20/12/2009

viva!


boas festas, feliz 2010 a todos!



o nãogostodeplágio retorna em 11 de janeiro.


ivo barroso - biobibliografia



Ivo Nascimento Barroso, nascido em Ervália, MG em 25/12/1929, e radicado no Rio de Janeiro. Formado em Direito e Letras, tradutor, poeta, ensaísta e crítico literário.

Obra de tradução:

André Breton, Nadja
André Gide, A volta do filho pródigo, precedido de cinco outros tratados
André Malraux, A condição humana (e prefácio)
Annalisa Cima, Hipóteses de amor (com Alexandre Eulálio)
Arthur Rimbaud, Correspondência (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Poesia completa (com notas e comentários)
Arthur Rimbaud, Prosa poética: Uma estadia no inferno, Iluminações, Um coração sob a sotaina, Os desertos do amor, Prosas evangélicas (com notas e comentários)
August Strindberg, Inferno (com notas)
Erik-Axel Karlfeldt, Poesias
Eugenio Montale, Diário Póstumo (com introdução e notas)
Georges Perec, A coleção particular
Georges Perec, A vida – modo de usar
Hermann Hesse, Demian (e prefácio)
Hermann Hesse, O lobo da estepe (e prefácio)
Italo Calvino, As cosmicômicas
Italo Calvino, O castelo dos destinos cruzados
Italo Calvino, Palomar
Italo Calvino, Seis propostas para o próximo milênio
Italo Calvino, Todas as cosmicômicas
Italo Svevo, A consciência de Zeno
Italo Svevo, A novela do bom velho e da bela mocinha (com introdução e notas biográficas)
Italo Svevo, Senilidade
Jane Austen, Emma
Jane Austen, Razão e Sentimento
Marguerite Yourcenar, Denário do sonho
Marguerite Yourcenar, Golpe de Misericórdia
Marguerite Yourcenar, O tempo, esse grande escultor
Nikos Kazantzakis, Ascese
Oscar Wilde, Salomé (com introdução e notas)
Peter Newell, O livro do foguete
Romain Rolland, Colas Breugnon
Shel Silverstein, Uma girafa e tanto
T. S. Eliot, O livro dos gatos
T.S. Eliot, Os gatos
T. S. Eliot, Teatro completo 
Umberto Eco, O pêndulo de Foucault
William Blake, O casamento do céu e do inferno (com introdução e notas)
William Shakespeare, 30 sonetos (e prefácio)
William Shakespeare, 42 sonetos (e prefácio)

Organização:
Agenor Soares de Moura, À margem das traduções
Charles Baudelaire, Poesia e prosa
Edgar Allan Poe, O Corvo e suas traduções
Vários autores, O torso e o gato (antologia de poemas traduzidos)

Obra própria:
A caça virtual e outros poemas
Caixinha de música
Nau dos náufragos
Poesia ensinada aos jovens
Visitações de Alcipe

Entrevistas:
Entrevista de Ivo Barroso a Rodrigo de Souza Leão
Ivo Barroso, um tradutor de obras completas
Ivo Barroso
A mais completa tradução
Dobras do corpo, dobras do tempo: Jornal Poesia Viva, n. 12

foto: via cosac

19/12/2009

presente


que legal, a cosac botou o suplício do papai noel do lévi-strauss disponível para download gratuito* até dia 04/01. tradução desta que vos escreve.

* é o n. 4 no cabeçalho móvel do site da cosac.

tradutores no youtube


o portal sesc sp está colocando no youtube as nove tertúlias tradutórias organizadas por tiago novaes, que se realizaram de setembro até domingo passado, no sesc pompeia. além do youtube, seguem os links da tvaovivo cobrindo as apresentações:

mamede jarouche sobre as mil e uma noites
- leonardo fróes sobre virginia woolf
- modesto carone sobre kafka
sergio molina sobre cervantes
josé rubens siqueira sobre coetzee
- eric nepomuceno sobre garcia márquez
paulo bezerra sobre dostoiévski
- ivan junqueira sobre baudelaire
- boris schnaiderman sobre tolstói (sem link na tvaovivo, mas já disponível no youtube)

muito legal!

18/12/2009

declaração

reproduzo declaração postada em não gosto de plágio:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos confirmar todas as afirmações anteriores e dizer que estamos certas de que nos procedimentos que ajuizaremos para o caso, a responsabilidade será esclarecida.
Ana Maria Dolce Braga de Oliveira"

o nãogostodeplágio atendeu às solicitações feitas por ambas as partes e, no que se refere ao caso específico em pauta, crê estar encerrado o papel que lhe compete de assegurar livre direito de resposta das pessoas, empresas e instituições mencionadas. a partir de agora, reserva-se o direito de silenciar sobre assuntos em andamento na esfera judicial, e que julga de seu dever deixar reservados à instância competente.

lembra?



o jornalista e tradutor wladir dupont estreia lembra?, blog de memória, ficção e cultura.
muito legal, texto bonito, temas simpáticos. sucesso e vida longa!

o nãogosto agradece a menção, embora meio exagerada.

notícia

teotônio simões, que mantém o site ebooksbrasil, deixou comentário em não gosto de plágio, que reproduzo aqui:

"Absurdo! Absurdo Total!

A ABDR solicitou a retirada de A Cidade Antiga (1864) , de Fustel de Coulanges (1830-1889), tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Moraes, da estante virtual do eBooksBrasil.org no Scribd. Absurdo! A obra é de dominio público e a tradução publicada foi autorizada pelo tradutor. Absurdo! Entrei em contato com a ABDR e fui informado que estaria ferindo direitos autorais da Martin Claret! Absurdo! O Frederico nunca autorizou sua tradução para a Martin Claret!... e na Martin Claret me informaram que não estariam mais (sic) usando a tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Barros. - A tradução, AUTORIZADA pelo tradutor, continua disponível no eBooksBrasil.org.
Teotonio Simões - eBooksBrasil"

livro de qualidade


deu no blog do galeno, brasil que lê: "leitor quer livro de qualidade". é isso aí.

o nãogostodeplágio agradece a menção.


