1 de out de 2010

perplexidades III

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retomo o caso de dostoiévski, no volume noites brancas e outras histórias, com tradução estranhamente atribuída a isa silveira leal, porque ele tem uma peculiaridade. ocorreu algo parecido na editora itatiaia, que publicou a tradução de MARIO QUINTANA de zadig de voltaire, atribuindo-a porém a GALEÃO COUTINHO.


ora, aí não se trata de mero plágio ou contrafação, de uma editora que toma uma obra X e atribui sua autoria a um fantasma qualquer, a algum amigo ou funcionário da casa. trata-se de algo ainda pior, em meu entender: toma-se uma obra de um intelectual conhecido, vivo ou morto, troca-se o título, elimina-se o nome do autor e pespega-se no lugar o nome de outro intelectual também famoso, este, se não necessariamente, pelo menos preferencialmente já morto.

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e assim, por obra e graça de contrafações e motivos empresariais pouco claros, o autor morto aparece como plagiador póstumo, ou o autor vivo parece um plagiador em vida.

pois é evidente que os livros têm uma vida útil bastante longa, e mais cedo ou mais tarde algum leitor, algum historiador da tradução literária brasileira, algum amante de dostoiévski, vai se dar conta de que as traduções são idênticas. e ficará a dúvida: quem plagiou quem? dificilmente lhe passará pela cabeça a rede de artimanhas editoriais utilizadas sabe-se lá para quais finalidades.

imagem: rede 
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