31 de ago de 2009

coisa boa

nessas últimas semanas, a revista da cultura publicou uma ótima matéria de ruy neto sobre os artistas das palavras (os tradutores); o digestivo cultural publicou uma excelente entrevista de rafael rodrigues com cássio arantes leite, o livro de dave e seu tradutor.

ontem, no caderno mais, a folha de s.paulo deu o nome do tradutor na chamada para a matéria:

EM TRECHO DE SEU NOVO LIVRO, RECÉM-LANÇADO EM INGLÊS, J.M. COETZEE EXPÕE SUA CONVIVÊNCIA COM AS "SÓRDIDAS GARRAS" DO APARTHEID NOS ANOS 70 E OS CONFLITOS DE UM JOVEM ESCRITOR QUE, COM MAIS DE 30 ANOS, VOLTOU A MORAR COM O PAI; TRADUÇÃO DE JOSÉ RUBENS SIQUEIRA".

mais à frente, outro artigo:
Tradutor de J.M. Coetzee no Brasil analisa e elogia a adaptação cinematográfica de 'Desonra', que será lançada no país em DVD
JOSÉ RUBENS SIQUEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA"

aliás, josé rubens começa bem:
"Traduzir de uma língua para outra é mais que traduzir palavras. Cada língua determina processos de pensamento, padrões de imagem e metáforas específicos de sua cultura. Traduzir de uma língua para outra é traduzir esse 'jeitão', buscar sonoridades, modos de expressão, particularidades culturais, fazer o que soa natural em inglês, por exemplo, soar igualmente natural em português. Não há horror maior do que ler inglês traduzido." (morri de rir, e é bem verdade: "inglês traduzido" é medonho, tipo "fulano nadou através do rio" ou "sua corpulenta e espadaúda figura, que fora frequentemente vista por john a caminhar pesadamente ao longo da rua sombriamente tortuosa em torno da ruidosa vizinhança"...)

e finalmente, fato inédito, em obras no brasil, a relação completa incluindo os respectivos nomes dos tradutores!

desse jeito, a médio e longo prazo vai ficar bem mais difícil que uns e outros saiam por aí plagiando tradução.

os links da folha são para assinantes uol ou fsp.

imagem: emoticon msn.

lixo tóxico


o voltaire do dicionário filosófico no híbrido plágio da ed. martin claret é levado a sério em escolas, bibliotecas, artigos, teses, livros, programas de curso:

www.tjse.jus.br/colegiodepresidentes/images/.../cir004_2009.pdf
www.rumoatolerancia.usp.br/node/824
http://dedalus.usp.br:4500/ALEPH/POR/USP/USP/DEDALUS/FULL/1616970
anael.magaweb.com.br/index.php?id=24
http://pt.wikiquote.org/wiki/Voltaire
www.fafich.ufmg.br/~labfil/.../ciencia-e-verdade/
www.ojardim.net/.../o-amor-proprio-parte-ii.html
https://www.univem.edu.br/mestrado_dir/detalhe.asp?reg=7&lng=1
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_ASSUNTO(3445)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://esmac.phlnet.com.br/cgi-bin/wxis.exe?IsisScript=phl8/003.xis&cipar=phl8.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=OURO&code=&lang=
www.existencialismofilosofico.com.br/index.php
books.google.com.br/books?isbn=8572442987...
www.ejesus.com.br/exibe.asp?id=3173
www.ajuris.org.br/sharerwords/?org...
http://esmac.phlnet.com.br/cgi-bin/wxis.exe?IsisScript=phl8/003.xis&cipar=phl8.cip&bool=exp&opc=decorado&exp=VOLTAIRE&code=&lang www.rechtd.unisinos.br/pdf/63.pdf
www.amprs.org.br/arquivos/comunicao_noticia/sansroekelly.pdf
http://www.direito2.com.br/livro/problema-do-nexo-causal-na-responsabilidade-civil-o
www.seer.furg.br/ojs/index.php/biblos/article/.../95/49
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(19712)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://books.google.com.br/books?id=9kJwtiTHrnwC&pg=PA141&lpg=PA141&dq=%22dicion%C3%A1rio+filos%C3%B3fico%22+%22martin+claret%22&source=bl&ots=2DN4xp8yit&sig=dH4lStKfq2XltT4EqUfg2-EMF30&hl=pt-BR&ei=-beMSv2iBprfmQfawImyDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2#v=onepage&q=%22dicion%C3%A1rio%20filos%C3%B3fico%22%20%22martin%20claret%22&f=false
http://www.saolourencodosul.rs.gov.br/arquivos/CC_73_2008.pdf
www.fa7.edu.br/recursos/imagens/File/.../ARTIGO01.pdf
http://pt.wikiquote.org/wiki/Raz%C3%A3o
www.mstecnologia.com/releituras/trabalhos/18-rel-ago-08.html
www.rumoatolerancia.fflch.usp.br/taxonomy/.../14
www.ccmn.ufrj.br/extensao/material/SEE_filosofia_1_72.pdf
www.brinkster.com/.../pt/bib/refout06.htm
www.revistabrasileiradocaribe.org/revista_14.pdf
www.bibliotecadigital.ufba.br/tde_busca/arquivo.php?...173
www.capes.gov.br/.../2002_035_15001016011P4_Disc_Ofe.pdf
http://books.google.com.br/books?id=THIce8_3GLgC&pg=PA400&lpg=PA400&dq=%22dicion%C3%A1rio+filos%C3%B3fico%22+%22martin+claret%22&source=bl&ots=j5RJ46zIWJ&sig=6u1z7UvXAh7os07CBi-U_YXJdwI&hl=pt-BR&ei=wLqMSsCeL6WCmQewtaS0DQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2
www.esmarn.org.br/cursos/.../2008/direito_eletronico_natal.pdf
www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/.../visit.php?cid...
www.uniplac.net/mestrado/dissertacoes/educacao/mailza.pdf
www.ce.ufpb.br/ppge/Dissertacoes/.../DISSERTA%C7%C3O.pdf
www.rc-pro.com.br/.../20081217_DOUT_004805.html

veja aqui e aqui os dois cotejos desse plágio híbrido. sobre o milagre da multiplicação, veja aqui e aqui.

imagem: http://www.vam.ac.uk/ via lasarina

30 de ago de 2009

3bp.blogspot.com via lasarina

um domingo de leituras

gosto muito dos artigos de eduardo ferreira em translato, a seção da revista rascunho dedicada à atividade tradutória. reproduzo abaixo a relação de links para seus artigos.