imagem: lendo

balanço de 2009

nessa luta contra os plágios de tradução, o ano de 2009 trouxe mais alguns resultados:
- ressarcimento moral e editorial a hernâni donato, com o lançamento de nova edição da divina comédia pela editora nova cultural.
- determinação do ministério público federal à agência brasileira do isbn/fbn, para remoção de fichas cadastrais da editora martin claret, com créditos de tradução a "pietro nassetti" e outros em obras portuguesas e brasileiras.
- instaurado inquérito civil, pela promotoria de defesa do consumidor, contra fraudes da editora martin claret, a partir de iniciativa de joana canêdo junto ao ministério público.
- instaurado inquérito criminal, pela procuradoria do estado, contra fraudes da editora martin claret, a partir de iniciativa de joana canêdo junto ao ministério público.
- determinada pelo ministério público estadual instauração de inquérito criminal contra fraudes da editora martin claret.
- instaurado inquérito criminal pelo ministério público estadual contra fraudes do selo jardim dos livros, pertencente ao grupo geração.
- instaurado inquérito criminal pelo ministério público estadual contra fraudes da editora landmark.
- instaurada diligência do ministério público estadual junto à universidade de são paulo pela facilitação de venda de produtos falsificados durante feiras do livro sob a égide e no recinto da referida instituição de ensino.
- solicitada interpelação do ministério público estadual junto à associação nacional de livrarias e a grandes livrarias brasileiras para cessação de venda das obras plagiadas sob inquérito.
- instaurada diligência interna do ministério público federal para avaliação de danos ao patrimônio imaterial causados pela editora martin claret em plágios de traduções feitas por monteiro lobato.
- encaminhado pedido de representação ao ministério público estadual do rio de janeiro contra publicação e venda de obra espúria pela ediouro.
- encaminhada ao ministério da cultura proposta de licenciamento social de obras de tradução órfãs, abandonadas e esgotadas.
- multiplicação de apoio e divulgação do combate a plágios de tradução em canais da mídia impressa e digital.
- informe privado de carolina caires coelho sobre uso indevido de seu nome e sua solicitação à editora responsável para adoção de medidas corretivas.
- comunicado privado da editora rideel, por meio de seu diretor comercial, sobre retirada de catálogo e circulação de obras comprovadamente espúrias e outras que a empresa considerou passíveis de suspeita.
- informe público de caroline ramos furukawa, por meio de sua advogada, sobre uso indevido de seu nome e medidas legais em relação à editora responsável.
- comunicado público da editora madras, por meio de seu diretor jurídico, sobre retirada de catálogo e de circulação de obras comprovadamente espúrias e tomada de providências para apuração de responsabilidades.
- maior frequência e regularidade de atribuição dos devidos créditos de tradução de obras anunciadas e recenseadas na imprensa.
- maior atenção concedida ao problema dos plágios em palestras e mesas redondas referentes a temas de tradução.
- declaração de membros da comissão de seleção de livros para o programa mais cultura de estar cientes e atentos ao problema dos plágios de tradução e das editoras que lançam mão de tal procedimento.
- autorização dos titulares dos direitos de reprodução do discurso do método na tradução de jacó guinsburg e bento prado jr. para digitalização e disponibilização online da obra.
- retirada do plágio da referida obra, em nome de "enrico corvisieri", publicado pela ed. nova cultural, do site do domínio público do mec e do portal ideia da ufrgs.
- retirada da biblioteca virtual da ufrgs (portal ideia) de todas as referências e arquivos relativos a plágios comprovados de tradução.



imagens: basta, luto

17/12/2009

comentário

uma visita deixou um comentário interessante no blog. envolve questões delicadas e, como não posso assumir a responsabilidade de divulgá-lo por falta de dados suficientes, tive por bem não o publicar. por outro lado, não vejo por que a notícia haveria de ser um factoide e, de qualquer forma, pode-se tomá-la como uma espécie de parábola, com boa matéria para reflexão. reproduzo aqui o principal de seu conteúdo.
Comprei o livro A da editora B, para fazer meu trabalho de conclusão do curso e, para minha surpresa, havia vários erros de concordância, de tradução e de digitação. Enviei um e-mail para o sr. X, alertando-o do problema, mas não obtive resposta. Fiquei realmente indignada, pois comprei o livro e gostaria de ter podido usá-lo para o embasamento do meu trabalho... Resumindo: fui ao tribunal de pequenas causas e, na audiência conciliatória, a editora não quis nenhum acordo. Vamos, então, para a próxima etapa: audiência de instrução e julgamento.
não conheço a edição específica que a comentarista mencionou e não me cabe julgar do mérito ou demérito da questão. mas achei fenomenal a iniciativa da moça. se cada leitor que comprasse um livro com vários erros de revisão, digitação e tradução resolvesse reclamar, fosse devolver na livraria ou, como no relato acima, fosse ao tribunal de pequenas causas, creio que em seis meses ou, no máximo, um ano todos poderíamos contar com uma qualidade editorial imbatível no país.
 
a meu ver, por todos os lados que se olhe a questão, a moça estaria coberta de razão: moralmente, civicamente, culturalmente, economicamente, juridicamente. belo exemplo - e, se non è vero, è ben trovato.

em tempo: o material divulgado neste blog é público e pode ser livremente utilizado segundo a licença creative commons.
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16/12/2009

regulamentos, resposta

em relação ao episódio da inscrição e seleção de obra póstuma ao arrepio do regulamento da fbn, recebi hoje a seguinte mensagem:
"Prezada Denise:
envio abaixo resposta a seu texto, encaminhada pela Coordenação Geral do Livro e Leitura da FBN.

Acatamos a sugestão da senhora Denise Bottmann. Entretanto em nossa defesa podemos dizer que nesta primeira versão na qual o segundo e terceiro lugares são divulgados, as obras são apenas citadas, não havendo nenhum tipo de remuneração ou troféu para os classificados. Entendemos que os jurados quiseram destacar uma obra de grande valor que só recentemente foi publicada.

Cordialmente,
Jean Souza
Fundação Biblioteca Nacional - Assessoria de Imprensa"

confio em nossas instituições. se tanto chio e reclamo, é porque acredito nelas e acredito que como cidadãos podemos e devemos contribuir em alguma pequena medida para o aprimoramento delas. a receptividade às críticas, demonstrada pela mensagem acima, leva-me a crer que não é uma confiança infundada.

15/12/2009

comunicado

transcrevo abaixo o comunicado do diretor jurídico da editora madras, publicado em comentário a solicitação:

MADRAS EDITORA LTDA, vem pleitear seu direito de ampla defesa, pois vem sendo acusada de fatos inverídicos. Ao longo de sua história empresarial, a Madras Editora nunca sofreu qualquer acusação de violação a direitos autorais, ou mesmo, em questões atinentes a tradução.

No caso, em tela, as três obras já citadas, foram editadas, em quanto a Sra. Caroline Furukawa era EDITORA ASSISTENTE. Neste caro, era Caroline Furukuwa a responsável pela aquisição de obras estrangeiras, bem como, por todo processo de tradução. Inclusive, ela mesmo assinou algumas obras, pois se auto intitulava a tradutora das obras, como ocorre nestes casos. MADRAS EDITORA LTDA, de fato, recebeu uma notificação das advogadas de Caroline, o que foi contra-notificado, prontamente.

A MADRAS EDITORA LTDA, editou as três obras Origem das Espécies, Seleções de Flavius Josephus e Cabana do Pai Tomás, porem, desconhece qualquer plágio. Caroline Furukawa pleitou a tradução, tanto é,m que lhe foi dado os devidos créditos no copyright das obras. A época, caroline Furukawa exigiu que seu nome saisse como tradutora, pois alegava ser sua as respectivas traduções. A MADRAS EDITORA não tem qualquer responsabilidade sob estas traduções. Tanto é, que Caroline Furukawa não reclamou anteriormente ao BLOG, só questiona a autoria da tradução depois da denúncia, até então, estas obras constavam em seu curriculum profissional.

Importante frisar que, esta sob a responsabilidade da Sra. Caroline Furukawa, toda as questões atinentes a tradução, como Editora Assistente.

A MADRAS EDITORA LTDA já está tomando uma série de providências, para averiguar a denúncia de plágio, seja no sentido reter a circulação das obras em questão, seja num sindincância administrativa para apurar responsabilidades.

Destarte, a MADRAS EDITORA LTDA já tomou as seguintes providências:

a)Excluiu-se a divulgação em nosso site oficial, as referidas obras;

b)Esta promovendo a solicitação e retirada das obras de todo mercado livreiro, ressaltando que as obras, se encontram em circulação por todo país, o que pode vir demandar certo lapso temporal. Tão logo, sejam recolhidos os exemplares das três obras, em sua totalidade, serão lacrados, até que seja esclarecido este impasse. Convidou, na respota da notificação, as procuradoras e advogadas de Caroline para participar deste procedimento, inclusive, no ato em que serão lacradas as caixas, com os livros.

c) O departamento editorial já determinou a realização de apuração de quantos exemplares existem em estoque e consignados.

