31/03/2010

centauro a galope

a questão judaica, na edição da centauro, que reproduz fielmente a tradução de wladimir gomide (laemmert, 1969 - veja aqui), porém atribuindo-a a silvio donizete chagas, a rédeas soltas percorre escolas, bibliotecas, ementas de curso, teses, artigos, concursos etc.


eis uma pequena amostra da situação:

http://www.nodo50.org/cubasigloXXI/congreso08/conf4_goncalvesr.pdf

http://www.usp.br/siicusp/Resumos/17Siicusp/resumos/3386.pdf
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_dh_etica_republicana.pdf
http://www.slideshare.net/654789/grupo-de-estudos-marx-e-o-direito
http://www.fazendogenero8.ufsc.br/sts/ST62/Camila_Oliveira_do_Valle_62.pdf
http://www.pucrs.br/edipucrs/online/IIImostra/CienciasSociais/61351%20-%20HENRY%20GUENIS%20SANTOS%20CHEMERIS.pdf
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_87/artigos/RommelMadeiro_rev87.htm
www.ess.ufrj.br/.../201-construcoes-teorico-metodologicas-em-servico-social-fatima-grave-marlise-vinagre
http://www.grupodemocracia.com/artigos/livro%202/pdfs/OLIVEIRA,CiceroJS.pdf
http://www.ufpb.br/cdh/curso2/2curso_ementa02.html
http://abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/526.%20%20a%20utopia%20na%20perspectiva%20de%20ernst%20bloch.pdf
www.conpedi.org/anais/36/02_1673.pdf
www.revistas.ufg.br/index.php/philosophos/article/.../6010
http://www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/dcefs/Prof._Adalberto_Santos/2-o_trabalho_em_marx_e_engels_implicacoes_para_os_estudos_do_lazer_12.pdf
http://www.ceamecim.furg.br/viii_pesquisa/trabalhos/78.doc
http://xivciso.kinghost.net/artigos/Artigo_979.pdf
http://www.ufpel.tche.br/cic/2009/cd/pdf/CH/CH_01656.pdf
http://www.lemarx.faced.ufba.br/marxeengels.html
http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/26013/25576
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652008000200004
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52582003000100004
http://www.marilia.unesp.br/Home/Instituicao/Concursos/pdfs/edital2010-062.pdf
http://www.conpedi.org/manaus/arquivos/anais/bh/danielle_soncini_bonella.pdf
http://www.trt13.jus.br/ejud/images/arquivos/referencias_bibliograficas.pdf
http://www.pucrs.br/edipucrs/online/IIImostra/CienciasSociais/61351%20-%20HENRY%20GUENIS%20SANTOS%20CHEMERIS.pdf
www.ess.ufrj.br/index.php/.../207-seminario-de-tese-i-maria-das-dores
http://www.revistas.ufg.br/index.php/philosophos/article/viewDownloadInterstitial/4869/6010
http://www.faculdadeages.com.br/revista/index.php?journal=ages&page=article&op=viewFile&path[]=58&path[]=48
http://www.scielo.org.ar/scieloOrg/php/reference.php?pid=S1515-59942009000100001&caller=www.scielo.org.ar&lang=es
http://www4.uninove.br/ojs/index.php/dialogia/article/viewFile/842/722
http://www.unec.edu.br/ics/artigos/eca2.pdf
http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt2/sessao1/Camilo_onoda.pdf
http://periodicos.unitau.br/ojs-2.2/index.php/humanas/article/view/456/413
http://www.usp.br/siicusp/Resumos/17Siicusp/resumos/780.pdf
http://www.trf4.jus.br/trf4/upload/arquivos/curriculo_juizes/ha_um_fundamento_para_direitos_humanos.pdf
http://www.unisinos.br/publicacoes_cientificas/images/stories/pdfs_educacao/v13n1/art05_magalhaes_e_junior.pdf
http://www.ichs.ufop.br/memorial/trab2/edu24.pdf
http://revistas.pucsp.br/index.php/red/article/view/1682/1113
http://www.unipam.edu.br/temp/file/1%C2%AA%20SEMANA%20DE%20ESTUDOS%20JUR%C3%8DDICOS%20E%20SOCIAIS.pdf
http://www.uff.br/iacr/ArtigosPDF/94T.pdf
http://www.abed-defesa.org/page4/page8/page9/page16/files/CamilaValle.pdf
http://www.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/segundosimposio/marisagbarbosa.pdf
http://www.cepehu.com.br/galeria/textos/_mini_bbe475c1ef416c09eac33f77ce191300.pdf
http://www.ts.ucr.ac.cr/binarios/congresos/reg/slets/slets-017-046.pdf
http://www.trt13.jus.br/ejud/images/arquivos/liberdade_igualdade_fraternidade.pdf
http://www.nrodrigues.adv.br/publicacoes/producao-te%C3%B3rica/contribui%C3%A7%C3%A3o-a-cr%C3%ADtica-da-historia-do-direito-de-greve.pdf
http://www.andhep.org.br/downloads/trabalhosIVencontro/CamiladoValleGT1.pdf
http://books.google.com.br/books?id=pfs4SPdlhFAC&pg=PA124&lpg=PA124&dq=%22quest%C3%A3o+judaica%22+marx+centauro&source=bl&ots=-TeAShOVtB&sig=B2ggbMoqfHabQ43YrNVUS-cZpoo&hl=pt-BR&ei=ydSuS-XJKdCluAeT_OjwDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=4&ved=0CBsQ6AEwAzha#
http://seer.bce.unb.br/index.php/SER_Social/article/view/162/120
http://publique.rdc.puc-rio.br/revistaalceu/media/alceu_n9_oliveira.pdf
http://www2.jatai.ufg.br/ojs/index.php/acp/article/viewDownloadInterstitial/916/455
http://www.ufpa.br/bc/documentos/Alerta_Bibliografico/2009/alertabibliografico03mar2009.pdf
http://www.ppgf.ufba.br/dissertacoes/Jose_Fredson_Souza_Silva.pdf
www.fae.ufmg.br/.../politica_contemporanea_form_prof.doc
http://www.revistas2.uepg.br/index.php/emancipacao/article/view/97/95
http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/tosi/tosi_cosmopolitismo.htm
http://www.ifch.unicamp.br/graduacao/disciplinas/semestre208/disciplinas/HZ353A.pdf
http://www4.uninove.br/ojs/index.php/prisma/article/view/507/486
www.cchla.ufpb.br/.../479-17092008221218-Cosmopolitismo%5B1%5D.60anos_DUDH.doc
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/html/934/93400107/93400107.html
http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1112992
http://ufpa.br/bc/documentos/Alerta_Bibliografico/2007/alertabibliograficooutubro2007.pdf
http://www.nrodrigues.adv.br/publicacoes/producao-te%C3%B3rica/o-verdadeiro-universal-juridico-e-os-limites-da-universalizacao-de-direitos-sob-o-capitalismo.pdf
http://starline.dnsalias.com:8080/andhep2009/arquivos/8_9_2009_19_44_15.pdf
http://www.sober.org.br/palestra/9/424.pdf
www.segurancacidada.org.br/index.php?option=com_docman...
www.cress16.org.br/flash/catalogo.swf
http://publique.rdc.puc-rio.br/revistaalceu/media/Alceu19_Oliveira.pdf
http://www.pucrs.br/ffch/neroi/mono_revista.pdf
http://www.ufpb.br/cdh/monografias/christiane_fernandes.pdf
http://www.bmfbovespa.com.br/Pdf/Bibliografia_Bobbio.pdf
www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/journals/1/.../669/.../669-683-1-PB.pdf
http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=726
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/32/art16_32.pdf
http://www.cfh.ufsc.br/~alessandro/filpoliticaI-pos.htm