Agosto - 2009
TRADUÇÃO, OU O TEXTO COMO OPOSIÇÃO
Julho - 2009
A DIMENSÃO ÉTICA DA TRADUÇÃO
Junho - 2009
TRADUZIR OS 400 ANOS DOS 154 SONETOS DE SHAKESPEARE
Maio - 2009
O PAPEL DA TRADUÇÃO COMO FORMADORA DAS LITERATURAS
Abril - 2009
RETRADUÇÃO: UM EXERCÍCIO HIPOTÉTICO DE REDAÇÃO
Março - 2009
BREVE ESTREITO ESPAÇO ENTRE TRADUÇÃO E RELIGIÃO
Fevereiro - 2009
SOBRE UMA MANEIRA ETIMOLÓGICA DE TRADUZIR
Janeiro - 2009
UMA CERTA NOÇÃO DE TRADUÇÃO
Dezembro - 2008
AINDA É POSSÍVEL PENSAR EM ÉTICA NA TRADUÇÃO?
Novembro - 2008
ANTOINE BERMAN E A TRADUÇÃO DA LETRA
Outubro - 2008
TRADUÇÃO COMO OBRA-DE-ARTE INDEPENDENTE
Setembro - 2008
EM DEFESA DA POSSIBILIDADE DE TRADUZIR
Agosto - 2008
ALQUIMIA INVERSA E A LEI DA COMPENSAÇÃO
Julho - 2008
ENCRUZILHADA: NATURALIZAR OU ESTRANGEIRIZAR?
Junho - 2008
PAPEL E DESSERVIÇO DA PARÁFRASE EM TRADUÇÃO
Maio - 2008
TRADUÇÃO COMO ELEMENTO DE PERTURBAÇÃO DO TEXTO
Abril - 2008
EDWARD SAPIR E OS DOIS NÍVEIS DE ARTE NA LITERATURA
Março - 2008
COM QUANTOS OLHOS SE DEVE LER UMA TRADUÇÃO
Fevereiro - 2008
TRADUÇÃO: DRAMA EM DOIS ATOS
Janeiro - 2008
A DOCE ILUSÃO DA TEORIA DO ENCAIXE DAS LÍNGUAS
Dezembro - 2007
O PRIVILÉGIO DE TRADUZIR COM ESPONTANEIDADE
Novembro - 2007
A CURIOSA TAREFA DE TRADUZIR-SE
Outubro - 2007
PROVAR QUE COMPREENDE, SÓ TRADUZINDO
Setembro - 2007
TRADUÇÃO E IMPOSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO
Julho - 2007
CONSEQÜÊNCIAS DA ONIPOTÊNCIA DO TRADUTOR
Junho - 2007
A TRADUÇÃO COMO ATUALIZAÇÃO NECESSÁRIA
Maio - 2007
TRADUÇÃO COMO EXPERIMENTAÇÃO, METÁFORA E MUDANÇA
Abril - 2007
ESCALA DESCENDENTE: DO PENSAMENTO À TRADUÇÃO
Março - 2007
A EXPERIÊNCIA DE LER ORIGINAL E TRADUÇÃO
Fevereiro - 2007
TRADUÇÃO: MEMÓRIA E FUTURO
Janeiro - 2007
TODAS AS VANTAGENS DE UMA EDIÇÃO BILÍNGÜE
Dezembro - 2006
EM DEFESA DE UMA ANÁLISE OBJETIVA DA TRADUÇÃO
Novembro - 2006
O POSSÍVEL USO DO MÉTODO NA TRADUÇÃO DA POESIA
Outubro - 2006
SE CHINA ESTÁ NA MODA, POR QUE NÃO FALAR DA POESIA?
Setembro - 2006
A DENSA CARGA EXPLANATÓRIA DE UM POEMA SOBRE TRADUÇÃO
Agosto - 2006
A FUGAZ OPORTUNIDADE DE MELHORAR UMA OBRA LITERÁRIA
Julho - 2006
ESPAÇO E FUNÇÃO DA TRADUÇÃO NO UNIVERSO LITERÁRIO
Junho - 2006
MANUEL BANDEIRA E A ESCOLA DA TRADUÇÃO
Maio - 2006
TRADUTOR-AUTOR: O VALOR DE UMA APROXIMAÇÃO POSSÍVEL
Abril - 2006
BARTOLOMÉ MITRE: POETA, TRADUTOR E PRESIDENTE
Março - 2006
PAULO RÓNAI E OS 30 ANOS DA TRADUÇÃO VIVIDA
Fevereiro - 2006
ENFIM, A TRADUÇÃO DE DEPOIS DE BABEL
Janeiro - 2006
TRADUÇÃO: A PONTE SEMPRE NECESSÁRIA
Dezembro - 2005
A TRADUÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DAS LÍNGUAS
Novembro - 2005
Como diria o tradutor Leminski, não há exílio que se compare ao exílio do idioma natal...
Outubro - 2005
Voltar aos “clássicos” faz bem. Paradoxalmente, renova as idéias.
Setembro - 2005
O OFÍCIO E A ARTE DO TRADUTOR ERWIN THEODOR
Agosto - 2005
A FALTA QUE NÃO FAZ A CRÍTICA DA LITERATURA TRADUZIDA
Julho - 2005
AS MUITAS IMPUREZAS DA TRADUÇÃO
Junho - 2005
ALGUNS ELOS POSSÍVEIS ENTRE TRADUÇÃO E RELIGIÃO
Maio - 2005
A ARTE DE TRADUZIR: RETORNO DE UM CLÁSSICO
Abril - 2005
MACHADO DE ASSIS TRADUTOR: OUTRA FACE DO BRUXO
Março - 2005
TRADUZIR POESIA: HOMENAGEM E TRANSGRESSÃO
Fevereiro - 2005
Malone morre, vivem Beckett e Leminski
Janeiro - 2005
A TRADUÇÃO PELA ÓTICA DOS CLÁSSICOS FRANCESES
Dezembro - 2004
TRADUTOR: MALVISTO, MAL PAGO, MALDITO
Novembro - 2004
JACQUES DERRIDA E ALGUMAS IDÉIAS SOBRE TRADUÇÃO
Outubro - 2004
ESSA LONGA HISTÓRIA DE INFIDELIDADES...
Setembro - 2004
FALTA DE TRANSPARÊNCIA: O GRANDE E VELHO CHARME DA TRADUÇÃO
Agosto - 2004
O VELHO PROBLEMA DA ORIGINALIDADE DE UMA TRADUÇÃO
Julho - 2004
AS PALAVRAS VERDADEIRAMENTE MAIS DIFÍCEIS DE TRADUZIR
Junho - 2004
O CULPADO, COMO SEMPRE, É O TRADUTOR
Maio - 2004
A VISIBILIDADE DO TRADUTOR NA TELA DO CINEMA
Abril - 2004
O PRECONCEITO CONTRA A TRADUÇÃO, E A MANEIRA DE ROMPÊ-LO
Março - 2004
DICIONÁRIO: FERRAMENTA E CRUZ DO TRADUTOR

28 de ago de 2009

tiririca, guanxuma, grama-seda

dou aqui continuidade ao tema levantado em mala herba.

a germinal é uma pequena editora, criada em 1997 pelo advogado, sociólogo e jornalista wilson hilário borges em sociedade com a jornalista vera lúcia rodrigues. wilson hilário borges faleceu em 2002, e a germinal continua suas atividades sob a responsabilidade da referida jornalista.

o catálogo da germinal cadastrado na fbn consta de 33 títulos, entre eles quinze obras traduzidas. são elas, com os respectivos nomes que assinam as traduções:

arthur koestler, ladrões na noite (juliana borges)
arthur koestler, o iogue e o comissário (não descobri)
arthur koestler, chegada e partida (juliana borges)
saul bellow, a vítima (juliana borges)
james agee, morte na família (juliana borges)
isaac b. singer, o escravo (juliana borges)
gustave glotz, história econômica da grécia (vera lúcia rodrigues)
ivan goncharov, oblomov (juliana borges)
ignazio silone, a semente sob a neve (wilson hilário borges)
sinclair lewis, o nobre senhor kingsblood (juliana borges)
hermann broch, os sonâmbulos (wilson hilário borges)
g. k. chesterton, o homem que foi quinta-feira (vera lúcia rodrigues)
d. h. lawrence, mulheres apaixonadas (felipe padula borges)
fenimore cooper, o último dos moicanos (vera lúcia rodrigues)
gustave flaubert, salambô (não descobri)
luigi pirandello, a excluída (wilson hilário borges)

como se vê, a equipe de tradução é de perfil familiar: além de wilson hilário borges, assinam as traduções sua filha juliana borges, sua companheira vera lúcia rodrigues e seu sobrinho felipe padula borges.