Assim, fica evidente que, a Madras Editora vem cumprir sua responsabilidade empresarial e social, afim de apurar. Desde já, requer que não seja mais veiculados o nome desta empresa e de seu diretor, nos assuntos referentes a estes casos, pois estam sub judice.

DOUGLAS GARCIA NETO
DIRETOR JURÍDICO
MADRAS EDITORA LTDA

mutatis mutandis

A Casmil é acusada de adicionar peróxido de hidrogênio (água oxigenada) ao leite, substância que disfarça más condições sanitárias de conservação e transporte, enganando os compradores.
O peróxido de hidrogênio pode causar a redução do seu valor nutricional. Quem a ingere pode ter dores de estômago e até morrer, dependendo da concentração.
As cooperativas, segundo a procuradoria, usavam até soda cáustica.
 


Na verdade, o que se precisa mesmo é derrubar a cultura da fraude. (Celso Velloso)

14/12/2009

regulamentos

só tenho elogios a fazer sobre os prêmios literários que a fundação biblioteca nacional atribui anualmente a várias categorias, entre elas a de tradução, com o prestigioso prêmio paulo rónai.

neste ano, o regulamento para a inscrição dos interessados lançou uma novidade: o concurso estava aberto apenas a pessoas físicas, e a inscrição só poderia ser feita diretamente pelo autor, tradutor ou designer, sem intermediação da editora que a houvesse publicado.
"2. Da inscrição: [...]
2.3. As obras deverão ser inscritas exclusivamente pelo autor, tradutor ou autor de projeto gráfico, de acordo com cada categoria. [...]
2.16 A inscrição no presente Concurso implica a aceitação, pelo candidato, das normas deste Edital."

havia a ressalva explícita:
"6. Das Disposições Gerais
6.1. A falta do cumprimento de qualquer exigência deste regulamento acarretará a automática eliminação da obra concorrente."

aparentemente as regras são claras. no entanto, não só foi aceita a inscrição, como foi selecionada entre os três finalistas uma obra de tradução cujo autor faleceu mais de vinte anos atrás. trata-se de o percevejo, de maiakóvski, traduzido por luís antonio martinez corrêa (1950-1987) e publicado pela editora 34.

não conheço a obra em questão, mas tenho a mais absoluta confiança de que é ótima, com cotejo e posfácio do grande mestre boris schnaiderman, e publicada por uma editora de alto nível como é a 34. tenho plena convicção de que mereceria um prêmio especial de homenagem póstuma em reconhecimento a este trabalho.

o que não entendo é por que, aparentemente, sua inscrição foi feita e aceita ao arrepio do regulamento à primeira vista tão claro e inequívoco.

tampouco entendo por que a comissão organizadora do concurso, perante um caso assim, não poderia criar ad hoc uma solução mais adequada, sem ferir a letra do regulamento do concurso. aparentemente, apenas a comissão julgadora, já a jusante do processo, é que teria consignado em seu parecer que se tratava de uma homenagem póstuma.

em meu humilde entender, a fbn perdeu uma excelente ocasião de prosseguir em seu trabalho de valorização do labor intelectual envolvido no ofício tradutório. que se multipliquem os prêmios! que se homenageem os póstumos! que se reconheça o valor de todos que merecem reconhecimento! mas que não se enquadre num certame, à força ou com rodeios, algo que é vetado por seu regulamento. vamos fazer as palavras valerem, e que a letra morta possa ser letra viva.

se a fbn não quiser reparar esta questão agora, por exemplo atribuindo extemporaneamente um prêmio especial a luís antonio martinez corrêa, parece-me indispensável que pelo menos se comprometa a aprimorar seus futuros regulamentos - contemplando, por exemplo, a especificação "ou seus sucessores legais" - e se empenhe em manter inabalada a credibilidade deste certame tão importante para a vida cultural do país.

solicitação

dra. ana maria dolce braga enviou uma solicitação em comentário a não gosto de plágio, que reproduzo abaixo:

"Na qualidade de advogada de Caroline Kazue Ramos Furukawa, vimos silicitar o seguinte:

Na indicação das obras: A origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus acusadas de plágio,que seja retirado o nome de Caroline Kazue Ramos Furukawa, como sendo a tradutora, para evitar prejuízos que a ela estão sendo causados, em face da divulgação do referido fato nesse blog."

em 10/12, no post informe, este blog divulgou um comunicado de dra. ana maria dolce braga, esclarecendo que a atribuição dos créditos de tradução de tais obras à sua cliente é indevida e que estaria tomando providências judiciais junto ao responsável pelo uso indevido de seu nome. o nãogostodeplágio se prontifica a colaborar da melhor maneira que estiver a seu alcance para o respeito na forma da lei aos direitos morais dos praticantes do ofício de tradução, aos direitos dos leitores e cidadãos às informações corretas sobre as obras de tradução, e aos interesses difusos da sociedade no acesso e preservação dos bens intelectuais, sem qualquer intenção de causar prejuízos imotivados a quem quer que seja. dentro deste espírito e em atendimento à solicitação da sra. caroline ramos furukawa por meio de sua representante legal, as menções a seu nome serão excluídas e substituídas por links direcionando para seus esclarecimentos públicos.

cabe ressalvar que em momento algum este blog acusa ou acusou a pessoa de caroline kazue ramos furukawa de qualquer conduta ilícita ou de plágio. aqui encontra-se publicada a apresentação de materiais apontando a existência de obras espúrias publicadas pela editora madras, as quais trazem a menção a seu nome como autora das traduções, conforme os dados editoriais constantes nos volumes impressos à disposição dos leitores, nos catálogos e acervos da fundação biblioteca nacional e, no caso de a origem das espécies e a seleção natural, na própria ficha catalográfica da cbl. estes são fatos objetivos que demandam urgente correção. o nãogostodeplágio torce vivamente para que a editora responsável retire de circulação os exemplares das obras falsificadas, divulgue uma errata pública para esclarecimento dos leitores e da sociedade em geral e proceda ao ressarcimento dos lesados por tais práticas.

passa passa três vezes

conversei com o sr. paulo matos peixoto, da antiga matos peixoto, da extinta paumape e da germape. muito atencioso, informou-me gentilmente que vendeu a germape em 2005 para a empresa gráfica prol. afirmou conhecer a empresa cedic, a qual, esclareceu ele, opera pelo sistema creditista (isto é, venda domiciliar). declarou jamais ter cedido ou negociado com a cedic os direitos autorais para a publicação de sua obra atentado a napoleão e tampouco os direitos sobre suas notas e introduções a várias obras de tradução. ressaltou ainda que não transferiu para a prol e muito menos para a cedic nenhum dos direitos sobre as traduções adquiridas por suas antigas editoras, e declarou ignorar se há alguma relação entre a prol e a cedic.

quanto a vieira neto, responsável por várias traduções de jules verne publicadas pela matos peixoto, reeditadas pela hemus, pela germape e agora pela cedic e pela leopardo, tratar-se-ia de um antigo amigo seu, já falecido. quanto a gilson césar de souza, tratar-se-ia de um conhecido tradutor do grego e outras línguas, ainda em atividade. finalmente, quanto a dois outros tradutores que assinam traduções no catálogo da germape, a saber, henry dualib e hillary dias, não foi possível obter nenhuma informação.