[colaboração de joana canêdo]

veja também outros casos da editora centauro envolvendo plágios de tradução.

apoie a luta contra o plágio.
leia e assine este manifesto.


30/03/2010

caso martin claret x denise bottmann

atualizando:
em relação ao caso do sr. martin claret contra minha pessoa, por alegada difamação e crime contra sua honra, o juiz em primeira instância não havia acolhido a queixa-crime, rejeitando-a liminarmente por insuficiência de provas. os advogados do sr. martin claret entraram com recurso, o qual foi analisado hoje pela junta recursal. em decisão por unanimidade, a junta confirmou a sentença e considerou não haver razões para dar acolhimento ao referido recurso.


acompanhe o histórico:

a questão judaica

Um leitor do blog havia comentado algum tempo atrás que achava suspeita a edição d'A Questão Judaica, de K. Marx, pela editora Centauro: muito parecida com a edição da Laemmert. Joana Canêdo então fez um levantamento que apresento abaixo, acrescido de algumas informações adicionais.



A edição da Laemmert é de 1969, com tradução assinada por Wladimir Gomide, que também escreve a apresentação. Na orelha do livro consta a informação: “Esta é a primeira vez que o ensaio de Marx sobre A Questão Judaica aparece em língua portuguesa”. Muito provavelmente a tradução de Gomide se baseou na tradução de Wenceslao Roces para o espanhol, publicada pela Grijalbo em 1959 na coletânea La sagrada familia y otros escritos filosóficos de la primeira época (disponível para download aqui)

A Questão Judaica (1843) corresponde a duas resenhas escritas por Marx para os Anais Franco-Alemães: a primeira se chama “Bruno Bauer, A questão judaica” e a outra “Capacidade dos atuais judeus e cristãos de ser livres”. Além delas, a edição da Laemmert traz em apêndice mais quatro textos: “Colocação de problemas”, “Descobertas críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política”, “Os anais franco-alemães e a questão judaica” e “Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel”. Wladimir Gomide explica em sua apresentação que optou por traduzir “todos os tópicos em que Marx aborda a questão judaica noutro texto da juventude” (i. é, A Sagrada Família).