de acordo com o site da empresa, atualmente o catálogo da germinal conta com apenas 25 títulos, entre eles 12 das obras de tradução acima citadas.




o escândalo dos plágios de tradução praticados pela germinal veio à tona em 2004, pelo jornal opção de goiânia e a folha de s.paulo.


imagem: http://writista.wordpress.com/

27 de ago de 2009

"comigo ninguém pode"


mais uma na linha da fraude humorística, tão apreciada pela editora rideel (responsável: sr. italo amadio, da atual diretoria da cbl).

seu metodologia jurídica, de savigny, é uma singela cópia que vem em nome de heloísa da graça burati, publicada em SÃO PAULO, 2005, reproduzindo a tradução de hebe caletti marenco que a edicamp tinha lançado em CAMPINAS, 2001.

não satisfeita com a proeza, a rideel copiou também o prefácio todinho da edicamp, sem se esquecer de reproduzir a data e o local.

aqui a edicamp, com a especificação de data e local em baixo:




aqui a rideel, idem:












































mofo, quitute favorito dos plagiadores


"A lei 9.610/98 não distingue entre livros postos à disposição do público e os retirados de circulação. Livros, discos ou obras de qualquer natureza, de grande valor histórico, cultural e científico são, muitas vezes, encontrados apenas em distantes bibliotecas públicas ou acervos particulares. Essa carência na disponibilização da obra é prejudicial ao desenvolvimento das artes, ciência e cultura, que é o objetivo declarado dos direitos de autor." - Eliane Abrão

"A Lei também deve contemplar um mecanismo, já frequente em vários países, conhecido como licenciamento não voluntário de obras, que se encontrem sob determinadas condições que possam prejudicar o acesso a essas pela população, como: as que forem utilizadas por seus titulares de forma abusiva; as que não forem exploradas no território brasileiro; e as que tiverem sua comercialização feita de modo a não satisfazer as necessidades do mercado, como no caso de livros esgotados, sempre com o cuidado de garantir uma justa retribuição ao titular originário dessas obras." - Marcos Alves Souza, MinC

Citações extraídas dos Anais do II Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, 2008 (p. 587 e p. 770).

imagem: flickr, gaspi

26 de ago de 2009

1 = 2

retomando o milagre da multiplicação dos verbetes que se operou no dicionário filosófico da martin claret: no original, há um que se chama "bornes de l'esprit humain".

"hmmm, 'fronteiras' e 'limites' são coisas muito diferentes", deve ter pensado pietro nassetti ou quem por ele, ao folhear as traduções em português que estavam dando sopa por ali. e mandou ver.

assim o verbete "fronteiras do espírito humano" na tradução de líbero rangel de tarso reaparece ipsis litteris no "capítulo" 61 nassetti-plagetiano do dicionário filosófico.

já o verbete "limites do espírito humano" da tradução de bruno da ponte e joão lopes alves ressurge toscamente arremedado no "capítulo" 89 da edição plagetiana.

- fronteiras do espírito humano

estão em toda parte, meu pobre doutor. queres saber por que teus pés obedecem a tua vontade e teu fígado não? desejas saber como se forma o pensamento em teu miserável entendimento e esta criança no útero desta mulher? (líbero rangel, atena, p. 182)
estão em toda parte, meu pobre doutor. queres saber por que teus pés obedecem a tua vontade e teu fígado não? desejas saber como se forma o pensamento em teu miserável entendimento e esta criança no útero desta mulher? (pietro nassetti, claret, p. 245)

- limites do espírito humano

surgem de todos os lados, pobre doutor. queres saber por que o teu braço e o pé obedecem à tua vontade e por que o fígado não te obedece? indagas como o pensamento se forma no teu tímido entendimento e como se gera aquela criança no útero da mãe? (bruno da ponte e joão lopes alves, abril, p. 241)
estes limites surgem de todos os lados, pobre doutor. queres saber por que o teu braço e o pé obedecem à uma vontade e por que o fígado é diferente? queres saber como o pensamento se forma no teu simples entendimento e como se gera aquela criança no útero da mãe? (pietro nassetti, claret, p. 357)

imagem: 10-feet-under.blogspot.com

ao mestre com carinho 2

a obra de tommaso de campanella, a cidade do sol, em cópia de tradução que a editora rideel atribui ao nome de "heloísa da graça burat(t)i", está presente em:

http://www.prto.mpf.gov.br/info/info_bibdetalhes.php?iid=665&ctg=&sctg=http://www.paulofreire.org/twiki/pub/FPF2008/TrabalhoMonicaBrunnerSchiffer/artigo_utopia_Forum_Paulo_Freire_(2008).doc
http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/581_430.pdf
http://www.upf.tche.br/biblioteca/download/Boletim%202008%20n1.pdf
http://www.fsa.br/santoandre/editor/userfiles/File/livrog.htm
http://www.sec.ba.gov.br/iat/SITE_2007/acervo%20biblioteca%201.pdf

o sr. mario amadio havia afirmado que a rideel retirou de circulação essa baixaria. hmmm, não sei não. continuam solidariamente responsáveis pela fraude, segundo os termos da lei 9610/98:

- fnac
- camargo
- curitiba
- loyola (cujo dono, sr. vítor tavares, aliás, é colega do editor responsável pela rideel, sr. italo amadio, na diretoria da cbl)

outra coisa complicada: no meu exemplar dessa obra consta 2005, 1a. edição. encontrei vários exemplares da mesma obra que traziam como data da 1a. edição o ano de 2004. a martin claret também vive fazendo isso: em geral todas as suas edições do mesmo livro são "1a. edição". engraçado, não é mesmo?

imagem: www.myspace.com

25 de ago de 2009

ao mestre com carinho



a obra de tommaso campanella, a cidade do sol, em tradução de paulo m. oliveira publicada pela editora atena (1935, em inúmeras reedições), ressurge pela editora rideel (2004, com reedições), com sua pretensa tradução atribuída ao nome de heloísa da graça burati. a cópia vai do começo ao fim, com algumas trocas de palavras por sinônimos.

