17 de mai de 2010

os bons exemplos


eis o que a ediouro queria fazer com seus livros em consignação:
"A primeira mensagem explicava aos livreiros como fazer para separar o miolo do livro das partes a serem devolvidas, com orientações como 'com um estilete ou outro cortador afiado, alinhe uma superfície lisa e reta como uma régua, por exemplo, na lombada do livro' e 'passe o estilete desde a parte de cima da capa até o final da lombada, de forma que a capa se desprenda do corpo do livro'. Quanto ao destino do miolo, o e-mail especificava: 'Descarte o miolo do livro. Sugerimos que aproveite para reciclagem, de forma que sua utilização seja totalmente inviabilizada'.
[...] a lista incluía exemplares das obras completas de Murilo Mendes, Mario Quintana e Tolstói, entre outros, além de livros de Shakespeare, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues etc."

4 comentários:

  1. Há toda uma mitologia envolvendo a Pioneira, a Record, Scipione. A Unicamp teve a decência de vender volumes a serem descartados a 2 reais. Mas se ser jogado fora é o destino, não entendo por que não a doação simplesmente. Bolar um galpão de descarte de livro nas principais cidades do país, com logística apoiada nas próprias distribuidoras, com sustento (barato, muito barato) do MinC. Afinal, há isenção de impostos que ainda não se reverteram em preço, né não? Há que se ter alguma responsabilidade, cacete!

    Mas isso sou eu pensando. Não serve pra muita coisa, mas é um começo.

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  2. Jander17.5.10

    Minha gente, é simples: é a superprodução capitalista aplicada aos livros!
    E mais: 'onde se queimam livros, se queimam homens'. Por extensão: onde se cortam livros, se cortam homens; onde se consignam livros jogando-os fora, se consignam homens descartando-os.

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  3. O caderno "Actual" do jornal "Expresso" de Lisboa, publicou (em março, se não me engano) o "guilhotinamento" de livros como matéria de capa. O caderno Actual é o caderno cultural do jornal. A capa do caderno era toda vermelha, no tom de sangue.

    A LeYa, uma das principais editoras do país, foi o alvo das denúncias de execução da prática (mas haviam muito outros nomes lá também!). Coincidentemente, a logomarca da editora é em vermelho (ou "encarnado", como dizem por aqui).

    A matéria é gigante, muito bem escrita, tem excelente peso crítico e é detalhadamente informativa.
    Lembro de ter ficado chocada com aquilo, matéria e capa. Guardo até hoje, li três vezes para poder acreditar nesse absurdo.

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