Após esse lançamento da Laemmert em 1969, A Questão Judaica foi publicada por outras editoras no Brasil, a saber:

  •  Moraes, sem indicação do tradutor, c. 1981 e reedições.
  • Achiamé, trad. Wladimir Gomide, s/d.
  • Centauro, trad. Silvio Donizete Chagas, 2000 e diversas reedições.
  • Expressão Popular, trad. José Barata-Moura (sob licença da Avante de Portugal), 2009.
No caso da edição da Centauro, alguns detalhes editoriais chamam a atenção:
- A indicação do título original: Zur Judenfrage.
- Uma apresentação anônima.
- A divisão do volume em duas partes: A Questão Judaica propriamente dita, com suas duas resenhas; e os mesmos quatro textos em apêndice que constam na edição da Laemmert.

Salta à vista que a escolha dos textos da Laemmert e da Centauro é a mesma. Os textos das traduções são idênticos. A cópia é literal, do início ao fim, incluindo apresentação e notas de rodapé. As únicas diferenças entre as duas edições são o texto da orelha e a referência ao original. Se Gomide não indica a fonte de sua tradução para a Laemmert, a edição da Centauro indica o original Zur Judenfrage.

  

Seguem-se alguns trechos ilustrativos.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 13)

I – Bruno Bauer, A Questão Judaica (Die Judenfrage). Braunschweig, 1843.
Os judeus alemães aspiram emancipar-se. A que emancipação aspiram? À emancipação civil, à emancipação política.
Bruno Bauer os contesta: Na Alemanha, ninguém está politicamente emancipado. Nós mesmos carecemos de liberdade. Como vamos, então, libertar-vos? Vós, judeus, sois egoístas quando exigis uma emancipação especial para vós, como judeus. Como alemães, devíeis trabalhar pela emancipação política da Alemanha; como homens, pela emancipação humana. Ao invés de sentir o tipo especial de vossa opressão e de vossa ignomínia como uma exceção à regra, devíeis, pelo contrário, senti-lo como a confirmação desta.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 13)

I – Bruno Bauer, A Questão Judaica (Die Judenfrage). Braunschweig, 1843.
Os judeus alemães aspiram emancipar-se. A que emancipação aspiram? A emancipação civil, a emancipação política.
Bruno Bauer os contesta: Na Alemanha, ninguém está politicamente emancipado. Nós mesmos carecemos de liberdade. Como vamos, então, libertar-vos? Vós, judeus, sois egoístas quando exigis uma emancipação especial para vós, como judeus. Como alemães, devíeis trabalhar pela emancipação política da Alemanha; como homens, pela emancipação humana. Ao invés de sentir o tipo especial de vossa opressão e de vossa ignomínia como uma exceção à regra, devíeis, pelo contrário, senti-lo como a confirmação desta.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 24)

A ascensão política do homem acima da religião partilha de todos os inconvenientes e de todas as vantagens da ascensão política em geral. O Estado como tal, anula, por exemplo, a propriedade privada. O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza (4) para o direito de sufrágio ativo e passivo, como já se fez em muitos Estados norte-americanos. Hamilton interpreta com toda exatidão este fato, do ponto de vista político, ao dizer: “A grande massa triunfou sobre os proprietários e o poder do dinheiro”. Acaso não se suprime idealmente a propriedade privada quando o despossuído se converte em legislador dos que possuem? O aspecto riqueza é a última forma política de reconhecimento da propriedade privada.

(4) Nota da tradução brasileira: O direito de voto estava condicionado a determinado teto. O indivíduo que não possuísse o mínimo estipulado não podia ser eleitor.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 22)

A ascensão política do homem acima da religião partilha de todos os inconvenientes e de todas as vantagens da ascensão política em geral. O Estado como tal, anula, por exemplo, a propriedade privada. O homem declara abolida a propriedade privada de modo político quando suprime o aspecto riqueza (4) para o direito de sufrágio ativo e passivo, como já se fez em muitos Estados norte-americanos. Hamilton interpreta com toda exatidão este fato, do ponto de vista político, ao dizer: “A grande massa triunfou sobre os proprietários e o poder do dinheiro”. Acaso não se suprime idealmente a propriedade privada quando o despossuído se converte em legislador dos que possuem? O aspecto riqueza é a última forma política de reconhecimento da propriedade privada.

(4) Nota da tradução brasileira: O direito de voto estava condicionado a determinado teto. O indivíduo que não possuísse o mínimo estipulado não podia ser eleitor.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 62)

A venda é a prática da alienação. Assim como o homem – enquanto permanece sujeito às cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico, num ser estranho a ele, assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta, só poderá produzir praticamente objetos, colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha, do dinheiro.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 50)

A venda é a prática da alienação. Assim como o homem – enquanto permanece sujeito as cadeias religiosas – só sabe expressar sua essência convertendo-a num ser fantástico, num ser estranho a ele, assim também só poderá conduzir-se praticamente sob o império da necessidade egoísta, só poderá produzir praticamente objetos, colocando seus produtos e sua atividade sob o império de um ser estranho e conferindo-lhes o significado de uma essência estranha, do dinheiro.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 65)