1. paulo m. oliveira

Grão-mestre — Vamos, peço-lhe, conte finalmente o que lhe aconteceu durante essa viagem.
Almirante — Já lhe disse como fiz a volta da terra e, por fim, perto da Taprobana, como fui constrangido a desembarcar e, com receio dos habitantes, a embrenhar-me numa floresta, de onde só sai, depois de muito tempo, para alcançar uma extensa planície sob a linha do equador.
G. M. — E que lhe sucedeu, então?
ALM. — Subitamente, encontramos um numeroso grupo de homens e mulheres, todos armados, alguns conhecendo nossa língua, que logo nos fizeram companhia e nos levaram à Cidade do Sol.
G. M. — Pode dizer-me como é construída essa cidade e qual a sua forma de governo?
ALM. — A maior parte da cidade está situada sobre uma alta colina que se eleva no meio de vastíssima planície. Mas, as suas múltiplas circunferências se estendem num longo trecho, além das faldas do morro, de forma que o diâmetro da cidade ocupa mais de duas milhas, por sete do recinto total. Mas, achando-se sobre uma elevação, apresenta ela uma capacidade bem maior do que se estivesse situada numa planície ininterrompida. Divide-se em sete círculos e recintos particularmente designados com os nomes dos sete planetas. Cada círculo se comunica com o outro por quatro diferentes caminhos, que terminam por quatro portas, voltadas todas para os quatro pontos cardeais da terra. A cidade foi construída de tal forma que, se alguém, em combate, ganhasse o primeiro recinto, precisaria do dobro das forças para superar o segundo, do triplo para o terceiro, e, assim, num contínuo multiplicar de esforços e de trabalhos, para transpor os seguintes. Por essa razão, quem se propusesse expugná-la precisaria recomeçar sete vezes a empresa. Considero, porém, humanamente impossível conquistar apenas o primeiro recinto, de tal maneira é ele extenso, munido de terraplenos e guarnecido de defesas de toda sorte, torres, fossas e máquinas guerreiras. Assim é que, tendo eu entrado pela porta que dá para o setentrião (toda coberta de ferro e fabricada de modo que pode ser levantada e abaixada, fechando-se com toda a facilidade e com plena segurança, graças à arte maravilhosa com que as suas engrenagens se adaptam às aberturas dos possantes umbrais), o que primeiro me despertou a atenção foi o intervalo formado por uma planície de setenta passos de extensão e situada entre a primeira e a segunda muralhas. Distinguem-se, daí, os grandiosos palácios que, de tão unidos uns aos outros, ao longo da muralha do segundo círculo, parecem mais um só edifício. A meia altura desses palácios, vêem-se surgir, de fora para dentro do círculo, várias arcadas com galerias superiores, sustentadas por elegantes colunas e circundando quase toda a parte inferior do pórtico, à maneira dos peristilos ou dos claustros religiosos. Em baixo, além disso, só estão encravados na parte côncava das muralhas, e é caminhando no plano que se penetra nos compartimentos inferiores, ao passo que, para alcançar os superiores, devem subir-se umas escadas de mármore que conduzem às galerias internas, chegando-se então às partes mais altas e mais belas dos edifícios, as quais recebem luz pelas janelas existentes tanto na parte côncava como na convexa das muralhas, estupendas por sua sutileza. Cada muralha convexa, isto é, a sua parte externa, tem uma espessura de cerca de oito palmos, por três somente da parte côncava, ou seja a sua parte interna, enquanto os tabiques têm apenas um, ou pouco mais. Atravessada a primeira planície, chega-se à segunda, mais estreita uns três passos, e aí se descobre a primeira muralha do segundo círculo, igualmente guarnecido de palácios que, como os do primeiro círculo, possuem galerias em baixo e em cima, havendo na parte interior outra muralha interna que circunda os palácios e tem em baixo sacadas e peristilos sustentados por colunas, sendo que em cima, onde se acham as portas das casas superiores, apresenta preciosas pinturas. E assim, por esses círculos e duplas muralhas que cercam os palácios, ornados de galerias sustentadas por colunas, chega-se à última parte da cidade, sempre caminhando no plano. Só quando se entra pelas portas duplas dos vários circuitos, uma na muralha interna e a outra na externa, é que se sobem uns degraus de tal forma construídos que mal se sente a subida, pois estão colocados obliquamente e muito pouco mais elevados uns do que os outros. No cimo do monte, encontra-se, então, uma espaçosa planície, em cujo centro se ergue um templo de maravilhosa construção.

2. "heloísa da graça burati"

GRÃO-MESTRE— Vamos, peço-lhe, conte finalmente o que lhe aconteceu durante essa viagem.
ALMIRANTE — Já lhe disse como fiz a volta da terra e, por fim, perto da Taprobana, como fui obrigado a desembarcar e, com receio dos habitantes, a embrenhar-me numa floresta, de onde só sai, depois de muito tempo, para alcançar uma extensa planície sob a linha do Equador.
G. M. — E que lhe sucedeu, então?
ALM. — Subitamente, encontramos um numeroso grupo de homens e mulheres, todos armados, alguns eram conhecedores da nossa língua, que logo nos fizeram companhia e nos levaram à Cidade do Sol.
G. M. — Pode dizer-me como é [] essa cidade e qual a sua forma de governo?
ALM. — A maior parte da cidade está localizada sobre uma alta colina que se ergue no meio de uma ampla planície. Mas as suas múltiplas circunferências se estendem num longo trecho, além das encostas do morro, de forma que o diâmetro da cidade ocupa mais de duas milhas por sete do recinto total. Mas, achando-se sobre uma elevação, ela apresenta uma capacidade bem maior do que se estivesse situada numa planície interrompida [sic]. Divide-se em sete círculos e recintos particularmente designados com os nomes dos sete planetas. Cada círculo se comunica com o outro por quatro diferentes caminhos, que terminam por quatro portas, voltadas todas para os quatro pontos cardeais da terra. A cidade foi construída de tal forma que, se alguém ganhasse em combate o primeiro recinto, precisaria do dobro das forças para superar o segundo, do triplo para o terceiro, e, assim, num contínuo multiplicar de esforços e de trabalhos, para transpor os seguintes. Por essa razão, quem se propusesse subjugá-la precisaria recomeçar sete vezes o empreendimento. Porém considero humanamente impossível conquistar sequer o primeiro recinto, já que ele é extenso, munido de terraplenos e guarnecido de defesas de todo tipo, torres, fossas e máquinas guerreiras. Assim é que, tendo eu entrado pela porta que dá para o norte (toda coberta de ferro e fabricada de modo que pode ser levantada e abaixada, fechando-se com toda facilidade e com plena segurança, graças à arte maravilhosa com que as suas engrenagens se adaptam às aberturas dos robustos umbrais), o que primeiro me chamou a atenção foi o intervalo formado por uma planície de setenta passos de extensão e situada entre a primeira e a segunda muralhas. Distinguem-se, daí, os grandiosos palácios que, de tão unidos uns aos outros, ao longo da muralha do segundo círculo, parecem mais um edifício só. A meia altura desses palácios vêem-se surgir, de fora para dentro do círculo, várias arcadas com galerias superiores, sustentadas por elegantes colunas e circundando quase toda a parte inferior do pórtico, à maneira dos peristilos ou dos claustros religiosos. Embaixo, além disso, só estão encravados na parte côncava das muralhas, e é caminhando no plano que se penetra nos compartimentos inferiores, ao passo que, para alcançar os superiores, é necessário subir umas escadas de mármore que conduzem às galerias internas, chegando-se então às partes mais altas e belas dos edifícios, as quais recebem luz pelas janelas existentes tanto na parte côncava como na convexa das muralhas, estupendas por sua sutileza. Cada muralha convexa, isto é, a sua parte externa, tem uma espessura de cerca de oito palmos, por três somente da parte côncava, ou seja a sua parte interna, enquanto os tabiques têm apenas um, ou pouco mais. Atravessada a primeira planície, chega-se à segunda, mais estreita uns três passos, e aí se descobre a primeira muralha do segundo círculo, igualmente guarnecido de palácios que, como os do primeiro círculo, possuem galerias embaixo e em cima, havendo na parte interior outra muralha interna que circunda os palácios e tem na parte inferior sacadas e peristilos sustentados por colunas, sendo que em cima, onde se acham as portas das casas superiores, apresenta preciosas pinturas. E assim, por esses círculos e duplas muralhas que cercam os palácios, ornados de galerias sustentadas por colunas, chega-se à última parte da cidade, sempre caminhando no plano. Só quando se entra pelas portas duplas dos vários circuitos, uma na muralha interna e a outra na externa, é que [] sobem uns degraus de tal forma construídos que mal se sente a subida, pois estão colocados obliquamente e muito pouco mais elevados uns do que os outros. No alto do monte, encontra-se, então, uma espaçosa planície, em cujo centro se ergue um templo de maravilhosa construção.



