8 de out de 2010

oi denise

Oi Denise,
 Sou leitor do seu blog faz um tempo já. Não lembro como cheguei nele; acho que foi no ano passado. Minha reação inicial ao descobrir quão generalizada está a questão do plágio no Brasil foi de asco e revolta, especialmente ao conferir minha humilde biblioteca e verificar quantos volumes tinham problemas. Até parecia que você estava perseguindo minhas escolhas... Divina Comédia, Sócrates, Robinson Crusoe, até um Fausto que me dei de presente (na pretensa de "Alberto Maximiliano"). Enfim, em resumo, o estrago foi enorme, não só financeiro como intelectual, claro, 13 livros (a imagem deles segue em anexo)... Ainda bem que não li todos. Mas, para compensar, alguns li mais de uma vez... Ainda os mantenho aqui por medo de que, se rumarem para a reciclagem, alguém os recolha e queira ler (de modo que continuariam a causar seus estragos). Talvez o melhor seja mantê-los até o próximo São João e fazer uma fogueira...

Um outro motivo também me leva a lhe escrever: algum tempo atrás, visitando um sebo aqui em Brasília fiquei muito triste ao ver em promoção vários e vários e vários volumes da edição do Cyrano de Bergerac plagiada pela Nova Cultural conforme mostrado por você. Lembrei-me do caso imediatamente por causa dos belos textos de Ivo Barroso acerca do caso. A única explicação que me ocorreu para isso é que, vendo a sua denúncia, os vários donos das edições espúrias não quiseram ficar no prejuízo e trataram de vendê-las mesmo sabendo que eram plágio (ou exatamente por causa disso?). Na hora não consegui aceitar como seu trabalho, tão relevante para leitores, tradutores, pesquisadores, enfim, para o nosso patrimônio cultural e cultura, poderia ter isso como consequência... Não consigo aceitar que nesse país os ishpertos sempre ganhem... mesmo quando perdem.

Já voltei tempos depois no sebo [fazer o quê? se formos parar de comprar em locais que vendem plágio (e nós sabemos que eles sabem) não vamos mais comprar livros... e pesquisas na Estante Virtual mostrariam que não é apenas um] e não havia mais tantas edições, sinal de que elas continuam livres por aí propagando seu conteúdo podre... Quem dera tivessem ido para o lixo.. O que eu poderia ter feito? Não sei muito o que fazer além de evitar as edições e divulgar seu blogue.

Obrigado,

Jorge.

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obrigada, jorge. um, cem, mil fazem toda a diferença.
denise
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8 comentários:

  1. Anônimo9.10.10

    Acho que esse relato vai ser familiar a muitos leitores daqui, eu mesmo me identifiquei com trechos como:
    "Minha reação ...ao descobrir ...quão generalizada está a questão do plágio no Brasil foi de asco e revolta, especialmente ao conferir minha humilde biblioteca e verificar quantos volumes tinham problemas."
    ou
    "Não sei muito o que fazer além de evitar as edições e divulgar seu blogue."

    Abraços e parabéns por essa sua luta.

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  2. Gabriel Quaresma11.10.10

    Tive a sorte de descobrir este blog relativamente cedo. Ainda assim, minha estante tem diversos livros da Martin Claret (e mais alguns da Nova Cultural), adquiridos entre o fim do ensino médio e o início da faculdade.

    Não gostaria de queimar tais livros por questões ambientais, e não quero joga-los fora ou deixá-los em algum local onde possam ser lidos por algum incauto.

    Alguém tem alguma sugestão?

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  3. Gabriel e Denise, minha sugestão é que seja criada uma espécie de tarja preta para acompanhar tais livros: "Este livro é prejudicial à saúde mental", ou algo do gênero. Com a devida menção às obras originais, que foram copiadas. Quem sabe o MinC abraça esta ideia? Abs.

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  4. prezado anônimo: obg! ajudar a divulgar é uma grande contribuição para tentar acabar ou diminuir essa bandalheira.

    prezado gabriel: às vezes tb olho minha estante com esse monte de barbaridades, e fico pensando o que vou fazer com elas... por ora servem de documentação e prova.

    quaquá, prezado luis, ótima sugestão: seria muito instrutivo e verdadeiro! tb acho que o minc deveria tomar alguma providência mais concreta - ou quem sabe o ministério da saúde? ;-)

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  5. tweet de @ericacsi:

    Denise, se vc soubesse quantas pessoas este post representa...

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  6. Denise, graças a você descobri que várias traduções que li eram plágio. Vou passar a consultar seu blog sempre que for atrás de uma refência bibliográfica.

    Meus parabéns pelo trabalho que deve ser cansativo, mas também é muito útil paa muitos!

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  7. Eu nunca comprei um livro da Martin Claret. Antes de saber que era plágio, sabia que eles mentiam quanto a ser edição integral. É só olhar pro livro que você percebe que não pode ser.
    Mas tenho quatro plágios da abril e um da Rideel. Escrevi na folha de rosto de todos "ESSA TRADUÇÃO É UM PLÁGIO. A TRADUÇÃO ORIGINAL É DE *. PARA SABER MAIS CASOS DE PLÁGIO, CONSULTE O SITE NAOGOSTODEPLAGIO.BLOGSPOT.COM. DIVULGUE! PROTESTE CONTRA ESSA EDITORA! PRESTIGIE O TRABALHO DOS TRADUTORES ORIGINAIS!"
    Não conseguiria jamais queimar um livro, então acho que essa é uma solução interessante. Como o caso é sério e tradutores bons foram prejudicados, sou a favor até de escrever um aviso assim em livros da biblioteca.

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  8. prezada júlia, seria uma ótima ideia, pois, a ver pelo tipo de errata pífia que a nova cultural tem feito e pelo silêncio da rideel, nada será efetivamente feito em relação a esses milhões de exemplares...

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