imagem: passa-passa

13/12/2009

ivo barroso - itinerários VII



UM CASAMENTO ENCRUADO

Para encerrar definitivamente a história dos cadernos, tiro do fundo da gaveta um esmaecido 16x11 “De Luxe” Nº 15 – Pautado, adquirido na antiga Casa Cruz do Rio de Janeiro em 1948, cuja primeira página me faz sorrir ante a pretensiosa inscrição: Cahier de Voyage. Explico: meu pai achava que meu curso de Neo-latinas (na então chamada Faculdade de Filosofia) era incompatível com as esperanças que a cidade nutria em relação à sua descendência; donde ele, farmacêutico, querer um filho médico, advogado ou militar. Os militares estavam em alta (inclusive em termos salariais) e, para atender aos desígnios paternos, me inscrevi naquele ano nos vestibulares das Escolas Militar, Naval e da Aeronáutica. Uma oportuna (?) miopia salvou-me dos quartéis, dos conveses ou das asas fabianas – reprovando-me no exame médico das três. Até o novo ano letivo, lá estavam as sonhadas, as benditas férias no interior de Minas, onde meu pai continuava a manter sua farmácia apostolar, vocacional, beneficente. Parti, levando o caderninho.

Nele encontro, com data de Rio, 8 [1949]: "Em grandes preparativos para embarcar. Vence o prazo do livro de Blake e tenho de copiar aqui seus provérbios para terminar sua tradução em Minas”. Seguem-se, numa letrinha caprichosa, que fui perdendo ao longo do tempo, os 70 “Provérbios do Inferno”, parte capital de The Marriage of Heaven and Hell, de William Blake. Como cheguei a esse livro? Por essa época, havia descoberto Gide (Trozos escogidos, em espanhol) e comecei a ler tudo dele numa edição de luxo, feita na Suíça, e existente na Biblioteca Nacional. Lá pelas tantas, Gide fala em Blake como sendo a quarta estrela de uma constelação composta por Nietzsche, Dostoiévski e Browning, e cuja leitura o levou a traduzir Le Marriage du Ciel et de l´Enfer, em 1922. Fui atrás do original, que encontrei na Biblioteca do IPASE (excelente à época, tinha todos os livros da Modern Library) e levei de empréstimo para casa, reformando o pedido várias vezes, pois meti-me na cabeça que o devia traduzir. Comecei a tentar com um ou outro dos provérbios, sem avançar muito, mas, como ia de férias, o recurso foi copiá-los para acabar a tradução em Minas.


Eis minha primeira tentativa de traduzir um livro completo; já havia conseguido traduzir sonetos e até pequenos poemas, do espanhol e do francês, mas nunca um livro inteiro, tarefa que me parecia impossível. E foi, no caso de Blake, pois ficou apenas no caderno de viagem. De volta das férias, voltei também a Gide, encantei-me com o Retour de l´Enfant Prodigue, e igualmente cismei de traduzi-lo. Logo no início, a expressão “comme un donnateur au coin du tableau” me botou nocaute durante muito tempo, até que recorri a Otto Maria Carpeaux (li numa entrevista que ele respondia a todas as cartas, escrevi-lhe), que me esclareceu sobre os mecenas medievais que, por devoção, pediam aos pintores que os colocassem ajoelhados a um ângulo do quadro. Também este foi um projeto arrastado, produtor de rascunhos hieroglíficos, abandonado e retomado várias vezes, que só se realizou em 1984, ao ser editado pela Nova Fronteira.

O Casamento ficou por muito tempo no namoro. Em fases sucessivas, fui tocando os provérbios até traduzi-los todos. Mas não conseguia vencer a barreira das “visões memoráveis” e o projeto adormeceu na comodidade dos rascunhos. Em 1956, apareceu a tradução de Oswaldino Marques, e achei que Blake tinha caído no “domínio do público” e não valia mais a pena ser tratado como “a quarta estrela” gideana. Ao longo do tempo foram aparecendo As Núpcias, O Matrimônio, o Enlace, a Aliança, a União e até – em Portugal, é claro – A Conjunção (do Céu e do Inferno), o que me dava a impressão de que a prosa direta e visionária de Blake estava passando por processos de retocagem gongórica, sofrendo um empolamento bombástico capaz de fazê-la perder seu impacto subversivo e contestador. Good-bye, Blake!

No ano passado, recebi um convite da Editora Hedra (leia-se Bruno Costa), de S. Paulo, para traduzir o Jerusalém, de William Blake. Desculpei-me, dizendo que, com o 3º volume da Obra Completa de Rimbaud (Correspondência), eu dava por encerrada minha “carreira” de tradutor e ia tratar de fazer um segundo livrinho de versos meus (o primeiro, A Caça Virtual e outros poemas, havia aparecido em 2001). Como alternativa, aceitei fazer o prefácio para Sagas, uma coleção de contos de Strindberg, autor da minha mais franca predileção. Mas o convívio com a Editora, que esperava ainda lançar uma tradução minha, fez com que, de pura brincadeira, eu lhes propusesse casamento. Sim, seria, desta vez, o Casamento sem rebuços, sem berloques, sem firulas. Blake restituído à sua prosa agressiva, contestatória, modernamente poética. Teríamos o fechar de um ciclo: o primeiro livro que sonhei traduzir seria o último a ser traduzido por mim. E assim foi. # FIM #

IVO BARROSO

12/12/2009

programa para domingo

traduzindo tolstói, palestra de boris schnaiderman no sesc pompeia, domingo agora, às 6 da tarde, com transmissão ao vivo e tudo.

veja a matéria na cult online.



imagem: prokudin-gorski, tolstói, via cult online.

leitura



o grande lançamento dos últimos tempos, sem dúvida nenhuma, é a correspondência completa de rimbaud: "Tradução, notas e comentários são do poeta Ivo Barroso, um rimbaudiano devotado que conclui assim o trabalho de verter para o português as obras completas de Rimbaud, formadas ainda pelos volumes Poesia completa e Prosa poética lançados também pela Topbooks. Encerrado o trabalho, iniciado em 1972 com a tradução de Uma estadia no inferno, Barroso vai doar sua biblioteca de e sobre o poeta para o Centro Cultural Banco do Brasil.", in o globo, cultura.

