente a vitória do jabá sobre qualquer lei.
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por que sou a favor da revisão da lda V

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24 de jul de 2010

por que sou a favor da revisão da lda IV

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porque este livro:


é cópia ilícita deste:


e este:


deste:


e este:


deste:

e assim sucessivamente, em centenas e centenas de obras esgotadas e abandonadas ou de herdeiros desinteressados, entregues à rapina de plágios, cópias ilícitas e contrafações.
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23 de jul de 2010

por que sou a favor da revisão da lda III

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porque "logo o brasileiro terá que viajar se quiser ver a arte feita em seu país. Especialmente se essa arte for produzida por artistas já falecidos, já que aqueles que detêm os direitos de espólios nem sempre facilitam sua difusão" (isto é independenteum patrimônio invisível).
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por que sou a favor da revisão da lda II

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entre outras coisas, porque "descendentes de um grande escritor brasileiro já desaparecido tentaram evitar que uma publicação veiculasse fotografia do pai com um determinado tipo de gravata. consideravam que o autor só poderia aparecer com o modelo borboleta, seu predileto" (brasil cultura, herdeiros da arte).
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por que sou a favor da revisão da lda I

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entre outras coisas, pelo que está acontecendo com a obra de cecília meirelles:


Briga de herdeiros completa dez anos com impasse sobre titularidade dos direitos e deixa poeta sem editora
Num casarão em péssimo estado de conservação no Cosme Velho, no Rio, caixas e pacotes guardam livros e manuscritos da poeta Cecilia Meireles (1901-1964).
[...] o acervo certamente esconde, segundo os herdeiros, inéditos da autora de "Romanceiro da Inconfidência". Mas ninguém na família se arrisca hoje a garimpar o material para trazer a público as pepitas. O motivo é o mesmo pelo qual a obra da escritora está sem contrato com editoras: uma batalha jurídica entre os herdeiros, envolvendo incontáveis processos, que se tornou notória no mundo editorial e neste 2010 completou dez anos.

O fato de a obra estar "fora do mercado", como se diz no jargão livreiro, significa que nenhum dos cerca de 50 títulos de Cecilia, em poesia e prosa, pode ser reeditado.

Família lamenta prejuízo à obra, mas descarta uma reconciliação
 
O desenrolar dessa disputa aumentou o racha entre os herdeiros e criou uma situação inusitada: todos lamentam o conflito e suas consequências para a obra de Cecilia, mas as mesmo tempo as partes rejeitam qualquer possibilidade de reconciliação.
"lamentam o conflito e suas consequências para a obra de Cecilia"?!! 

se e quando os "herdeiros" chegarem a seu milionário acordo, ninguém mais vai lembrar quem era uma tal de cecilia meirelles...
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22 de jul de 2010

"os críticos têm razão"



já dei por encerrado o capítulo de demonstração do absurdo envolvendo a escolha da academia brasileira de letras da obra pequenas traduções de grandes poetas para o prêmio abl de tradução 2010.*

* aliás, pelo que eu soube, na cerimônia de entrega o prêmio foi atribuído ao "conjunto da obra" de milton lins.

mesmo assim, reproduzo aqui a recente contribuição que um leitor deixou no post a controvérsia, por se concentrar na tradução dos sonetos de shakespeare feita por milton lins, tão louvada por ivan junqueira, wilson martins, lêdo ivo e outros, conforme ilustrei no referido post.

pois a questão é, como diz o leitor: "Os críticos tem razão. Nós é que somos cegos".

Sonnet 26

To thee I send this written embassage,
To witness duty, not to show my wit.

Escrita te remeto esta mensagem,
Para testar tarefa, não ceder.

Sonnet 34

For no man well of such a salve can speak,
That heals the wound, and cures not the disgrace:

E para alguém parolear tu negues
Pensar o ferimento em meu desgosto:

Sonnet 72

My name be buried where my body is,
And live no more to shame nor me nor you.

Meu nome enterrará meu corpo inteiro,
Em nós toda vergonha é realidade.

Sonnet 96

How many lambs might the stern wolf betray,
If like a lamb he could his looks translate!