Apêndices
a) Colocação dos problemas
Em antítese à massa, o “espírito” passa a se conduzir criticamente ao considerar sua própria obra tão limitada – “A Questão Judaica”, de Bruno Bauer – como absoluta, somente classificando de equivocados os adversários dela. Na réplica número 1 aos ataques dirigidos contra esta obra, seu autor não demonstra sequer a menor disposição de compreender seus vários defeitos. Ao contrário, continua afirmando ter desenvolvido nela o “verdadeiro” significado, o significado “geral” da questão judaica.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 53)

Apêndices
a) Colocação dos problemas
Em antítese à massa, o “espírito” passa a se conduzir criticamente ao considerar sua própria obra tão limitada – “A Questão Judaica”, de Bruno Bauer – como absoluta, somente classificando de equivocados os adversários dela. Na réplica número 1 aos ataques dirigidos contra esta obra, seu autor não demonstra sequer a menor disposição de compreender seus vários defeitos. Ao contrário, continua afirmando ter desenvolvido nela o “verdadeiro” significado, o significado “geral” da questão judaica.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, p. 71)

b) Descobertas Críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política (nacionalidade)
Aos judeus da massa, materiais, se aconselha a doutrina cristã da liberdade espiritual, da liberdade teórica, esta liberdade espiritualista que aparenta ser livre inclusive sob o signo da sujeição, que se sente em estado de graça “na ideia” e que só entorpece tudo aquilo que seja existência de massa.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, p. 58)

b) Descobertas Críticas sobre Socialismo, Jurisprudência e Política (nacionalidade)
Aos judeus da massa, materiais, se aconselha a doutrina cristã da liberdade espiritual, da liberdade teórica, esta liberdade espiritualista que aparenta ser livre inclusive sob o signo da sujeição, que se sente em estado de graça “na ideia” e que só entorpece tudo aquilo que seja existência de massa.

1. Wladimir Gomide (Laemmert, 1969, pp. 101-102)

Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel
Na Alemanha, a crítica da religião chegou, no essencial, ao fim. A crítica da religião é a premissa de toda crítica.
A existência profana do erro ficou comprometida, uma vez refutada sua celestial oratio pro aris et focis (1). O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.

(1) Oração pelo lar e pelo ócio.

2. Silvio Donizete Chagas (Centauro, 2005, pp. 83-85)

Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel
Na Alemanha, a crítica da religião chegou, no essencial, ao fim. A crítica da religião é a premissa de toda crítica.
A existência profana do erro ficou comprometida, uma vez refutada sua celestial oratio pro aris et focis (30). O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.

(30) Oração pelo lar e pelo ócio.

veja mais sobre a editora centauro:

29/03/2010

fala erwin theodor

Cara Denise: escreve-lhe o Erwin Theodor Rosenthal, aquele mesmo que há sessenta-e-quatro anos (aos 20 de idade!) levou 12 meses para completar seu primeiro projeto de tradução, a Origem da Tragédia! Por V. fiquei sabendo de sua disponibilização eletrônica e agradeço seus comentários lúcidos e justos. De minha parte acrescento uma passagem de autor que já foi conhecido, e que talvez divirta os inimigos do PLÁGIO. Escreve Egon Friedell numa "CARTA ABERTA" a um autorzinho de nome Anton Kuh, em 1931, de Viena:

"Prezado Senhor, foi surpresa verificar que V. resolveu publicar a minha humilde estória, O Imperador José e a Prostituta, tal como a escrevi, com o acréscimo das três palavras: 'Por Anton Kuh', na publicação Querschnitt. Honra-me sem dúvida o fato de sua escolha ter recaído na minha estorinha, quando toda a literatura mundial desde Homero se encontrava à sua disposição. Teria gostado de retribuir na mesma moeda, mas, depois de examinar toda a sua obra, não encontrei nada que tivesse vontade de subscrever. (ass) Egon Friedell."

Pergunto eu: que tal a obra do sr. Pugliese?

Cumprimentos cordiais, Erwin Theodor.

ver o caso a que se refere nosso mestre germanista em:

27/03/2010


o nãogostodeplágio está em fase de manutenção.
retorna às atividades normais na próxima semana.


26/03/2010

o caso do proz.com

acompanhe o caso do proz.com e leia a petição:

On 3 March 2010, the following petition was delivered to the ProZ.com team. An internal review began immediately and discussions among staff members and petitioners are currently underway. The results of the review process and the outcome of the discussions will be published by 31 March 2010.

A Translators' Petition Concerning ProZ.com's Job Policies
To ProZ.com

We, the undersigned, are a group of translators based around the world.

The purpose of this petition is two-fold. Firstly, it aims to protest against the way ProZ.com manages and supervises its job postings made available to both paying and non-paying ProZ.com members on its "Translation Industry Jobs" board. Secondly, it requests that ProZ.com revise its current policies and procedures on job postings, which we believe are harmful to individual translators and to the industry as a whole.