11/12/2009

cebelices

o jornalista e editor a. p. quartim de moraes publicou no estadão mais uma na ferradura, matéria inteligente e lúcida sobre problemas de fundo das entidades do mundo do livro, apontando entre outras coisas o perfil pouco representativo da cbl.

flanela paulistana, um dos blogs de jornalismo independente mais alertas e de mira mais certeira que conheço, desdobrou em câmara da mãe joana alguns importantes aspectos da matéria de quartim de moraes.

descontando o título

deu na publishnews de hoje:

Tradução de elite
Valor Econômico - 11/12/2009 - Por Cadão Volpato (link para assinantes)

"Traduzir é frequentar esferas desconhecidas, entregar o cérebro ao inesperado", diz Heloisa Jahn, tradutora dos poemas de Jorge Luis Borges e também editora da Companhia das Letras, o que lhe dá uma dupla compreensão desta profissão árdua, nem sempre bem remunerada e quase invisível que é a tradução literária.  Ao menos a melhor tradução literária do país, composta por uma espécie de apaixonado pelotão de elite, que vai dos tradutores do russo aos que vertem o espanhol e o inglês, sempre com enorme sensibilidade. As dificuldades são enormes, a autocrítica é pesada: "Tradutores gostam de enxergar defeitos e apontar as imperfeições no próprio trabalho", afirma o também editor e tradutor da Cosac Naify Paulo Werneck. Como se não bastasse, as melhores traduções costumam ser aquelas em que não notamos a mão do tradutor. "Boa tradução é aquela que você não percebe que é tradução. Ou fica parecido a filme dublado. Não: o que busco é que o leitor sinta que o livro foi escrito no português do Brasil", defende o escritor Eric Nepomuceno, às voltas com uma verdadeira pedreira tradutória, o romance O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar.

paulo rónai 2009

que maravilha, saíram os nomes dos ganhadores do prêmio paulo rónai de tradução, da fbn.



o primeiro lugar ficou com erick ramalho, com poemata, os poemas em latim e grego de john milton, pela tessitura.


paulo werneck ganhou o segundo lugar com zazie no metrô, de raymond queneau, pela cosac.





o terceiro prêmio foi para luiz antônio martinez corrêa, com o percevejo, de maiakóvski, pela 34.






veja aqui a relação completa dos prêmios da fbn.

10/12/2009

bastidores

a propósito de um comentário que um leitor deixou em (anti)referências bibliográficas:

"[...] será que não seria bom você ouvir tradutor e editora antes de publicar os posts? Há mais coisas entre tradutor e bastidores de editoras do que você imagina..."

gostaria de esclarecer uma vez mais a linha que norteia o nãogostodeplágio:

informe

reproduzo neste post o comentário feito à postagem não gosto de plágio:

"Ana Maria Dolce Braga de Oliveira, advogada:

A propósito das supostas acusações de plágio das traduções das obras: A Origem das Especies e a Seleção Natural de Darwin; A Cabana do Pai Tomás de Harriet Beecher Stowe e Seleções de Flavius Josephus, de Flávio Josephus, apontadas por este blog, a signatária, representante dos interesses de Caroline Kazue Ramos Furakawa, esclarece que não realizou quaisquer trabalhos de tradução das referidas obras e que está tomando as providencias judiciais contra a Editora Madras pelo uso indevido de seu nome."

a premiação da apca


a associação paulista de críticos de arte escolheu como melhor tradução de 2009 o trabalho de augusto de campos, traduzindo august stramm, poemas-estalactites, pela editora perspectiva.

a lista completa da premiação está aqui.

09/12/2009

marco civil

atenção, termina esta semana a primeira fase de consulta pública sobre o marco civil da internet.

leia, acompanhe, dê sua opinião: http://culturadigital.br/marcocivil/consulta/


(anti)referências bibliográficas

as obras estão classificadas por editoras, e entre parênteses constam os nomes a que vêm atribuídas as pretensas traduções.

BEST SELLER (selo do Grupo Record)
jane austen, orgulho e preconceito (enrico corvisieri)

BIBLIEX
george orwell, 1984 (luiz carlos carneiro de paula)

CEDIC
dante alighieri, a divina comédia (anônimo)
edgar allan poe, contos e histórias (anônimo)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

CENTAURO
leontiev, o desenvolvimento do psiquismo (rubens eduardo ferreira frias/ hellen roballo)
marx, a questão judaica (silvio donizete chagas)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de farias/ peter klaus ivanov)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)
suchodolski, a pedagogia e as grandes correntes filosóficas (rubens eduardo ferreira frias)

COLEÇÃO FOLHA "LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO"
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
karl marx, o capital (ed. condensada) (além de problemas na atribuição de tradução, há falsa atribuição de autoria do próprio original - o autor é gabriel deville, e a obra se chama o capital de karl marx)
rené descartes, discurso sobre o método e princípios da filosofia (volume duplo - desrecomendada por problemas de atribuição de tradução especificamente a segunda obra, princípios de filosofia)

EDIBOLSO (extinta)
edgar allan poe, histórias extraordinárias (sandro pivatto; luiza lobo)

EDIOURO
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (eduardo nunes fonseca e jonas camargo leite)

ESCALA
nietzsche, assim falava zaratustra (ciro mioranza)

GERMAPE (extinta)
edgar allan poe, contos e histórias (henry dualib - cf. fbn/isbn)
herman melville, moby dick (leonor de medeiros)

GERMINAL
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
goncharov, oblomov (juliana borges)
hermann brock [sic], os sonâmbulos (wilson hilário borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)

HEMUS (atualmente, selo da Editora Leopardo)
ch. darwin, a origem das espécies (eduardo nunes fonseca)
émile zola, a besta humana (eduardo nunes fonseca)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jonas camargo leite e eduardo nunes fonseca)
nietzsche, assim falava zaratustra (eduardo nunes fonseca)

ÍCONE
hegel, princípios da filosofia do direito (norberto de paula lima)

ITATIAIA
charlotte brontë, jane eyre (waldemar rodrigues de oliveira)
voltaire, zadig (galeão coutinho, em espantosa difamação de um intelectual sério e respeitável)

JARDIM DOS LIVROS (atualmente, selo do Grupo Geração)
john d. crossan, o essencial de jesus (pedro h. berwick)
roderick anscombe, a vida secreta de laszlo, conde drácula (pedro h. berwick)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)
thomas cleary, o essencial do alcorão (pedro h. berwick)

LANDMARK
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (ver retificação)
jane austen, persuasão (fábio cyrino)

MADRAS
charles darwin, a origem das espécies *
flavius josephus, seleções *
harriet b. stowe, a cabana do pai tomás *
marco aurélio, meditações *
nietzsche, a origem da tragédia**

* atualizado em 10/12/2009: ver informe ; atualizado em 14/12/2009: ver solicitação ; atualizado em 15/12/2009: ver comunicado
** atualizado em 21/08/2010: ver comunicado

MARTIN CLARET - bizarrices tradutórias (fbn/isbn)
bocage, sonetos (pietro massetti)
eça de queiroz, o primo basílio (pietro nassetti)
gil vicente, a farsa de inês pereira (pietro nassetti)
gil vicente, o velho da horta (juan gonçalves)
gladstone chaves, a língua e o estilo de rui barbosa (jean melville)
jaime cortesão [sic], a carta de pero vaz de caminha (pietro nassetti)
josé de alencar, a encarnação (pietro nassetti)
machado de assis, contos fluminenses (marcellin talbot)
machado de assis, papéis avulsos (marcellin talbot)
machado de assis, quincas borba (pietro nassetti)
machado de assis, ressurreição (alex marins)
ricardo reis [fernando pessoa], poesia de ricardo reis (marcellin talbot)
tomás gonzaga, marília de dirceu (pietro nassetti)

obs.: no caso dessas bizarrices da editora martin claret cadastradas na agência nacional do isbn/ fbn, a procuradora dra. ana padilha, do ministério público federal, determinou que fossem tomadas as devidas providências. tais excrescências foram removidas a partir de agosto de 2009.

