9 de dez de 2010

baltasar gracián, a arte da prudência

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o jesuíta baltasar gracián, grande nome do siglo d'oro, eminência do barroco espanhol, conheceu bizarra fortuna nas décadas finais do século XX, quando se transformou num dos líderes da autoajuda e da gestão de negócios. os trezentos aforismos que compõem seu oráculo manual y arte de prudencia (1647) acabaram conhecendo imenso sucesso no brasil, em várias traduções e inúmeras edições.

o texto original se encontra disponível na rede em vários sites, p.ex. aqui: http://fgae.net/portal/images/stories/pdf/GBOmp.pdf

em 1982, a ediouro lança um volume com o título oráculo manual e arte de prudência, em tradução de morus. aparentemente, "morus" seria um pseudônimo de "um guru para executivos em busca de 'qualidade total' ou de técnicas de 'R.H.'", segundo alcir pécora, e sua tradução não seria propriamente satisfatória.

não encontrei a imagem correspondente

em 1992, a editora best-seller (então pertencente ao grupo CLC, de richard civita, que abriga também a editora nova cultural) publica a obra com o título de a arte da sabedoria mundana: um oráculo de bolso, em tradução de ieda moriya.*



em 1996, a editora martins fontes lança a obra com o título a arte da prudência, em tradução de ivone c. benedetti, tida pelo mesmo crítico como a única tradução adequada do texto de gracián.



em 1998, a editora martin claret publica sua primeira edição d'a arte da prudência com tradução em nome do profícuo pietro nassetti, a grande glória do ofício tradutório nacional, sempre disposto a surpreender seus leitores. essa sua pretensa tradução teve inúmeras reedições pela martin claret: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009.


apresentarei num próximo post a análise dessa tradução em nome de pietro nassetti.

por ora, fica aqui meu agradecimento a @ericacsi.

* em 2003, a editora best-seller é adquirida pelo grupo editorial record. a partir de 2004, já no grupo record, a tradução de ieda moriya volta a ser editada, com título mais enxuto: a arte da sabedoria.

em data mais recente, foi publicada também a tradução de davina m. de araújo pela editora sextante, com o título a arte da prudência (2003; 2006).

imagens: wikimedia [original de 1647] e google images [capas das edições brasileiras]
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3 comentários:

  1. Eu tenho a edição da "viva livros", ela é boa, comparei com algumas outras e essa me pareceu adequada.

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  2. legal, obrigada (é a da record, em trad. de ieda moriya, não?)

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  3. Eu tenho quase todas as edições mencionadas nesse blog. De fato, a tradução da Ed. Martins Fontes é a que mais se aproxima do "espírito" da obra, mantendo a semântica e o jogo de palavras. Mas gosto também da tradução da Ed. Record, uso como fonte de estudo nas horas vagas. A versão da Ed. Martin Claret foi o meu primeiro livro e agora anda meio esquecido na estante. Já a edição da Ed. Sextante eu uso para apresentar o texto aos colegas de trabalho.

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