Over recent months, we have witnessed a steady and alarming increase in the number of ProZ.com job offers that contain rates and working conditions we consider totally unacceptable. One recent example of such a post provoked the enraged reaction of thousands of translators and interpreters and was reported in the Italian national press, in addition to being widely discussed by thousands of other translators on translator mailing lists, blogs, Facebook, and elsewhere. The Italian Minister of Tourism ultimately released a statement disavowing the working conditions contained in the job posting that appeared on ProZ.com.

The post in question is only one example of many such job postings that appear daily on ProZ.com. For our part, we are convinced that such posts have always offended and continue to offend the dignity of professional freelance translators.

ProZ.com's company policy states that it aims to serve "the world's largest community of translators" and deliver "a comprehensive network of essential services, resources and experiences that enhance the lives of its members."

Job postings that do not offer translators a living wage or which contain detrimental working conditions clearly fail to "enhance the lives" of translators. On the contrary, they actively harm our livelihoods and our profession.

To cite one specific example: the fact that ProZ.com allows job posters to set prices and conditions is, in itself, a form of "market distortion" and reveals one of the main reasons why we believe the ProZ.com job posting system is fundamentally flawed. When offering translation services, the freelance translator acts as a service provider, not as a client. To this respect, as in any freelance profession, we believe the freelancer and not the client should establish working conditions, prices, etc.

We hope that ProZ.com will take swift action to revise its job posting system to bring it in line with its stated mission to "serve translators" and deliver "essential services, resources and experiences that enhance" translators' lives. Such action is in all of our interests and would only enhance ProZ.com's reputation as a reliable, responsible service for translators and translation clients.

Until such time as ProZ.com takes clear, decisive steps to achieve that purpose, however, we shall be committed to taking the following action:

1) we will refrain from quoting on all jobs received through the ProZ.com posting system;
2) we will inform job posters of this protest and of the reasons for refusing to quote on their jobs;
3) we will refuse to join the ProZ.com site as subscription-paying members;
4) if we are currently paying members, we will not renew our memberships when they expire;
5) we will urge our colleagues, through every means at our disposal, to do the same.

Sincerely,
{List of 844 names}

23/03/2010

moção de apoio da UBE - União Brasileira de Escritores



Denise Bottmann:

Sua iniciativa de divulgar manifesto contra o mau - e às vezes criminoso - uso de traduções por determinadas editoras, disfarçando autoria, embaralhando direitos, revela generosidade. Ao mesmo tempo em que protege o seu próprio trabalho, estende aos demais tradutores a prevenção contra falcatruas que atentam contra a qualidade da criação e a decência dos relacionamentos profissionais.

Conte com o apoio declarado da União Brasileira de Escritores. Faremos divulgar intensivamente o endereço eletrônico para que nossos associados tomem conhecimento da questão cuja defesa você lidera, e assim participem, votem, compareçam.

Joaquim Maria Botelho
União Brasileira de Escritores
Presidente

22/03/2010

moção de apoio do IEL



MOÇÃO DE APOIO A DENISE BOTTMANN
E AO BLOG NÃO GOSTO DE PLÁGIO

Há algum tempo vem sendo veiculada pelos meios de comunicação a prática de algumas editoras de se apropriar de traduções anteriormente publicadas por outras, trocando o nome do tradutor verdadeiro por outro, quase sempre forjado, fazendo alterações cosméticas e as apresentando como novas. A fim de denunciar tal abuso que, além de ferir a lei de direitos autorais, desfigura o trabalho de muitos profissionais sérios e reconhecidos, constitui concorrência desleal com as editoras que arcam com os custos de tradução das obras e compromete a qualidade do texto desta forma oferecido ao público, a tradutora Denise Bottmann criou um blog com o nome de Não Gosto de Plágio. Sua atividade consiste principalmente em denunciar tal prática, através de transcrições de trechos da tradução original e da “nova”, demonstrando que as diferenças entre elas são insignificantes e, em alguns casos, inexistentes. Por conta disso, já sofreu vários processos. Atualmente está sendo processada pela Editora Landmark, que, numa clara tentativa de intimidação, exige vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais e a imediata extinção do blog Não Gosto de Plágio (invocando o “direito de esquecimento”).

Tal processo vem sendo noticiado na imprensa e também no site de algumas editoras que se sentem lesadas por tal prática. Também circula na internet um abaixo assinado em apoio de Denise Bottmann, redigido pelos tradutores Heloisa Jahn, Jorio Dauster, Ivo Barroso e Ivone Castilho Benedetti, que já conta com cerca de 2500 assinaturas. Diante dos fatos relatados, a Congregação do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em reunião realizada a 18 de março de 2010 decidiu se manifestar solidária à campanha empreendida por Denise Bottmann em defesa dos direitos dos tradutores de terem seu trabalho reconhecido e respeitado.

20/03/2010

para os fãs de poe, poe XXXI


primeiros contos de edgar allan poe publicados no brasil:

novellas extraordinarias.
rio de janeiro: h. garnier, c.1903. tradução anônima.