MARTIN CLARET - "tradutores" sortidos
[há vários casos de discrepância entre o registro no isbn/fbn e o exemplar impresso]
aristófanes, lisístrata e as vespas (john green)
ch. dickens, cântico de natal (john green)
conan doyle, memórias de sherlock holmes (john green)
darwin, a origem das espécies (john green)
dostoievski, os irmãos karamazovi (alexandre boris popov)
kant, crítica da razão prática (rodolfo schaefer/leopoldo holzbach)
kant, crítica da razão pura (rodolfo schaefer/alex marins/pietro massetti)
kant, fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos (leopoldo holzbach)
nietzsche, assim falava zaratustra (equipe de tradutores, 2000)

MARTIN CLARET e o triunvirato tradutivo [idem; em alguns casos, inclusive, constam apenas na FBN/ISBN]
adam smith, a riqueza das nações (alex marins)
anatole france, thaïs (alex marins)
anônimo, tristão e isolda (alex marins)
aristóteles, arte poética (pietro nassetti)
aristóteles, ética a nicômaco (pietro nassetti)
balzac, a mulher de trinta anos (pietro nassetti)
balzac, eugênia grandet (alex marins)
baudelaire, as flores do mal (pietro nassetti)
carlo collodi, as aventuras de pinóquio (pietro nassetti)
cervantes, dom quixote (jean melville, 2005)
ch. dickens, grandes esperanças (jean melville)
cícero, dos deveres (alex marins)
conan doyle, as aventuras de sherlock holmes (jean melville)
conan doyle, o cão dos baskervilles (pietro nassetti)
conan doyle, o último adeus de sherlock holmes (alex marins)
conan doyle, um estudo em vermelho (jean melville)
dante, da monarquia (jean melville)
dante, vida nova (jean melville)
descartes, o discurso do método (pietro nassetti)
dostoievski, crime e castigo (alex marins na fbn)
dostoievski, o jogador (pietro nassetti)
durkheim, as regras do método sociológico (pietro nassetti)
durkheim, o suicídio (alex marins)
e. allan poe, histórias extraordinárias (pietro nassetti)
e. renan, paulo, o 13o. apóstolo (jean melville)
emerson, a conduta para a vida (jean melville)
emerson, ensaios (jean melville)
émile zola, germinal (jean melville)
epicuro, o pensamento de epicuro (pietro nassetti, fbn)
erasmo de roterdã, elogio da loucura (alex marins)
esopo, fábulas (pietro nassetti)
eurípides, alceste (pietro nassetti)
eurípides, electra (pietro nassetti)
eurípides, hipólito (pietro nassetti)
fenimore cooper, o último dos moicanos (alex marins)
freud, cinco lições de psicanálise (pietro nassetti, fbn)
fustel de coulanges, a cidade antiga (jean melville)
gide, acuso (jean melville)
gitanjali (pietro nassetti)
goethe, werther (pietro nassetti)
gracián, a arte da prudência (pietro nassetti)
guy de maupassant, bola de sebo e outros contos (pietro nassetti)
h. r. haggard, as minas do rei salomão (jean melville)
hegel, a fenomenologia do espírito (alex marins)
henry d. thoreau, desobediência civil e outros ensaios (alex marins)
herman melville, moby dick (alex marins)
hobbes, leviatã (alex marins)
j. goldsmith, o caminho infinito (pietro nassetti)
j. goldsmith, o trovejar do silêncio (pietro nassetti)
jack london, caninos brancos (pietro nassetti, fbn)
jack london, martin eden (jean melville)
jack london, o lobo do mar (pietro nassetti)
jane austen, orgulho e preconceito (jean melville)
john locke, segundo tratado sobre o governo (alex marins)
joseph conrad, lorde jim (pietro nassetti)
joseph conrad, o coração das trevas (pietro nassetti)
jules verne, volta ao mundo em oitenta dias (pietro nassetti)
kafka, artista da fome (pietro nassetti)
kant, crítica da razão pura (alex marins)
khalil gibran, jesus, o filho do homem (pietro nassetti)
khalil gibran, o profeta (pietro nassetti)
kierkegaard, o desespero humano (alex marins)
kierkegaard, diário de um sedutor (jean melville)
l. wallace, ben-hur (alex marins)
louise m. alcott, as mulherzinhas (alex marins)
maquiavel, a arte da guerra (jean melville)
maquiavel, belfagor (pietro nassetti)
maquiavel, escritos políticos (jean melville)
maquiavel, mandrágora (pietro nassetti)
maquiavel, o príncipe (pietro nassetti)
marco aurélio, meditações (alex marins)
marco polo, as viagens (pietro nassetti)
mark twain, as aventuras de huckleberry finn (alex marins)
mark twain, as aventuras de tom sawyer (pietro nassetti)
marx e engels, o manifesto comunista (pietro nassetti)
marx, manuscritos econômico-filosóficos (alex marins)
mary shelley, frankenstein (pietro nassetti)
max weber, a ética protestante e o espírito do capitalismo (pietro nassetti)
max weber, ciência e política: duas vocações (jean melville)
molière, o tartufo (jean melville)
montesquieu, do espírito das leis (jean melville)
nathanael hawthorne, a letra escarlate (pietro nassetti)
nietzsche, a gaia ciência (jean melville)
nietzsche, assim falou zaratustra (alex marins, 2002)
nietzsche, assim falou zaratustra (pietro nassetti, 1999)
nietzsche, ecce homo (pietro nassetti)
nietzsche, o anticristo (pietro nassetti)
nietzsche, para além do bem e do mal (alex marins)
o livro de jó (alex marins)
omar khayyam, rubayat (pietro nassetti)
oscar wilde, balada do cárcere de reading (jean melville)
oscar wilde, de profundis (jean melville)
oscar wilde, o príncipe e o mendigo (alex marins)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (pietro nassetti)
ovídio, a arte de amar (pietro nassetti)
pascal, pensamentos (pietro nassetti)
petrônio, satíricon (alex marins)
platão, a república (pietro nassetti)
platão, apologia de sócrates (jean melville, 2004)
platão, apologia de sócrates (pietro nassetti, 2001)
platão, fedro (alex marins)
plauto e terêncio, comédia latina (alex marins)
pushkin, a dama de espadas (jean melville)
pushkin, a filha do capitão (jean melville)
r.l. stevenson, a ilha do tesouro (alex marins)
r.l. stevenson, o médico e o monstro (pietro nassetti)
racine, andrômaca (jean melville)
racine, fedra (jean melville)
rousseau, discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens (alex marins)
rousseau, do contrato social (pietro nassetti)
rudyard kipling, o livro da jângal (alex marins)
santo agostinho, confissões (alex marins)
schopenhauer, da morte (pietro nassetti)
schopenhauer, do sofrimento do mundo (pietro nassetti)
schopenhauer, metafísica do amor (pietro nassetti)
shakespeare, a megera domada (alex marins)
shakespeare, hamlet (pietro nassetti)
shakespeare, macbeth (jean melville)
shakespeare, o sonho de uma noite de verão (jean melville)
shakespeare, otelo (jean melville)
shakespeare, rei lear (pietro nassetti)
shakespeare, romeu e julieta (jean melville)
sófocles, antígona (jean melville)
sófocles, édipo rei (jean melville)
spinoza, ética (jean melville)
stendhal, o vermelho e o negro (jean melville)
suetônio, a vida dos doze césares (pietro nassetti)
sun tzu, a arte da guerra (pietro nassetti)
th. bulfinch, o livro de ouro da mitologia (alex marins)
thomas kêmpis, imitação de cristo (pietro nassetti)
thomas morus, a utopia (pietro nassetti)
tolstoi, a sonata a kreutzer (jean melville)
victor hugo, o corcunda de notre-dame (pietro nassetti)
virgílio, eneida (pietro nassetti)
voltaire, cândido (pietro nassetti)
voltaire, dicionário filosófico (pietro nassetti)
von ihering, a luta pelo direito (pietro nassetti)

obs.: por ocasião das providências citadas na obs. anterior, a editora martin claret procedeu a retificações adicionais que não haviam sido solicitadas na petição ao ministério público federal. a documentação referente ao cadastramento anterior, porém, continua preservada. ver a série zumbi trapalhares, I a VII.