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



imagem: realfake

aiai



a megera domada da martin plaget:

www.letras.puc-rio.br:8081/.../Traduções_publicadas_por_década.pdf
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2136897.xml&template=3898.dwt&edition=10537&section=853
www.ufsj.edu.br/.../PREGAOFAUF_037_2008_livros%20por%20area.doc
www.eafars.gov.br/.../Pesquisa%20_%20Material%20CGE.doc

24 de ago de 2009

mala herba


alguns dias atrás, um leitor deixou um comentário interessante em hard facts, dizendo entre outras coisas:

"Em fevereiro estive [na Livraria Saraiva] e adquiri uma fake-tradução do Mulheres apaixonadas, de D.H.Lawrence, pela Editora Germinal. [...] Bem, a tradução era surrupiada; a 'tradutora' era uma parente da trupe editorial. A Livraria Saraiva se pronunciou da seguinte forma: que o seu trabalho era trazer ao leitor/cliente todos — todos, irrestritamente — os lançamentos e edições existentes no mercado, independentemente da fidedignidade ou procedência."

a atitude da saraiva e de praticamente todas as livrarias, já sabemos, é de se pôr acima do bem e do mal, a despeito do que determina a lei, que atribui às livrarias o papel de responsabilidade solidária com os crimes editoriais. é um gravíssimo problema, que também tem de ser enfrentado e combatido (veja no arquivo livrarias).

mas o que me surpreendeu no comentário foi que as edições da germinal ainda continuem à venda. a germinal praticamente parou de publicar qualquer coisa após a morte de seu fundador, o advogado e jornalista wilson hilário borges, em 2002. até achei que ela tinha encerrado as atividades, mas pelo visto continua distribuindo lixo tóxico pelo país, agora como selo editorial do grupo vervi de assessoria de comunicação. a germinal é um caso triste: tinha sérios problemas editoriais, com diversos plágios de tradução, vários deles publicamente desmascarados anos atrás.

erva daninha é difícil de arrancar. para reavivar a memória, nesses próximos dias farei alguns posts sobre o caso da germinal.

imagem: logo

conta outra

a megera domada, de shakespeare, foi publicada pela martin claret com pretensa tradução em nome de "alex marins".
a capa é um photoshop medonho em cima da emma thompson com kenneth branagh.

o texto é um fidelíssimo plágio, de cabo a rabo, da tradução anotada de almeida cunha medeiros (com oscar mendes), que saiu pela josé aguilar em 1969, reeditada pela abril cultural e depois pela nova aguilar.

1. almeida cunha medeiros com oscar mendes:

lord
e: como de um sonho enganoso ou de uma vã fantasia... levantai-o, pois, e combinaremos bem a brincadeira. transportai-o cuidadosamente para meu mais belo quarto e enfeitai-o com meus quadros mais licenciosos. perfumai-lhe a asquerosa cabeça com cálidas águas perfumadas, e queimai madeiras odoríferas para perfumar o aposento. procurai-me músicos que, quando ele despertar, deixem ouvir uma melodia doce e celeste. se por acaso falar, estai dispostos a cumprir-lhe as ordens e respondei fazendo uma respeitosa reverência: "que deseja vossa excelência?" um de vós se apresentará com uma bacia de prata cheia de água de rosas e juncada de flores. outro trará um jarro; um terceiro, uma toalha adamascada e dirá: "vossa senhoria deseja refrescar as mãos?" um outro já lhe esteja à disposição com um rico guarda-roupa e lhe pergunte com que traje ele deseja vestir-se. fale-lhe outro dos cães e cavalos e da esposa que se encontra desolada vendo-o doente. persuadi-o de que esteve lunático5 e se afirma ser o que é, respondei-lhe que ele sonha, porque é nada menos do que um poderoso senhor. fazei assim, amáveis senhores, e fazei-o com jeito. será a brincadeira mais engraçado [sic] do mundo, se vos conduzirdes com discrição.5. lunáticas eram as pessoas perturbadas pla influência da lua, sendo uma loucura intermitente sujeita às fases do satélite terreno.

2. alex marins:

lor
de: como de um sonho enganoso ou de uma vã fantasia... levantai-o, pois, e combinaremos bem a brincadeira. transportai-o cuidadosamente para meu mais belo quarto e enfeitai-o com meus quadros mais licenciosos. perfumai-lhe a asquerosa cabeça com cálidas águas perfumadas, e queimai madeiras odoríferas para perfumar o aposento. procurai-me músicos que, quando ele despertar, deixem ouvir uma melodia doce e celeste. se por acaso falar, estai dispostos a cumprir-lhe as ordens e respondei fazendo uma respeitosa reverência: "que deseja vossa excelência?" um de vós se apresentará com uma bacia de prata cheia de água de rosas e juncada de flores. outro trará um jarro; um terceiro, uma toalha adamascada e dirá: "vossa senhoria deseja refrescar as mãos?" um outro já lhe esteja à disposição com um rico guarda-roupa e lhe pergunte com que traje ele deseja vestir-se. fale-lhe outro dos cães e cavalos e da esposa que se encontra desolada vendo-o doente. persuadi-o de que esteve lunático5 e se afirma ser o que é, respondei-lhe que ele sonha, porque é nada menos do que um poderoso senhor. fazei assim, amáveis senhores, e fazei-o com jeito. será a brincadeira mais engraçado [sic] do mundo, se vos conduzirdes com discrição.
5. lunáticas eram as pessoas perturbadas pla influência da lua, sendo uma loucura intermitente sujeita às fases do satélite terreno.
1. almeida cunha medeiros com oscar mendes:

lu
cêncio: trânio, já que para satisfazer meu vivo desejo de ver a formosa pádua, berço das artes, cheguei à fértil lombardia, aprazível jardim da grande itália e, graças ao amor e permissão de meu pai, encontro-me amparado por sua boa vontade e por tua boa companhia, meu fiel servidor a toda prova, respiremos aqui um pouco e comecemos com felicidade um curso de sabedoria e de estudos engenhosos. pisa, célebre pela gravidade de seus cidadãos, deu-me o ser, como o deu a meu pai, mercador de grandes relações, chamado vicêncio, descendente dos bentivoglio. o filho de vicêncio, educado em florença, realizará as esperanças fundadas nele, ao adornar sua fortuna com ações virtuosas. e assim, trânio, durante o tempo de meus estudos, aplicar-me-ei à virtude e àquela parte da filosofia que trata da felicidade que a virtude procura especialmente. dize-me o que pensas, pois abandonei pisa e vim a pádua como um homem que deixa um charco pouco profundo para mergulhar num oceano e procura com ânsia estancar a sede.