(pena que o livro foi "restaurado" com a lombada de pontacabeça...)

19/03/2010

leitura crítica


artigo de ivone benedetti na seção leitura crítica, do brasil que lê (galeno amorim)


susto


quase desmaiei com isso: 
 
A cigarra e a formiga 6

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.

Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso estio.

A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
“No verão em que lidavas?”
À pedinte ela pergunta.

Responde a outra: “Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
— Oh! Bravo! — torna a formiga —
Cantavas? Pois dança agora!”

6. LA FONTAINE, Jean de. Fábulas de La Fontaine. Tradução de Milton Amado e Eugênio Amado. Belo Horizonte: Itatiaia, 1989, Tomo 1, p.25.
tal é a referência que consta na tese de mestrado uma definição de leitura pela teoria dos blocos semânticos, Anexo C, p. 88, além de extensa análise às pp. 66-69.

qualquer criança (pelo menos de antigamente) sabe que esta é a classicíssima tradução de bocage para a fábula de la fontaine, mas aqui amputada da quarta quadra (que é justo a hora em que a cigarra pede ajuda à formiga: - "Amiga", diz a cigarra, / - "Prometo, à fé d'animal, / Pagar-vos antes d'agosto / Os juros e o principal.").

até onde tenho conhecimento, a cigarra e a formiga que consta na edição da itatiaia é outra, aliás um tanto tosca (posta ao lado do primoroso lavor em a raposa e as uvas, no mesmo livro, pode-se ter um indicador bastante razoável das diferenças entre os dois tradutores, respectivamente eugênio e milton).

A CIGARRA E A FORMIGA

A cigarra, sem pensar
em guardar,
a cantar passou o verão.
Eis que chega o inverno, e então,
sem provisão na despensa,
como saída, ela pensa
em recorrer a uma amiga:
sua vizinha, a formiga,
pedindo a ela, emprestado,
algum grão, qualquer bocado,
até o bom tempo voltar.
"Antes de agosto chegar,
pode estar certa a senhora:
pago com juros, sem mora."
Obsequiosa, certamente,
a formiga não seria.
"Que fizeste até outro dia?"
perguntou à imprevidente.
"Eu cantava, sim, Senhora,
noite e dia, sem tristeza."
"Tu cantavas? Que beleza!
Muito bem: pois dança agora..."

LA FONTAINE, J. de. 1992. Fábulas de La Fontaine. Belo Horizonte, Itatiaia.
seja lá o que tenha acontecido, o que não se pode é lançar gratuita suspeição sobre nenhum dos dois tradutores. o caso adquire feições ainda mais surreais no caso do pai, milton amado, um dos grandes tradutores brasileiros de poesia: ivo barroso, por exemplo, considera sua tradução d'o corvo de poe inigualável, a melhor existente em língua portuguesa [veja aqui]. e quanto a suspeições, já basta a editora itatiaia querer manchar o nome de mario quintana como reles copista de galeão coutinho, no caso de zadig.

espero que o autor da tese tenha ocasião de esclarecer essa minha dúvida ou de dar uma checada adicional em suas referências. afinal, seu estudo está depositado no acervo de domínio público do mec, e uma afirmação séria como esta precisa ser muito bem fundamentada ou imediatamente corrigida.

ilustração: grandville

18/03/2010

17/03/2010

III congresso da abrates

veja a programação completa do III congresso da abrates, de 19 a 21 de março, em porto alegre.

inaugurando a DDI/Minc

finalmente inaugurei meu contato com a diretoria de direitos intelectuais do minc.

encaminhei à ddi um dossiê expondo o caso muito mal explicado de mario quintana, o qual, a se crer na editora itatiaia e em sua edição de zadig de voltaire, não passaria de reles plagiador de galeão coutinho.

em primeiro lugar, espero que a ddi julgue a questão relevante e tome as providências que julgar pertinentes. em segundo lugar, espero que a itatiaia entenda que sua responsabilidade editorial não cessa na hora em que vende o livro, e pronto, acabou.

acompanhe aqui o caso:

imagem: o quê?!

16/03/2010

de plágios e processos



de plágios e processos: entrevista minha a bruno dorigatti, no portal literal.

imagem: montagem

15/03/2010

abrates - III congresso

sem dúvida o evento tradutório do ano é a realização do III congresso internacional de tradução e interpretação da abrates, entre os dias 19 e 21 de março em porto alegre.

o prazo para inscrições online vai até quarta-feira, dia 17, mas você também pode se inscrever na hora. veja aqui a programação completa: http://www.abrates.com.br/congresso2010/


a turma dos painéis está pra lá de bacana. sinto-me honradíssima em poder participar!