Quantas ovelhas vão trair o lobo, enfim,
Como o cordeiro trai mudando o seu olhar!

Sonnet 97

How like a winter hath my absence been
From thee, the pleasure of the fleeting year!

Como foi neste inverno a minha ausência
De ti, com que prazer o mês sumiu!

Sonnet 107

And thou in this shalt find thy monument,
When tyrants’ crests and tombs of brass are spent.

E tu encontrarás teu monumento,
Se em tumba de tirano houver alento.

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prêmio união latina 2010

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um dos raríssimos prêmios para tradução não-literária no brasil é o da união latina. iniciado em 2000, era anual até 2008. retornou agora em 2010, tornando-se bienal. a entrega dos prêmios deste ano será feita no dia 22 de agosto, na bienal do livro em são paulo.

vale a pena conferir.



Entrega do 10° Prêmio União Latina de Tradução Especializada/Câmara Brasileira do Livro

Auditório Monteiro Lobato, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo

22 de agosto de 2010

Programa

15h30 – Abertura, com representantes da União Latina e da CBL

16h00 – Mesa-Redonda: Tradução e Linguagem Especializada. Participantes:

Jurados 2010, com um panorama das obras inscritas na 10ª edição
Francis Henrik Aubert, tradutor, professor da USP
Adauri Brezolin, tradutor, professor da Universidade Metodista de São Paulo
Maurício Santana Dias, tradutor, professor da USP
Daniel Prado, diretor de Terminologia e Indústrias da Língua da União Latina
17h00 – Entrega do 10° Prêmio União Latina de Tradução Especializada/ CBL 2010
Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro
Daniel Prado, diretor de Terminologia e Indústrias da Língua da União Latina
Premiados: tradutores e editoras
Mesa-redonda: Serão entregues certificados de participação aos presentes obrigatoriamente pré-inscritos (gratuitamente). Inscrições obrigatórias junto a: Florica Razumiev: praemium@unilat.org

Para ingresso no auditório será exigida confirmação da inscrição. Mais informações: Cláudia Laux claudia.dtil@gmail.com  

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21 de jul de 2010

"o gesto de premiar"

Anotemos que entre os premiados há valores de muitos brasis e de diferentes gerações, selecionados em votação nas Comissões e no Plenário, a partir de pareceres subscritos por Acadêmicos.
discurso de marcos vilaça, presidente da academia brasileira de letras, ontem, em cerimônia para a entrega de, entre outros, o prêmio abl de tradução 2010.

aliás, a que vêm tais considerações abaixo?
Informações recentes dão conta de que no Reino Unido o emprego na Cultura cresce 2% e só 1% no restante da economia; a riqueza gerada avança 5% contra 5% nos demais seguimentos [sic]. E esses efeitos têm correlação vária: onde estações do metrô destinam mais espaços a artistas pobres do que ali? onde o Parlamento Nacional discute a ação de cambistas com igual peso que os problemas de saúde e de educação?
finalmente:
A perpetuidade se alcançará pela verossimilhança por mais que inverossímil pareça o nosso papel. Afinal de contas, Nabuco esperava que o nosso papel se densificasse ao atingirmos, pelo convívio com os mistérios, a solenidade e a antiguidade.
seja como for, densificado ou não, misterioso ou não, a meu ver o papel da abl não deveria ser de papelão.

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louros tradutórios


os atuais prêmios de tradução no brasil, até onde sei, são:


para tradução literária:

- açorianos (prefeitura de porto alegre)
- apca (associação paulista de críticos de arte)
- jabuti categoria 1 (câmara brasileira do livro)
- jabuti categoria 21 (câmara brasileira do livro)
- monteiro lobato tradução criança (fundação nacional de literatura infanto-juvenil - fnlij)
- monteiro lobato tradução jovem (fnlij)
- paulo rónai (fundação biblioteca nacional)

para tradução literária e/ou não-literária:

- abl (academia brasileira de letras)
- novos tradutores (universidade gama filho)

para tradução não-literária:

- união latina de tradução especializada (união latina e cbl)
- monteiro lobato de tradução informativa (fnlij)

o prêmio açorianos de tradução e o prêmio união latina são trienais; os demais são anuais.