MORAES (extinta)
marx, a questão judaica (não consta)
nietzsche, a origem da tragédia (joaquim josé de faria)
nietzsche, minha irmã e eu (rubens eduardo ferreira frias)

NOVA CULTURAL - Coleção Imortais da Literatura Universal
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (enrico corvisieri)
dostoievski, os irmãos karamazóvi (enrico corvisieri)
émile zola, germinal (eduardo nunes fonseca)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (maria cristina f. da silva)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)

NOVA CULTURAL - Coleção Obras-Primas
a. dumas, os três mosqueteiros (mirtes ugeda)
balzac, a mulher de trinta anos (gisele donat soares)
dante, a divina comédia (fábio m. alberti)
edmond rostand, cyrano de bergerac (fábio m. alberti)
émile zola, naná (roberto valeriano)
emily brontë, o morro dos ventos uivantes (silvana laplace)
flaubert, madame bovary (enrico corvisieri)
goethe, fausto (alberto maximiliano)
goethe, werther (alberto maximiliano)
guy de maupassant, uma vida (roberto domenico proença)
henry fielding, tom jones (jorge pádua conceiçao)
joseph conrad, lord jim (carmen lia lomonaco)
lampedusa, o leopardo (leonardo codignoto)
leon tolstoi, ana karênina (mirtes ugeda)
oscar wilde, o retrato de dorian gray (enrico corvisieri)
pirandello, o falecido mattia pascal (fernando corrêa fonseca)
pirandello, seis personagens à procura de autor (fernando corrêa fonseca)
scott fitzgerald, suave é a noite (enrico corvisieri)
stendhal, o vermelho e o negro (maria cristina f. da silva)
voltaire, contos (roberto domenico proença)
walter scott, ivanhoé (roberto nunes whitaker)

NOVA CULTURAL - Coleção Os Pensadores
descartes, discurso do método (enrico corvisieri)
descartes, meditações (enrico corvisieri)
descartes, objeções e respostas (enrico corvisieri)
descartes, paixões da alma (enrico corvisieri)
maquiavel, o príncipe (olívia bauduh)
pascal, pensamentos (olívia bauduh)
platão, apologia de sócrates (enrico corvisieri)
xenofonte, apologia de sócrates (mirtes coscodai)
xenofonte, ditos e feitos memoráveis de sócrates (mirtes coscodai)

PILLARES
von ihering, a luta pelo direito (ivo de paula)

RIDEEL
campanella, a cidade do sol (heloísa da graça burati)
nietzsche, acerca da verdade e da mentira (heloísa da graça burati)
nietzsche, ecce homo (heloísa da graça burati)
nietzsche, o anticristo (heloísa da graça burati)
savigny, metodologia jurídica (heloísa da graça burati)
thomas more, utopia (heloísa da graça burati)
von ihering, a luta pelo direito (heloísa da graça buratti)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Clássica* (coleção extinta)

RIDEEL - Coleção Biblioteca Sherlock Holmes* (coleção extinta)


RIDEEL - Coleção Biblioteca O Melhor de Shakespeare* (coleção extinta)

* excepcionalmente, sobre os títulos destas três coleções da rideel, ver rideel, livros tirados de catálogo.
atualizado em 25/4/10: ver também rideel, retratação.

SAPIENZA (extinta)
sun tzu, a arte da guerra (nikko bushido)

atualizado em 23/10/2011; 27/11/2011
.

08/12/2009

da matos peixoto à cedic



muitas editoras acabam desaparecendo da memória cultural do país. é triste, mas é verdade. às vezes, são anos e anos de dedicação e trabalho constante, a editora não dá certo, ou por qualquer razão encerra as atividades, e não raro, passado algum tempo, mal restam rastros ou lembranças dela.

07/12/2009

cedic

o centro difusor de cultura (cedic) é uma editora de minas gerais, com uma linha variada que abrange livros e dvds pedagógicos, bíblicos, artísticos e outros. no segmento de literatura, a editora mantém uma coleção chamada "projeto ler literatura universal".

06/12/2009

ivo barroso - itinerários VI


DE ESPADA EM PUNHO

Como em Dumas, meus três tradutores-mosqueteiros eram quatro: Mílton Amado, Agenor Soares de Moura, Onestaldo de Pennafort e Carlos Porto Carreiro. Os dois primeiros eu havia conseguido homenagear com livros; os dois últimos o seriam com longos artigos. Mas, para chegar a tanto, tive que enfrentar desagradáveis frustrações.
A admiração que sempre tive pelas traduções de Onestaldo de Pennafort, principalmente pelas suas “encarnadas” versões dos poemas de Verlaine, sempre me fizera prometer a mim mesmo escrever algo a seu respeito, já que seu nome parecia desconhecido entre as novas gerações. Ele foi o mais perfeito intérprete do poeta francês em língua portuguesa, a ponto de suas Festas galantes se tornarem um livro de poesias de nossa literatura. Stefan Zweig, que se refugiara no Brasil em 1940, assim se dirige ao tradutor: “Ainda não falo o português, mas leio-o, e ainda mais facilmente numa tradução de poesias que sei de cor. O senhor gostará de saber que possuo o manuscrito original das Fêtes galantes [...] Que alegria ao ler Verlaine na língua de seu tradutor e captar-lhe ainda assim a música!” Além de Verlaine, Onestaldo havia conseguido dar ao Romeu e Julieta, de Shakespeare, a jovialidade, a leveza, a graça da obra original. E, no extremo oposto, toda a coloração sombria da tragédia cruel vivida por um Otelo transtornado de ciúmes. Além disso, havia suas obras originais, de grande versatilidade e de sutil leveza.

Compus um longo ensaio que ficou guardado por uns tempos à espera do veículo adequado para divulgá-lo. Houve época em que fui um dos redatores da revista Poesia Sempre, da Biblioteca Nacional, e julguei que estaria ali o espaço ideal para estampar o artigo. Mas por várias circunstâncias a matéria não saiu. Só em março de 2007, já de todo afastado da Poesia Sempre, encontrei guarida na Revista do Livro, órgão de divulgação cultural da mesma entidade, dirigida pelo prof. Elmer Barbosa. Estampada no nº 48, Ano 15, de março de 2007, esperei em vão por um exemplar da revista para ter a certeza de que a homenagem se efetivara. Depois de quase um ano, vim a saber que o tal número, dedicado quase inteiramente à literatura italiana, teve toda a sua tiragem distribuída num salão do livro que homenageava o Brasil na... Itália. Aqui, não restou disponível nenhum exemplar da revista. Foi graças à gentileza da Dra. Célia Portella que consegui ter em mãos a revista e constatar que de fato o artigo saíra (e estava sendo lido (?)... na Itália). Para compensar o extravio, estou cogitando de imprimir uma plaquete que, desde já, ofereço a todos os que se interessarem pelo assunto.
Embora, cronologicamente, Porto Carreiro tenha sido a minha predileção mais antiga, meu inesquecível D´Artagnan, até hoje não consegui lhe fazer a devida vênia, tirando-lhe o chapéu no gesto largo de arrastar pelo chão a pluma da Gasconha.