2. alex marins:

lu
cêncio: trânio, já que para satisfazer meu vivo desejo de ver a formosa pádua, berço das artes, cheguei à fértil lombardia, aprazível jardim da grande itália e, graças ao amor e permissão de meu pai, encontro-me amparado por sua boa vontade e por tua boa companhia, meu fiel servidor a toda prova, respiremos aqui um pouco e comecemos com felicidade um curso de sabedoria e de estudos engenhosos. pisa, célebre pela gravidade de seus cidadãos, deu-me o ser, como o deu a meu pai, mercador de grandes relações, chamado vicêncio, descendente dos bentivoglio. o filho de vicêncio, educado em florença, realizará as esperanças fundadas nele, ao adornar sua fortuna com ações virtuosas. e assim, trânio, durante o tempo de meus estudos, aplicar-me-ei à virtude e àquela parte da filosofia que trata da felicidade que a virtude procura especialmente. dize-me o que pensas, pois abandonei pisa e vim a pádua como um homem que deixa um charco pouco profundo para mergulhar num oceano e procura com ânsia estancar a sede.

1. almeida cunha medeiros com oscar mendes:

catarin
a: quanto pior me trata, mais finge gostar de mim. casou-se comigo para fazer-me morrer de fome? os mendigos que pedem na porta de meu pai só precisam estender a mão para receberam a esmola. se não lhes é dada, encontram a caridade noutra parte. mas eu, que nunca pedi nada, que jamais tive necessidade de nada, estou com fome por falta de alimentos e estonteada por falta de sono. os praguejamentos me mantêm acordada e o barulho substitui a comida. e o que me mortifica mais ainda que todas essas privações, é que ele faz tudo isso pretextando um perfeito amor. poder-se-ia dizer, ao ouvi-lo, que a alimentação ou o sono me causarão uma enfermidade mortal ou uma morte imediata. por favor, vai buscar-me alguma coisa para comer, não importa o que seja, desde que seja um alimento que me faça bem.

2. alex marins:

ca
tarina: quanto pior me trata, mais finge gostar de mim. casou-se comigo para fazer-me morrer de fome? os mendigos que pedem na porta de meu pai só precisam estender a mão para receberam a esmola. se não lhes é dada, encontram a caridade noutra parte. mas eu, que nunca pedi nada, que jamais tive necessidade de nada, estou com fome por falta de alimentos e estonteada por falta de sono. os praguejamentos me mantêm acordada e o barulho substitui a comida. e o que me mortifica mais ainda que todas essas privações, é que ele faz tudo isso pretextando um perfeito amor. poder-se-ia dizer, ao ouvi-lo, que a alimentação ou o sono me causarão uma enfermidade mortal ou uma morte imediata. por favor, vai buscar-me alguma coisa para comer, não importa o que seja, desde que seja um alimento que me faça bem.

pode uma coisa dessas?!



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



23 de ago de 2009

typo/graphic posters via lasarina



22 de ago de 2009

cadê o tradutor?

O site da superstar do rock anunciava o Tourist Trophy, com a imagem de um carneiro Loughton pendurado numa corda de bungee. Mostrava também a empresa de food service que atendeu à Gagosian Gallery, com um close no quarterback de um dos times da Ivy League que estava por lá, apreciando algumas fotos de earth art e land art.

vá lá que dei uma montadinha nuns trechos, mas juro que é verdade!

título em homenagem ao delicioso cadê o revisor?, de pablo vilela

imagem: www.gallery.venomgfx.com.ar

manuscrito encontrado em uma garrafa

ainda documentando o plágio de edgar allan poe, histórias extraordinárias, pela martin claret, em pseudotradução, na verdade copiada de brenno silveira.

[...] Escapei da morte por verdadeiro e inexplicável milagre. Aturdido pelo violento impacto da água, encontrei-me, ao voltar a mim, comprimido entre o leme e o cadaste. Pus-me de pé com grande dificuldade e, ao olhar, tonto, em torno, tive a impressão de que nos achávamos em meio de ondas de rebentação, tão espantoso e inacreditável era o redemoinho de águas tumultuosas e espumejantes em que nos encontrávamos engolfados. Decorrido um momento, ouvi a voz de um velho sueco, que embarcara poucos minuto antes de o navio partir. Gritei-lhe a plenos pulmões e ele, afinal, veio ao meu encontro, cambaleante. Verificamos, logo, que éramos os únicos sobreviventes do acidente. Com exceção de nós, todos os que se achavam no convés haviam sido varridos para o mar; o capitão e os marinheiros deviam ter perecido enquanto dormiam, pois as cabinas foram inundadas. Sem assistência, pouco podíamos fazer pela segurança do navio, e nossos esforços foram, a princípio, paralisados pela impressão de que iríamos soçobrar. Nossa amarra, certamente, ao primeiro sopro do furacão, partira-se como um fio de linha; do contrário, teríamos sido imediatamente tragados pelas vagas. Deslizávamos com espantosa velocidade sobre o mar, enquanto a água se precipitava sobre as visíveis brechas. O vigamento da popa estava errivelmente avariado e, sob odos os aspectosw, havíamos sofrido danos consideráveis; mas, para nossa grande alegria, vimos que as bombas funcionavam e que a carga permanecera mais ou menos em seu lugar. (brenno silveira)

[...] Escapei da morte por verdadeiro e inexplicável milagre. Atordoado pelo violento impacto da água, encontrei-me, ao recobrar os sentidos, comprimido entre o leme e o cadaste. Levantei-me e, ao olhar, zonzo, em volta, tive a impressão de que estávamos em meio de ondas de rebentação, tão assombroso e incrível era o redemoinho de águas tumultuosas e espumejantes em que estávamos mergulhados. Passado um momento, ouvi a voz de um velho sueco, que embarcara poucos minutos antes de o navio partir. Gritei-lhe a plenos pulmões e ele, cambaleante, veio ao meu encontro, afinal. Logo verificamos que éramos os únicos sobreviventes do acidente. Exceto nós, todos os que estavam no convés haviam sido varridos para o mar; o capitão e os marinheiros deviam ter morrido enquanto dormiam, pois as cabinas foram inundadas. Sem ajuda, pouco podíamos fazer pela segurança do navio, e nossos esforços foram, a princípio, paralisados pela impressão de que iríamos afundar. Nossa amarra, certamente ao primeiro sopro do furacão, partira-se como um fio de linha. Se não fosse assim, teríamos sido imediatamente tragados pelas ondas. Deslizávamos com espantosa velocidade sobre o mar, enquanto a água se precipitava sobre as visíveis tendas [sic!]. O vigamento da popa estava terrivelmente danificado e, sob todos os aspectos, havíamos sofrido danos consideráveis; porém, para nossa grande alegria, vimos que as bombas funcionavam e que a carga continuara mais ou menos em seu lugar. (pietro nassetti)


abaixo o original e uma amostra de outra tradução de verdade:


By what miracle I escaped destruction, it is impossible to say. Stunned by the shock of the water, I found myself, upon recovery, jammed in between the stern-post and rudder. With great difficulty I gained my feet, and looking dizzily around, was at first struck with the idea of our being among breakers; so terrific, beyond the wildest imagination, was the whirlpool of mountainous and foaming ocean within which we were ingulfed. After a while, I heard the voice of an old Swede, who had shipped with us at the moment of our leaving port. I hallooed to him with all my strength, and presently he came reeling aft. We soon discovered that we were the sole survivors of the accident. All on deck, with the exception of ourselves, had been swept overboard; the captain and mates must have perished as they slept, for the cabins were deluged with water. Without assistance, we could expect to do little for the security of the ship, and our exertions were at first paralyzed by the momentary expectation of going down. Our cable had, of course, parted like pack-thread, at the first breath of the hurricane, or we should have been instantaneously overwhelmed. We scudded with frightful velocity before the sea, and the water made clear breaches over us. The frame-work of our stern was shattered excessively, and, in almost every respect, we had received considerable injury; but to our extreme joy we found the pumps unchoked, and that we had made no great shifting of our ballast.