os palestrantes serão:
Ângela Russo
Ayrton Farias
Beatriz Rodriguez
Bruno Murtinho
Carlos Ancêde Nougué
Carolina Alfaro de Carvalho
Claudia Chauvet
Cleci Bevilacqua
Cristina Carneiro Rodrigues
Daniel Argolo Estill
Daniela P. B. Dias
Danilo Nogueira
Denise Bottmann
Eliane Y. Abrão
Gabe Bokor
Heloisa Gonçalves Barbosa
João Roque Dias – Keynote Speaker
José Luis Sánchez
Liliana Bernardita Mariotto
Luiz Angélico da Costa
Marcia A. P. Martins
Maria Cristina Pires Pereira
Maria da Graça Krieger
Maria José B. Finatto
Mauro Bertuol
Moacyr Scliar
Mônica Koehler Sant’Anna
Nick Magrath
Patrícia Chittoni Ramos Reuillard
Reynaldo Pagura
Renato Beninatto
Roney Belhassof
Sabrina Lopes Martinez
Sandro Ruggeri Dulcet
Sergio Flaksman
Sérgio Molina
Tamara Barile
Vagner Fracassi

a turma do bem


















acompanhe mais algumas manifestações em apoio à luta contra o plágio: 
 conheça o blog apoiodenise
e visite o arquivo de declarações

DDI/ MinC


hoje no correr do dia darei entrada a uma petição junto à diretoria de direitos intelectuais (ddi) do minc. é um órgão bastante recente (criado em julho de 2009) que traz uma grande novidade e um tremendo avanço em seu perfil institucional: faz parte de suas competências atender ao usuário final dos bens culturais protegidos por direitos autorais. veja aqui.

esse aspecto me parece de fundamental importância. nesses casos de plágios de tradução, por exemplo, não sou a tradutora lesada, não sou sucessora guardiã dos direitos do tradutor lesado, não sou a editora lesada - pela legislação autoral atual, não posso fazer nada, a não ser protestar.

naturalmente, posso recorrer ao ministério público como leitora e consumidora, que é o que tenho feito.

e agora, com a ddi, vou poder recorrer a uma instância pública diretamente vinculada à seara autoral, criada para atender aos interesses não só de autores e empresas do setor cultural, mas também de todo e qualquer cidadão!

darei notícias.


imagem: matisse, google images

14/03/2010

leitura: sabático


ontem o jornal o estado de s. paulo deu início a seu novo caderno literário, o sabático. ótima iniciativa! e gostei também que o sabático trouxesse em seu primeiro número um artigo de sergio augusto, chamado "piratas da pena de pau", sobre plágio literário.

entre outras ótimas coisas, ele conta uma história divertida, e infelizmente também aplicável a alguns praticantes tupiniquins de plágios de tradução:


"nos anos 1980, um repórter da área de cultura de um jornal brasileiro de grande circulação apropriou-se da resenha de um livro sobre david bowie, editado pela rolling stone, e, flagrado o delito, amparou-se numa presuntiva jurisprudência pós-moderna: como nada é original, pois tudo deriva de criações anteriores, num processo de contaminação tautológica sem fim, o plágio não existe. alguém sugeriu que o jornalista fosse demitido do jornal, não pelo plágio em si mas por sua justificação, de um cinismo comparável ao 'chutzpah' (expressão iídiche, sinônimo de caradurismo), tal como a definiu jerry lewis: 'chutzpah é aquele sujeito que mata os pais e pede clemência ao juiz por ter ficado órfão'."

(agradeço a letícia pelo link)

imagem: oh no

13/03/2010

melhor dizendo


deu ontem no blog do galeno e no publishnews, dois dos principais veículos de comunicação entre o mundo do livro:
Sobre as denúncias de plágio
Acusada de tentar tirar do ar o blog Não Gosto de Plágio, da blogueira Denise Bottmann, a editora Landmark diz que não quer cercear a sua liberdade de expressão [...]
escrevi aos dois veículos de comunicação, pedindo a devida retificação:
em verdade, foi iniciativa da própria editora pedir a antecipação de tutela e remoção imediata dos blogs jane austen em português e não gosto de plágio, na ação movida contra raquel sallaberry e mim ... vale dizer que o requerimento da editora landmark foi indeferido pelo juiz em seu despacho, entre outras razões por se tratar de "discussão a respeito da liberdade de expressão e crítica na internet".
imagem: el mundo al reves

avaliação

em cerca de quinze dias, a propósito do processo landmark/cyrino x bottmann/sallaberry e do manifesto em apoio à luta contra o plágio:
  • quase 250 posts, artigos e matérias (ver aqui)
  • mais de 2.500 adesões ao manifesto (assine você também)
  • mais de um milhar de tweets, retweets e outros compartilhamentos 
  • dezenas e dezenas de blogs incluindo o nãogosto em seus links e blogrolls
  • centenas de e-mails pessoais de apoio e solidariedade
  • criação do blog apoiodenise, com listas e documentos relacionados
além da enorme solidariedade, essa repercussão parece apontar
para um fato simples e irrefutável:

que nós brasileiros estamos meio cansados
de espertezas e malandragens.

imagem: quino, mafalda, google images

12/03/2010

revisão da lda, consulta pública

Jotabê Medeiros

Em abril, o governo vai dispor para consulta pública o novo texto da Lei dos Direitos Autorais