melhor seria que todos - e já são tão poucos - fossem para valer.
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20 de jul de 2010

prêmio abl de tradução 2010




programa mais cultura: atualizando


quanto à seleção de obras a ser adquiridas pelo programa mais cultura, uma boa notícia: fui informada de que os dois outros casos que apontei aqui foram encaminhados para análise da diretoria executiva da fbn.

para os anais da abl


20/07 - cerimônia de entrega do prêmio abl de tradução 2010


19 de jul de 2010

prêmio abl de tradução 2010: a controvérsia

prêmio da abl recebe críticas, matéria de guilherme freitas, caderno prosa&verso, jornal o globo, de 17/07/10:
Com entrega marcada para dia 20, o prêmio literário de tradução da Academia Brasileira de Letras tem provocado polêmica entre os profissionais da categoria desde o anúncio, em junho, do vencedor: o pernambucano Milton Lins, pela série em três volumes “Pequenas traduções de grandes poetas”, com versões de originais em inglês, francês e espanhol. Elogiadas pelo júri formado pelos acadêmicos Carlos Nejar, Ivan Junqueira e Evanildo Bechara como “preciosas antologias da melhor poesia que se escreveu na literatura ocidental desde o século XVI”, as obras foram criticadas por tradutores, que apontam erros básicos em diversos textos da série, editada por conta própria por Lins.
Os primeiros protestos vieram da tradutora Denise Bottmann (foto ao lado), autora do blog “Não gosto de plágio” (), que listou uma série de erros básicos de vocabulário, como no poema “Zona”, de Apollinaire, no qual a expressão “les hangars de Port-Aviation” (os hangares [do aeroporto] de Port-Aviation) vira “o hangar de algum Porta-Avião”. Denise criticou também escolhas “infelizes” de Lins, como em “Vénus anadyomène”, de Rimbaud, onde o verso “Belle hideusement d’un ulcère à l’anus” é vertido como “Tem úlcera — que horror! — ao pé do fiofó”. As críticas foram endossadas por outros tradutores, como Jorio Dauster e Ivo Barroso.

— Entendo que o prêmio de tradução de 2010, concedido a uma obra que nada tem de plágio, mas que peca por falta de requisitos mínimos de qualidade tradutória, é um acinte. A ABL deu uma bofetada em público no ofício da tradução, perante toda a sociedade — diz Denise.
O prêmio de tradução da ABL, que confere R$ 50 mil ao vencedor, foi entregue desde 2003 a profissionais de renome, como Boris Schnaiderman, Eduardo Brandão e Bárbara Heliodora. Procurada pelo GLOBO, a ABL preferiu não comentar as críticas.

reproduzo abaixo outras opiniões.* sobre os sonetos de william shakespeare:
  • "notabilíssima tradução, "criação poética da mais alta qualidade", "meu caloroso aplauso" - mário gibson barbosa
  • "extraordinária façanha", "esplêndida versão" - ivan junqueira
  • "admiráveis traduções de shakespeare" - wilson martins
  • "primorosa tradução que o coloca entre os mais ... adestrados tradutores de shakespeare em nossa língua" - lêdo ivo
  • "ilustre tradutor ... inquieto e buscador ... lúcido e vário, nunca traditore" - nelson saldanha
  • "rememoremos suas traduções dos sonetos de shakespeare. não é fácil manter a métrica, o ritmo - como ele conseguiu", "trafega ..., com igual desenvoltura, pelo francês" - alvacir raposo
sobre pequenas traduções de grandes poetas:
  • "suas traduções não são 'pequenas', mas sim grandes obras. ... somente um poeta é capaz de fazê-lo - e um poeta que possua um profundo conhecimento da língua original" - mário gibson barbosa
  • "são traduções exemplares ... grande prazer estético" - sérgio paulo rouanet
  • "muitas vezes encontrei e encontro mais em suas traduções do que nos versos originais ... rara e muito valiosa contribuição à cultura, em nosso país" - jarbas maranhão
  • "suas 'pequenas traduções de grandes poetas' ... nada têm de pequenas" - anderson braga horta
  • "...'grandes poetas' que você traduziu, com tanta perícia e sensibilidade, para o nosso idioma" - ivan junqueira
  • "parabenizo-o pelo modo com que abraça a sua tarefa e não se dobra diante de cruciais desafios" - marco lucchesi
  • "dê-se por revogado o 'pequenas' da capa ... passando a ser ... 'grandes traduções de grandes poetas' por ser o trabalho de milton lins, em mais este livro, monumental" - josé paulo cavalcanti filho
  • "trabalho de ourivesaria e artesanato ... que muito honra e dignifica a cultura e a inteligência brasileiras" - murilo melo filho
  • "suas 'pequenas traduções' [III] atestam, mais uma vez, a sua perícia tradutória", com "renovada admiração" - ivan junqueira
* extraídas das orelhas e prefácios de pequenas traduções de grandes poetas II, III, IV.