Não sei dizer por que milagre escapei à destruição. Atordoado pelo embate de água, dei por mim, uma vez refeito, entalado entre o cadaste e o leme. com grande dificuldade, pus-me de pé e, olhando confusamente ao redor, fui inicialmente assaltado pela idéia de que estivéssemos no meio de recifes, de tal modo terrível e inimaginável era o turbilhão do oceano alteroso e espumejante em que estávamos mergulhados. Passados algum tempo ouvi a voz de um velho sueco, que embarcara conosco no momento em que largávamos do porto. Gritei-lhe com todas as forças e ele acabou por dirigir-se, a cambalear, para a popa. Depressa descobrimos que éramos os únicos sobreviventes do acidente. Todos os que estavam no convés, exceto nós, tinham sido varridos pela borda fora; o comandante e os oficiais deviam ter perecido durante o sono, visto que os camarotes se encontravam totalmente alagados. Sem auxílio, pouco poderíamos contar fazer pela segurança do navio e os nossos esforços foram de princípio paralisados pela perspectiva momentânea de irmos a pique. Era evidente que a amarra se quebrara como se fosse uma guita ao primeiro sopro do furacão, pois de contrário teríamos sido instantaneamente esmagados. Corríamos com o furacão a uma velocidade assustadora e as águas abriam brechas visíveis à nossa frente. A estrutura da popa tinha sofrido enormes danos e, praticamente sob todos os aspectos, fôramos objeto de consideráveis avarias; mas para nossa extrema alegria, descobrimos que as bombas não tinham ficado obstruídas e que o lastro não sofrera grande deslocação. (oscar mendes e milton amado)



atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.



imagem: www.historiaehistoria.com.br

21 de ago de 2009

jabuti 2009


saiu a relação dos dez selecionados para o prêmio jabuti 2009, na categoria tradução literária.

são eles:

cláudio aquati (satíricon)
marise curioni (a morte de empédocles)
maurício santana dias (40 novelas de pirandello)
irene hirsch e alexandre barbosa de souza (moby dick)
safa jubran (porta do sol)
erick ramalho (poemata)
paulo bezerra (os irmãos karamázov)
josé carlos baracat jr. (enéada)
moissei mountian (o diabo mesquinho)
leonardo fróes (contos completos de flannery o'connor)

no quadro da comemoração do ano brasil-frança, em 2009 há também uma categoria extra, tradução literária de obras em francês. os selecionados são:

andré telles e rodrigo lacerda (o conde de monte cristo)
flávia nascimento (topografia ideal para uma agressão caracterizada)
rosa freire d'aguiar (a elegância do ouriço)
marcelo jacques (a estátua de sal)
andré telles (as damas do vento)
tatiana salem lévy (filho único)
mauro pinheiro (promessa ao amanhecer)
jorge bastos (uma vontade louca de dançar)
joaquim pinto da silva (fugir)
eloísa araújo ribeiro (o despovoador mal visto mal dito)

parabéns a todos pela seleção. fico feliz que tantos sejam também fiéis amigos e apoios na luta contra o plágio!

a relação completa dos selecionados em todas as categorias se encontra no site da cbl.

muito educativo

a metodologia jurídica de savigny, pela editora rideel, em cópia de tradução que atribui a "heloísa da graça buratti" em artigos, teses, bibliotecas:



www.direitouerj.org.br/2005/.../Boletim_11.htm
www.esdc.com.br/RBDC/.../RBDC-10-383-Emerson_Garcia.pdf
http://www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo=883
www.lex.com.br/noticias/artigos/default.asphttp://sirius.uerj.br/cgi-bin/vtls.web.gateway
www.sec.ba.gov.br/iat/SITE_2007/acervo%20biblioteca%201.pdf
www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo...

imagem: www.goodhousekeeping.com

20 de ago de 2009

zumbi trapalhares VII, a cambulhada

além das retificações, feitas na fbn/isbn, das discrepâncias malucas entre dados cadastrais e dados catalográficos de obras brasileiras e portuguesas publicadas pela editora martin claret, constam algumas alterações suspeitas.

relaciono abaixo os casos alterados. todos eles estavam cadastrados com o nome de pietro nassetti ou pietro massetti como autor da tradução. agora constam assim:

85-7232-414-3: kafka, o processo, trad. torrieri guimarães
85-7232-413-5: ômar souki, respostas para a vida 2 [ok, vá lá, o autor é brasileiro]
85-7232-412-7: ômar souki, respostas para a vida 1 [ok, vá lá, o autor é brasileiro]
85-7232-436-4: as minas do rei salomão - a ficha com este título agora abre como "walt whitman, folhas de relva"
85-7232-529-8: o rei epido [sic] - a ficha com este título agora abre como "josé de alencar, lucíola"
85-7232-557-3: rimbaud, uma estadia no inferno, trad. daniel fresnot
85-7232-572-7: virgílio, eneida, trad. manuel odorico mendes
85-7232-575-1: benjamin franklin, pragmatismo, trad. jorge caetano da silva
85-7232-580-8: joseph conrad, o coração das trevas, trad. luciano alves meira
85-7232-637-5: epicuro, pensamentos, sem nome de tradutor
85-7232-419-4: os quatro cavaleiros do apocalipse - a ficha com este título agora abre como "domingos olímpio, luzia-homem"
85-7232-433-X: djalma argolo, na presença do cristo [ok, vá lá, idem]
85-7232-432-1: djalma argolo, o reflexo do cristo [ok, vá lá, idem]
85-7232-425-9: beccaria, dos delitos das penas [sic], trad. torrieri guimarães


uma coisa é enviar a nossos órgãos públicos uma solicitação de isbn totalmente maluca e a mocinha ou o mocinho da fbn/isbn cadastrar uma ficha e liberar um isbn para essa estapafúrdia solicitação. a claret é fora de série, mas a mocinha ou o mocinho da fbn/isbn, por seu lado, não pode se fazer de tonta ou de tonto e aceitá-la como se nada fosse.

outra coisa é enviar a nossos órgãos públicos uma solicitação de isbn aparentemente normal, plausível, pois ninguém parte do princípio de que é uma fraude. e aí, claro, a mocinha ou o mocinho da fbn/isbn apenas cumpre o que se espera, que é cadastrar a obra e liberar o uso do isbn para ela. (na verdade, podiam pelo menos digitar direito - rei epido é de doer!)

se eu, como cidadã, recorro às vias legais para conseguir que um órgão público desempenhe suas funções com um mínimo de correção e se, como cidadã, sou atendida, ótimo. mas se parece que talvez estejam aproveitando o embalo da minha representação para fazer outras modificações, aí já acho meio complicado e vou querer tirar satisfação.

resumo: até data recente havia 74 traduções cadastradas na fbn/isbn em nome de "pietro nassetti" e 23 em nome de "pietro massetti". agora são 57 no primeiro caso e 18 no segundo. de um total de 97, baixou para 75, ou seja, tiraram 22 atribuições ao Inefável. dessas 22, apenas 7 correspondem aos casos estapafúrdios para os quais pedi providências.

quero saber como e por que eliminaram as outras 15.

imagem: www.eben.com

19 de ago de 2009

os padecimentos de savigny

friedrich karl von savigny (1779-1861) é um dos luminares do historicismo jurídico ou da chamada "escola histórica do direito".

uma de suas obras mais importantes, juristiches methodenlehre (metodologia jurídica), foi publicada no brasil em 2001 pela extinta edicamp, uma pequena editora de campinas especializada em estudos jurídicos.