Sua tradução do Cyrano de Bergerac, que eu sabia quase toda de cor, de tanto lê-la, que abriu para mim as portas da conquista amorosa, sempre mereceu meu preito e minha gratidão. Que poderia fazer para divulgar seu nome, proclamar a excelência de sua façanha tradutória? Em 1997, centenário da primeira representação da peça, graças ao meu editor José Mário Pereira, íamos lançar uma cuidada edição bilíngue da peça, escoimada de alguns erros constantes das edições anteriores. Escrevi uma extensa apresentação em que falava não só do autor Edmond Rostand, mas igualmente de seu imortal intérprete Coquelin, de Sarah Bernard e do verdadeiro Cyrano, terminando por comentar os poucos dados biográficos que havia sobre o tradutor, mas ressaltando-lhe a genialidade da transposição. Professor de direito no Recife, Porto Carreiro apaixonou-se pela peça e traduziu-a tão logo foi representada. Dizem que ia de bonde para a Faculdade e não raro saltava a meio caminho para anotar algum verso que lhe ocorrera no trajeto. Desse extraordinário feito tradutório (considero-o a maior tradução de teatro em versos que conheço em língua portuguesa), disse, à época, o ferrenho crítico José Veríssimo, que considerava “em alguns pontos a tradução melhor que o original”. Esse tipo de frase tem sido modernamente criticado: Pode uma tradução ser melhor que o original? Claro que não, mas acredito que, num verso ou noutro, isto possa ocorrer em poesia: o tradutor encontrar uma expressão, um torneio de frase, uma palavra perfeita que faça o verso mais expressivo em sua língua do que o era no original. Para tanto é necessária uma integração, uma “encarnação” absoluta do tradutor na obra que traduz. França Pereira, contemporâneo de Porto Carreiro, assim o evoca: “Lembro-me bem do fulgor de seu olhar febricitante, do riso que lhe brincava nos lábios e do tremor que lhe agitava as mãos, ao falar-me do seu Cyrano, como se ele quisesse reviver ante meus olhos deslumbrados o velho galrão da Gasconha num outro poema dramatizado. O que o desanimava, dizia-me, era a suspeita de se frustrarem seus esforços neste 'meio' onde o galardoariam talvez com esta frase esmagadora: -- Ora! Uma tradução! – E mais nada.” E até hoje há quem, ligado às letras, tenha um conceito inferiorizante sobre tradução. Digo que uma tradução pode ser o “equivalente” da obra original em outra língua. Porto Carreiro criou um Cirano em português, assim como Onestaldo criaria suas Festas galantes. Duas obras geniais francesas vivendo seu momento literário no idioma português.

Mas, encurtando: como queríamos fazer uma edição de luxo, em papel de qualidade, possivelmente com ilustrações, o projeto gorou dentro do tempo previsto. Passou o centenário e a minha homenagem, por insignificante que fosse, não chegou a realizar-se. E – frustração das frustrações – em 2002 encontro na minha banca de jornais uma edição de bolso, capa preta com uma gravura dourada do narizão cirenaico, que ainda não constava de minha coleção e que podia ser adquirida a preço módico. Quem seria o destemido tradutor que, sabendo da existência da façanha de Carreiro, ousava enfrentar as dificuldades do Cirano? Abro a capa e leio o nome do “herói”: Fábio M. Alberti, mas – pasmo! – logo aos primeiros versos ao constatar que eram os mesmos de Porto Carreiro, amados versos que eu sabia de cor e nem precisava ir a casa cotejar. Um plágio desconcertante. O “herói”, no caso, não passava de um deslavado farsante. Precisava denunciá-lo. Escrevi imediatamente um artigo, Cyrano em “tradução clonada”, que saiu no Idéias do JB em 21.09.2002 e foi logo transcrito em outros jornais do Nordeste e no prestigioso blog de Soares Feitosa. A Editora Nova Cultural, para a qual mandei uma cópia do artigo, telefonou-me passado algum tempo dizendo que tinha havido um engano e que o nome de Porto Carreiro seria restaurado nas próximas edições (o que não ocorreu até hoje). Pouco tempo depois, dou com outro roubo descarado, das Flores do Mal, de Charles Baudelaire, cuja antiga tradução de Jamil Almansur Haddad aparecia na edição da Martin Claret com o nome de Pietro Nassetti (?). Meu artigo Flores roubadas do jardim alheio saiu no Rascunho de maio de 2003. Revoltado com tais descaramentos, eu mal sabia que estava simplesmente tocando a crista do iceberg.

Em 2007, voltei à carga junto ao meu editor: vamos lançar o livro no 110º aniversário da estréia da peça! é sempre uma efeméride, e os editores e leitores gostam dessas datas redondas. Acrescentei novos dados ao prefácio, citei as atuais edições francesas, a recente encenação da Comédie Française, os vídeos que surgiram, as traduções italianas e alemãs. Mas, de novo, o dinheiro foi curto e a obra não saiu. Mas como Cirano, no último ato da peça, junto à arvore frondosa, embora ferido por causa das minhas frustrações, empunho a espada das determinações e digo para mim: Eu me bato! Eu me bato! Eu me bato! #

IVO BARROSO

imagem: coquelin como cyrano, google images

05/12/2009

leitura


jane austen em português é um blog maravilhoso, de raquel sallaberry. nenhum estudioso, apreciador ou casual leitor de austen jamais poderá dispensar a mina de informações, mimos e preciosidades que há por lá.

meses atrás, raquel sallaberry, considerando a dificuldade de se encontrarem várias obras da dama de steventon no brasil, resolveu escrever um post aberto em seu blog, sugerindo a publicação da obra completa de jane austen. o post era dirigido à l&pm, em vista da qualidade e preços acessíveis de suas edições. e o apelo teve êxito.

a editora escolheu orgulho e preconceito para inaugurar sua coleção jane austen. a tradução ficou a cargo de celina portocarrero, e a obra também ganhou uma introdução do poeta, crítico literário e tradutor ivo barroso.

o livro será lançado em janeiro, mas já podemos ler os capítulos iniciais disponibilizados pela lpm e reproduzidos em jane austen em português.

parabéns a raquel por esse fantástico trabalho de sensibilizar as editoras para a necessidade de boas e novas traduções de austen no país; parabéns à l&pm pela receptividade à demanda dos leitores e pelo capricho dedicado a essa publicação.

a iniciativa é tanto mais bem-vinda porque a tradução de lúcio cardoso, pela civilização brasileira, é boa e bonita, mas um tanto datada (de 1940), a best-seller tem uma pretensa tradução em nome de "enrico corvisieri", protagonista de tantos plágios pela ed. nova cultural, a martin claret apresenta em nome de "jean melville" um descarado plágio da edição portuguesa da europa-américa, e a da francisco alves, em tradução de laura alves e aurélio barroso, é inencontrabilésima. 

imagem: pride and prejudice

04/12/2009

gracias, gracias


flanela paulistana, os ofendidos somos nós
jane austen em português, uma ótima notícia!
livros e afins, juiz rejeita queixa-crime
tradutor profissional, edição extra extra


imagem: coletivo wu ming