acompanhe a controvérsia aqui.
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18 de jul de 2010

homenagem ao prêmio abl de tradução 2010



lindas são as plumas com que se adorna o pavão.
mas a fábula não deixa esquecer sua voz.


17 de jul de 2010

meus votos

agenor soares dos santos, bárbara heliodora, boris schnaiderman, bruno palma, eduardo brandão, geraldo de holanda cavalcanti, ivo barroso, leonardo fróes, marcos santarrita e paulo bezerra são os agraciados com o prêmio abl de tradução até 2009.

a partir de 20 de julho próximo, passará a constar nos anais da abl a entrega do prêmio de 2010 à obra pequenas traduções de grandes poetas IV.

no presente, já é difícil entender a razão dessa premiação. no futuro, será um enigma insolúvel.

ficam aqui meus votos de que esse episódio de 2010 não venha a empanar demais as premiações dos outros anos, sejam os passados, sejam os vindouros.

 acompanhe a questão em abl.

imagem: fleurs du mal, valiena (flickr).

boas coisas



prosa&verso d'o globo traz uma ótima matéria sobre traduções:
direto da fonte, com rubens figueiredo, mamede jarouche, leiko gotoda e paulo schiller

o caderno traz também prêmio da abl recebe críticas, a "bofetada" da abl no ofício de tradução.

boa ainda a  menção à página dos tradutores,
que eu havia comentado aqui.


abl: o público e o privado II

Homenagens na Academia

MinC vai apoiar a ABL nas comemorações dos centenários de cinco brasileiros ilustres

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, recebeu o acadêmico e ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Marcos Vinícios Vilaça, em seu gabinete, em Brasília, nesta quarta-feira, 10 de março. O encontro contou com a presença do novo secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do MinC, Henilton Menezes.

Foi uma audiência de pactuação de recursos para as comemorações dos centenários do sambista, cantor e compositor Noel Rosa e de quatro acadêmicos: Raquel de Queiroz, Carlos Chagas, Aurélio Buarque de Holanda e Joaquim Nabuco.

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) estimou a necessidade de recursos da ordem de R$ 1 milhão para custear as despesas da instituição com a realização de uma série de atividades comemorativas. Estão previstos ciclos de conferências, publicações de livros, placas de homenagens e espetáculos alusivos às datas, pesquisas sobre a vida e a obra dos homenageados, além da promoção da Semana Joaquim Nabuco, nas cidades de Washington e Londres.

O minsitro Juca Ferreira sugeriu ao secretário Henilton Menezes a elaboração de um convênio único com a ABL, para viabilizar o apoio do Ministério da Cultura às comemorações dos centenários.

http://www.cultura.gov.br/site/2010/03/10/homenagens-na-academia/

se a abl, como todos sabem, obtém constantes e vultosos recursos junto aos poderes públicos para financiar suas atividades, não sei de onde ela pode tirar a ideia de que não mantém qualquer relação viva e orgânica com o país e de que não deve satisfações à sociedade.

acompanhe aqui o prêmio abl de tradução 2010.