ESGOTADOS: Também será permitida a cópia de livro ou disco com edições esgotadas (fora de catálogo e do mercado por no mínimo 5 anos)

''Direito do autor é precário no Brasil''
Jotabê Medeiros

Ministro Juca Ferreira: A legislação brasileira é muito ruim sob esse aspecto. Não reconhece a cópia privada, muitos escritores no Brasil têm sua obra esgotada e a editora não tem interesse em reeditar e a obra do autor cai no esquecimento.

imagem: dlivros

leopardo/hemus

a editora hemus, depois de mais de quatro décadas de existência (inicialmente com o nome de "livraria exposição do livro"), foi recentemente incorporada como selo editorial à editora leopardo.

o selo hemus conta com nove coleções, entre elas ficção & literatura e filosofia. os 26 títulos que compõem a coleção de ficção e literatura já eram publicados desde os anos 1970 pela antiga hemus. o mesmo se aplica aos 21 títulos constantes na coleção de filosofia apresentada no site.

fico um pouco ressabiada pois a antiga hemus andou praticando coisas que não são bonitas e até andou licenciando suas pseudotraduções para outras editoras, entre elas a ediouro e o círculo do livro.

aqui no nãogosto apresentei quatro edições complicadas da hemus, a saber: charles darwin, a origem das espécies; fustel de coulanges, a cidade antiga; émile zola, germinal, e émile zola, a besta humana. havia outras esquisitices em seu catálogo dos anos 70 e 80, mas, como a hemus tinha praticamente desaparecido de circulação, considerei que havia outras fraudes mais recentes e mais urgentes a combater.

no entanto, agora constato que pelo menos as obras de darwin e fustel permanecem no atual catálogo da leopardo, aliás com destaque na seção "hemus recomenda" do catálogo de 2010, disponível em pdf  (pp. 31-32). aí a coisa complica e obriga os leitores a redobrarem a atenção em relação às demais obras atualmente publicadas pelo selo hemus.


imagem: logo leopardo

10/03/2010

não me confundam


um pouco de leveza e voltando ao que realmente importa!

recomendo vivamente a leitura de singelo mundo, eu também não. há ali questões inteligentes e bem postas, com (quase sempre) elegância e humor.

ando um pouco cansada, mas retornarei com calma aos temas ali colocados. enquanto isso, peço que leiam a tag fnda e minha proposta para resgatar obras esquecidas no limbo editorial e no fundo do baú mofado das editoras em:
quanto ao velhíssimo e falso argumento do pretenso preço baixo das edições de obras plagiadas, basta ver quanto custam as edições apontadas da landmark, da madras, da ediouro, da jardim dos livros, da hemus e mesmo das edições pseudobaratas da rideel. quanto à fantasia de que as edições plagiadas da martin claret seriam baratas, ver:
recomendo também a carta de são paulo pelo acesso a bens culturais e o manifesto pelo domínio público.


imagem: calder, mobile, google images
 
visite também as matérias na mídia imprensa e digital
e as manifestações na blogosfera: arquivo

o darwin da ediouro

a extensa matéria do correio braziliense, num excepcional trabalho de levantamento e entrevistas feito por nahima maciel de souza, traz uma declaração da ediouro que não entendi muito bem.
A Ediouro também está citada [no blog nãogostodeplágio] com uma tradução suspeita de A origem das espécies, de Charles Darwin. Paulo Roberto Pires, editor da empresa, explica que a obra foi licenciada pela Hemus, outra editora citada frequentemente nos cotejos de Denise. "Agimos como todas as editoras: contratamos profissionais para traduzir cada um dos lançamentos. São profissionais de tradução, não editores. Comprar traduções já prontas pode ser um recurso, ao qual se lança mão em se tratando de textos clássicos em domínio público — é disso, principalmente, que trata a Denise. Quando contratamos traduções já prontas, obviamente pagamos aos tradutores", diz Pires.
desde dezembro de 2008 avisei várias vezes a ediouro sobre os vícios dessa pretensa tradução d'a origem das espécies. explicaram-me que o título fazia parte de um contrato de licenciamento celebrado com a editora hemus em 1985, e tem sido publicado pela ediouro em inúmeras reedições até o presente. está disponível no googlebooks, para visualização parcial, onde, aliás, consta copyright (e não licenciamento) da tradução desde 1987 em nome de ediouro publicações s/a.

o que não entendi muito bem é por que a ediouro, sabendo já há algum tempo que se trata de uma tradução fraudada, prefere mantê-la em catálogo.

itens relacionados:
diga-se de passagem que, em setembro de 2009, dei entrada a um pedido de representação no ministério público do rio de janeiro sobre a edição d'a origem das espécies pela ediouro, conforme noticiei no balanço de 2009. ele foi protocolado para distribuição em outubro. o promotor deferiu minha petição e em novembro foi enviada uma notificação à editora, a qual pediu um prazo de 120 dias para se manifestar, contado a partir de dezembro. a segunda promotoria do estado do rio de janeiro informa que o prazo finda agora em março, quando o caso retornará às vistas do promotor dele encarregado.