é um livro pequeno de edição caprichada. papel bom, de boa cor para a leitura, capa bonita, com orelha larga, gramatura pesada, agradável de ter nas mãos. a ficha catalográfica é completa e honesta: trata-se de uma tradução da clássica tradução espanhola de j. j. santa-pinter.

conversei com a tradutora para o português, hebe caletti marenco, sobre esse seu trabalho. além de ser um texto muito bem vasado em português, a tradutora relatou a cuidadosa pesquisa de terminologia jurídica a que procedeu, para garantir a precisão técnica dos termos e conceitos.

naturalmente, como as pragas bíblicas nos têm assolado de maneira impiedosa, encontro na livraria uma edição da metodologia jurídica de savigny em papel branco-horror (como diz raquel do jane austen em português), de terceira categoria, que massacra os olhos do leitor, com uma capa mal refilada de cartão grosso, com o verso áspero que se esfarela quando a gente passa o dedo, a frente com uma plastificação manchada, sem orelha nenhuma.

até aí, passa (embora, sendo um livrinho pequeno, R$ 15,00 por ele não é tão barato assim, e não justificaria a baixa qualidade). o problema mesmo é que o nome de hebe caletti marenco como responsável pela cuidadosa tradução indireta da obra foi pelo ralo. e aí não é mais questão de bonito ou feio, caro ou barato, e sim de roubo intelectual.

ao consultar a editora rideel, que abriga essa fraude sob sua égide, ela me afirmou que está "bem calçada" e possui "todos os contratos assinados" com "heloísa da graça burati", aparentemente sua pietra nassetti de plantão. bom, isso é problema lá da editora com seus colaboradores contratados. meu problema como leitora é que existe à venda um livro publicado pela referida editora - que traz em seu expediente o nome do editor responsável pela edição (e, portanto, pela fidedignidade dos dados sobre a autoria da tradução) -, sendo que na verdade trata-se de um embuste.

vamos lá:

1. hebe caletti marenco
Introdução
Uma vez que o êxito dos trabalhos eruditos não depende somente do talento, isto é, do grau da força espiritual do indivíduo, nem da aplicação, ou seja, de certo uso dessa força, deve existir também um terceiro fator do qual dependa em grande medida o método, a direção de tal força. Cada um tem um método, mas em poucos tem-se tornado uma consciência e um sistema. Porém, o método é elevado a sistema pelo fato de que uma ciência é estruturada em conformidade com as leis inerentes à sua natureza ou em conformidade com um ideal desta. Só a contemplação dela nos conduzirá a um método correto. Como podemos, então, atingir o ideal de uma ciência? Um meio auxiliar geral é a história da literatura, pois dela surge o estudo literário e, com isso, um método geral e um juízo sobre o indivíduo particular. (edicamp, p. xv)

2. "heloísa da graça buratti"
Introdução
Uma vez que o êxito dos trabalhos eruditos não depende somente do talento, isto é, do grau da força espiritual do indivíduo, nem da aplicação, ou seja, de certo uso dessa força, deve existir também um terceiro fator do qual dependa em grande medida o método, a direção de tal força. Cada um tem um método, mas em poucos se tem tornado uma consciência e um sistema. Porém, o método é elevado a sistema pelo fato de que uma ciência é estruturada em conformidade com as leis inerentes à sua natureza ou em conformidade com um ideal desta. Só a contemplação dela nos conduzirá a um método correto. Como podemos, então, atingir o ideal de uma ciência? Um meio auxiliar geral é a história da literatura, pois dela surge o estudo literário e, com isso, um método geral e um juízo sobre o indivíduo particular. (rideel, p. 15)


1. hebe caletti marenco
A legislação deve ser concebida em um determinado período. Com isto retornaremos à elaboração verdadeiramente histórica da jurisprudência, que já mencionamos (v. supra). Isto nos conduz ao conceito de uma história do direito que, por sua vez, está relacionada exatamente com a história dos Estados e dos povos, já que a legislação é uma ação do Estado. Porém, o conceito usual da história do direito é limitado demais. Ela era considerada como uma parte da história do Estado e somente eram enumeradas as mudanças introduzidas (história exterior do direito). Este fato, mesmo sendo útil, não era suficiente. O sistema deve ser concebido como em progresso constante, e estar relacionado com o todo (história interior do direito), mas não deve elaborar somente questões isoladas do direito.
Esta elaboração histórica da jurisprudência pressupõe outras elaborações, deve-se partir da exegese e relacionar o sistema com ela. (Pelo contrário, se também considerarmos a atividade espiritual, a elaboração histórica se assemelha à filológica e se coordena com ela. Ambas serão designadas como elaboração histórica e estarão colocadas à frente da sistemática.) Disto surge, então, a elaboração histórica. A legislação deve, primeiramente, estar separada em seus elementos particulares, e depois ser apresentada na relação verdadeira segundo seu espírito, e só então o sistema, assim descoberto, poderá ser colocado nos períodos particulares determinados, segundo uma ordem histórica. (edicamp, pp. 6-7)

2. "heloísa da graça buratti"
A legislação deve ser concebida em um determinado período. Com isto retornaremos à elaboração verdadeiramente histórica da jurisprudência, que já mencionamos (v. supra). Isto nos conduz ao conceito de uma história do direito que, por sua vez, está relacionada exatamente com a história dos Estados e dos povos, já que a legislação é uma ação do Estado. Porém, o conceito usual da história do direito é limitado demais. Ela era considerada como uma parte da história do Estado e somente eram enumeradas as mudanças introduzidas (história exterior do direito). Este fato, mesmo sendo útil, não era suficiente. O sistema deve ser concebido como em progresso constante, e estar relacionado com o todo (história interior do direito), mas não deve elaborar somente questões isoladas do direito.
Esta elaboração histórica da jurisprudência pressupõe outras elaborações, deve-se partir da exegese e relacionar o sistema com ela. (Pelo contrário, se também considerarmos a atividade espiritual, a elaboração histórica se assemelha à filológica e se coordena com ela. Ambas serão designadas como elaboração histórica e estarão colocadas frente à sistemática.) Disto surge, então, a elaboração histórica. A legislação deve, primeiramente, estar separada em seus elementos particulares, e depois ser apresentada na relação verdadeira segundo seu espírito, e só então o sistema, assim descoberto, poderá ser colocado nos períodos particulares determinados, segundo uma ordem histórica. (rideel, pp. 23-24)

aliás, esta única alteração no trecho me parece bastante infeliz. ninguém há de discordar que "à frente de" é bastante diferente de "frente a". pelo que entendo, savigny está dizendo que a elaboração histórica da jurisprudência, na doutrina historicista do direito, deve vir antes da elaboração do direito como sistema. no texto da rideel, por causa dessa descabida mudança, a relação de anterioridade se transforma numa relação comparativa, se não antagônica: a história frente ao sistema...


atualização em 22/09/2009 - felizmente, a editora teve por bem retirar esta e outras obras fraudadas de seu catálogo.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.