16 de jul de 2010

para lembrar



PublishNews - 16/07/2010 - Redação

Será na próxima terça-feira (20) a festa de aniversário da Academia Brasileira de Letras. Na solenidade, que começa às 17h com José Murilo de Carvalho como orador, a ABL fará a entrega do Prêmio Machado de Assis ao crítico literário, professor, escritor, ensaísta e filósofo paraense Benedito Nunes. Concedido desde 1941, ele dá ao vencedor R$ 100 mil.

Neste dia em que comemora 113 anos, também serão premiados os vencedores dos “Prêmios ABL” que ganharão, além do diploma, R$ 50 mil. São eles: Outra vida (Alfaguara), de Rodrigo Lacerda, na categoria ficção (conto, romance, teatro); na infanto-juvenil, o livro Marginal à esquerda (RHJ), de Angela-Lago; Pequenas traduções de grandes poetas (edição do autor), do pernambucano Milton Lins (que gerou polêmica em blogs e afins)* na categoria tradução; em poesia, A máquina das mãos (7Letras), de Ronaldo Costa Fernandes; em história/ciências sociais, Escravismo em São Paulo e Minas Gerais (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Edusp), de Francisco Vidal Luna, Iraci Del Nero e Herbert S. Klein; em ensaio e crítica literária, O controle do imaginário & a afirmação do romance (Companhia das Letras), de Luiz Costa Lima, e cinema, para os filmes A erva do rato e Hotel Atlântico, dirigidos, respectivamente, por Júlio Bressane e Suzana Amaral.

A comemoração será no Petit Trianon (Av. Presidente Wilson 203 – Castelo - Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3974-2500)."

* incluir a folha de s.paulo, com duas extensas matérias a respeito, e o jornal o globo, com uma nota, num genérico "e afins" é de doer... tirando esse enorme understatement, é bom lembrar no que consiste a "polêmica": acompanhe aqui.

q.e.d.




Bien es verdad que tal vez,
Olalla, me hás dado indicio
que tienes de bronce el alma
y el blanco pecho de risco.

É verdade que talvez,
Eulália, me deste indício
que de bronze tens a alma
teu peito branco é de risco.


risco em espanhol quer dizer "rochedo": seria um peito, um coração de pedra. detalhe adicional: tal vez quer dizer "às vezes", "vez por outra".

Verdade é que tenho, Olaia/ Em ti descoberto indícios/ De teres a alma de bronze,/ E o peito de gelo frio - viscondes de castilho e azevedo

É bem verdade que, às vezes/ Olália, me deste indícios/ de teres alma de bronze/ e peito de alvo granito - eugênio amado.


essa outra quadra é muito bonitinha:

Si el amor es cortesia,
de la que tienes colijo
que el fin de mis esperanzas
ha de ser cual imagino.

[se o amor é cortesia,/ da que tens deduzo/ que o fim de minhas esperanças/ há de ser como imagino.]

Se o amor é cortesia,
daquela que tens colhido
que no fim das esperanças
há de ser como imagino.

Se amores têm cortesia/ Da que tu mostras colijo/ Que o fim das minhas esp'ranças/ Há de ser qual imagino. - viscondes de azevedo e castilho.

Se o amor for cortesia,/ deduzo, da que me exibes,/ que o fim destas esperanças/ há de ser como imagino. - eugênio amado

Miguel de Cervantes, Dom Quixote, Livro I, cap. XI. a tradução de milton lins se encontra em pequenas traduções de grandes poetas II, pp. 65-66.


meu objetivo até agora tem sido refutar concretamente, com exemplos minuciosos e bem documentados, as alegações do imortal ivan junqueira e o parecer da comissão de seleção (composta por evanildo bechara, carlos nejar e o mesmo junqueira). a abl, na figura destes imortais, apresentou publicamente razões que acredito serem incorretas e/ou inverídicas. repito mais uma vez que, em vista da importância histórica e cultural da academia brasileira de letras, seus atos têm uma ressonância na sociedade que não pode ser minimizada nem ignorada. neste sentido, a atribuição do prêmio ABL de tradução 2010 a uma obra carente de requisitos para aspirar ao título de tradução representa, a meu ver, um gesto certamente desrespeitoso a todos os intelectuais, leitores e tradutores do país.

com este post, encerro a série documental de citações, cuja finalidade é demonstrar a fragilidade dos critérios apresentados pela abl para a escolha do laureado. creio que essa finalidade já foi atendida à suficiência. 

até o dia 20 de julho, data da entrega pública do prêmio ABL de tradução 2010, continuarei a expor meu repúdio, concentrando-me sobre o tema da responsabilidade pública que entendo caber à academia brasileira de letras.

sobre os arremedos de tradução perpetrados por milton lins e sua premiação pela academia brasileira de letras, ver aqui

15 de jul de 2010

o céu que se cuide!



o leitor thiago perguntava, em coup de grâce, de onde eu extraí a citação do inacreditável "se tirar nota zero, eu furo o céu" para were it aught to me i bore the canopy, o verso inicial do soneto 125 de shakespeare.

pois é, thiago: saiu do volume acima, o qual, acredite ou não, existe! é uma edição particular, custeada pelo próprio tradutor, de 2005, pela gráfica fac form, de recife. não está disponível no circuito comercial, pois, até onde consegui entender, são tiragens pequenas para distribuição entre amigos e conhecidos. mas há alguns exemplares à venda em sebos da rede estantevirtual.

fico até com dó de milton lins pela arapuca que os imortais marcos vilaça, ivan junqueira, carlos nejar e evanildo bechara lhe montaram. ao lhe darem um prêmio de imensa visibilidade pública, lançaram luz pública sobre obras que se destinavam à circulação restrita e privada. que constrangimento! e que constrangimento para nós brasileiros, em primeiro lugar, por termos de arcar com a presença e a memória desses despautérios da abl!

paródia bananêra


shakespeare, soneto 116, frase inicial.

Let me not to the marriage of true minds/ admit impediments.

[em prosa chã: não aceitarei impedimentos à união de espíritos (ou almas) sinceros.]

De almas sinceras a união sincera/ Nada há que impeça. - bárbara heliodora

Não há empecilhos quando mentes/ Verdadeiras se afeiçoam. - thereza christina motta



Ao casório não vou de homens sabichões,/ nem os tento impedir. - milton lins

[sonetos de william shakespeare, soneto cxvi. recife, fac form, 2005, p. 116]

agora falando sério

ótima noticia é o ressurgimento da revista scientia traductionis (ufsc).


e que deleite o texto de josé lira: o jogo da tradução nos limites do haicai - culto, divertido, instrutivo, um encanto!


imagens: drops on spider web; gato na janela

14 de jul de 2010

coup de grâce


o bardo assassinado




se tirar nota zero, eu furo o céu?



sonetos de william shakespeare, tradução de milton lins,
agraciado com o prêmio ABL de tradução 2010.


quosque vos?


seguem-se os nomes dos imortais da ABL, ordenados pelo número da cadeira que ocupam.

1 Ana Maria Machado *
2 Tarcísio Padilha
3 Carlos Heitor Cony *
4 Carlos Nejar *
5 José Murilo de Carvalho
6 Cícero Sandroni *
7 Nelson Pereira dos Santos
8 Cleonice Berardinelli *
9 Alberto da Costa e Silva
10 Lêdo Ivo *
11 Helio Jaguaribe
12 Alfredo Bosi *
13 Sergio Paulo Rouanet *
14 Celso Lafer *
15 Fernando Bastos de Ávila *
16 Lygia Fagundes Telles
17 Affonso Arinos de Mello Franco
18 Arnaldo Niskier
19 Antonio Carlos Secchin
20 Murilo Melo Filho
21 Paulo Coelho *
22 Ivo Pitanguy
23 Luiz Paulo Horta *
24 Sábato Magaldi
25 Alberto Venâncio Filho
26 Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça
27 Eduardo Mattos Portella
28 Domício Proença Filho
29 Geraldo Holanda Cavalcanti *
30 Nélida Piñon *
31 Moacyr Scliar *
32 Ariano Suassuna
33 Evanildo Cavalcante Bechara
34 João Ubaldo Ribeiro *
35 Cândido Mendes
36 João de Scantimburgo
37 Ivan Junqueira *
38 José Sarney
39 Marco Maciel
40 Evaristo de Moraes Filho *

* o asterisco assinala os imortais com frequentação mais ou menos assídua ao ateliê tradutório.

as asas ligeiras da poesia




voici l'heure où tombe le voile
qui, le jour, cache mes ennuis

eis a hora em que se extingue a vela
que o dia esconde os meus pernoites

[eis a hora em que cai o véu/ que de dia esconde meus desgostos]

oh! oui, c'est une amère joie
que de se jeter un moment,
comme une volontaire proie,
dans les serres de son tourment

sim, é amarga uma alegria,
de se jogar por um momento
como uma presa que se cria
por sobre as serras do tormento

[oh! sim, é amarga alegria/ lançar-se um momento,/ como presa voluntária,/ nas garras de seu tormento]

mme de girardin, la nuit, trad. milton lins, pequenas traduções II, pp. 219 e 221


13 de jul de 2010

abl: o público e o privado

repito que, em minha opinião, qualquer um pode traduzir o que quiser do jeito que bem entender. nada tenho contra o sr. milton lins, e até admiro sua atitude intimorata, sua singeleza inabalável.

o que não pode e o que não admiro é uma entidade literária do porte de uma academia brasileira de letras - que, mesmo sendo fundação de direito privado, deve algum tipo de satisfação de seus atos à sociedade - coroar publicamente iniciativas que, estas sim, melhor fariam se continuassem nas sombras da privacidade.*

ao trazê-las à luz da opinião, a abl na verdade dá um chute público na dignidade do ofício e mostra público desrespeito para com tradutores, leitores e a sociedade em geral.

* diga-se de passagem que tais iniciativas foram lançadas apenas em restritas edições privadas do próprio autor. não estão à venda no circuito comercial, e nem sequer constam no catálogo das editoras que as imprimiram. apenas por acaso encontrei alguns volumes à venda em sebos da rede estantevirtual, com suas primeiras páginas visivelmente removidas (imagino que ali constavam as dedicatórias de milton lins aos amigos a quem distribuiu os exemplares).

a abl e seus prêmios




les colliers rehaussent la splendeur des rouges dalmatiques

colares realçam o esplendor croata com artigos

[a piada é que dalmatique é aquela túnica de mangas largas e soltas, ou dalmática mesmo, em português. a viagem até a croácia deve ser a título de licença poética.]


prêmio abl de ligeireza 2010

o tradutor, poeta, acadêmico e imortal ivan junqueira declarou à imprensa que o Prêmio ABL de Tradução 2010 seria um reconhecimento de uma vida inteira dedicada à tradução.

ao ser informado de que milton lins se aventurou ao ofício há dez ou doze anos, ivan junqueira reagiu: "Pela quantidade de coisa que ele traduziu, eu imaginava que fosse mais tempo"...

já comentei essa reação do imortal tradutor ivan junqueira, pelo lado trocista da coisa. mas, se avaliarmos melhor, vemos que a surpresa do imortal é fundamentada. pois quem há de crer que é pouca coisa traduzir  rimbaud em metro e rima, todo o espólio poético de andré chénier, a totalidade dos 154 sonetos de william shakespeare, quatro volumes de pequenas traduções de grandes poetas, os álcoois de apollinaire, os versos do dom quixote, assim num estalar de dedos?

vejamos, pois:



será que milton lins realmente achou que o galho "retumba" em vez de pender ou recair sobre o banco? ou foi porque assim não precisava perder tempo procurando outra solução para a rima?
e o musgo? virou espuma porque era mais ligeiro e maneiro?

outra forma de ligeireza é a que se encontra no prefácio de pequenas traduções II, p. 13: "No translation would be possible [etc.], escreveu em inglês Walter Benjamin, filósofo e crítico literário alemão". ah, é mesmo? benjamin então escreveu o famoso prefácio à sua tradução de poemas de baudelaire, Die Aufgabe des Übersetzers ["a tarefa do tradutor"], em inglês?!

de qualquer forma, espero que a abl, que aliás conta com tantos tradutores entre seus membros, ao menos enrubesça pela injúria ao ofício e pelo insulto a seus praticantes.

imagem: vergonha