31 de jan de 2009

jack london na claret


mais um cotejo que estava no fundo do baú: jack london, white fang.

caninos brancos teve várias traduções no brasil, desde a primeira feita por monteiro lobato até a mais recente de rosaura eichenberg.

a insaciável claret recorreu ao infatigável nassetti, garfando a tradução portuguesa de olinda gomes fernandes, pela editora civilização, porto, 1969. a tradução de olinda traz o nome de colmilhos brancos, mas a inclemente claret preferiu a forma consagrada no brasil, caninos brancos mesmo.

este plágio traz as substituições habituais na claret - alterações cosméticas da primeira frase; troca de termos menos usuais, como "arrostar" por "enfrentar", "cabedal" por "couro macio", "terra ártica" por "terra do pólo norte" e assim por diante.

Capítulo I.
- civilização:
[...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agoirentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não chegava para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e os esforços da vida. Era a terra árctica, agreste e gelada. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] Um vento recente arrancara às árvores o seu manto de geada, e elas pareciam inclinar-se umas para as outras, negras e agourentas, na luz agonizante. Reinava sobre a paisagem um silêncio imenso. Aquela região era desolada, sem vida, sem movimento, tão só e gelada que a palavra tristeza não era suficiente para a descrever. Havia nela uma sugestão de riso, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza - um riso sem alegria, como o sorriso da esfinge, um riso frio como o gelo e com algo do horror da infalibilidade. Era a sabedoria despótica e incomunicável do riso eterno perante a futilidade e as agruras da vida. Era a terra do pólo Norte, agreste e gelada. (pietro nassetti)

Capítulo III
- civilização:
[...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcateia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] Henry sentou-se no trenó e ficou a observar. Não podia fazer mais nada, já perdera de vista o companheiro; mas, de vez em quando, aparecendo e desaparecendo por entre os grupos isolados de árvores, lobrigava o Desorelhado. Calculou que o cão estava perdido. Dir-se-ia que o próprio animal tinha consciência do perigo em que se encontrava, mas corria traçando um extenso círcuo exterior, enquanto a alcatéia de lobos se movimentava num círculo interior e mais acanhado. Tornava-se fútil admitir a possibilidade de o cão ultrapassar o círculo formado pelos seus perseguidores e conseguir alcançar o trenó. (pietro nassetti)

Último capítulo
- civilização:
[...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Colmilhos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha directamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (olinda gomes fernandes)

- claret:
[...] A este não se podia censurar o seu juízo errado. Passara toda a vida a tratar seres humanos, produtos de uma civilização que os enfraquecera, que levavam vida fácil e descendiam de muitas gerações criadas de igual modo. Comparados com Caninos Brancos, não passavam de entes frágeis e débeis, incapazes de se agarrarem à vida com força suficiente. Ele vinha diretamente da selva; no meio onde se criara, os fracos não subsistem; e não havia quaisquer contemplações. (pietro nassetti)

em tempo: outra coisa absolutamente obrigatória nos livros é a ficha catalográfica. esqueci de comentar que a claret não é dada a tais vezos, sequer a colocar o nome original da obra na página de créditos.

em compensação, ela nunca se esquece de especificar "copyright desta tradução: editora martin claret, ano tal", nem de estampar cinicamente, na primeira página, o soturno selo da abdr: "cópia não autorizada é crime: respeite o direito autoral".

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

imagens: capa ed. civilização, 1969; selo da abdr

30 de jan de 2009

livreto e cartilha

desde dezembro de 2007, o minc está promovendo debates e seminários entre a sociedade civil, recolhendo subsídios para elaborar uma proposta de reformulação da atual lei do direito autoral.

finalmente saiu um esboço inicial da proposta elaborada pela coordenação geral do direito autoral, minc, incluindo vários subsídios oferecidos pelas mais diversas entidades artísticas, literárias e científicas durante aqueles debates e seminários.
para baixar em pdf:





e lançaram também uma cartilhinha superprática, tipo as 11 dúvidas mais frequentes, em pdf, já colocando mais ou menos a forma de abordagem com que a cgda está tratando o problema.

durante seis meses, até junho de 2009, haverá um amplo processo de consulta pública, para discussão e avaliação da proposta da cgda. para as entidades geralmente pouco ouvidas em processos que tantas vezes ficam restritos aos corredores de brasília, acho uma ocasião e tanto! e mesmo para o mero fulaninho individual, feito eu, que se interessa por essas coisas de cidadania cultural, acho uma boa.

fiquei com vontade de escrever para eles e dizer que cuidem melhor dos isbns, por exemplo, e que diminuam esse prazo espantoso de 70 anos após a morte do autor para sua obra entrar em domínio público. 70 anos?! imaginem, o updike morreu ontem ou anteontem, só em 2080 é que os rabbitts dele vão para domínio público?! minha tataraneta não vai ter a menor idéia de quem foi o fulano. (não errei na aritmética: é 2080 mesmo porque os 70 anos são contados a partir de 01 de janeiro do ano subsequente à morte da pessoa). aí é dureza. em tempo: o prazo mínimo para entrar em dp, por convenção internacional, é de 50 anos após a morte do autor. chega, né?

um exemplo mais próximo da gente: o drummond. só vai para dp em 2058...

viva legal, faça legal!


nessas irregularidades que venho apontando nesse tempo todo, que envolvem plágios, apropriações indébitas, contrafações etc., deu para notar também a alta incidência de irregularidades no número de isbn dessas obras, obrigatório por lei.

ou não estão cadastradas de jeito nenhum na agência brasileira do isbn, ou estão, mas com dados que não batem com os dados no livro impresso, ou ainda têm um registro para um determinado número de isbn que não bate com o isbn do livro impresso.

já expus em outro post a importância que, a meu ver, tem o isbn como identificador de um livro - não só por razões comerciais ou catalográficas, mas até como um indicador da maior ou menor transparência nos procedimentos adotados pelas editoras.

então gostaria de lembrar ao grupo geração, como responsável pelo selo jardim dos livros, que todos os títulos do referido selo (à exceção de um, justamente a arte da guerra do tal nikko bushido, de triste fama) apresentam problemas de isbn: ou não estão cadastrados ou, quando cadastrados, os números não batem com os que estão no catálogo do site. em vista da decisão do sr. luiz emediato em proceder à retirada de circulação dos títulos com fraude, eu sugeriria humildemente que aproveitasse a ocasião e determinasse a regularização dos isbns dos demais títulos.

imagem: en.wikipedia.org

29 de jan de 2009

coisas legais


Tito Lívio, História de Roma, Livro I.
trad. Mônica Costa Vitorino
edição bilíngue, pela Crisálida Editora

que legal!

jardim dos livros

reproduzo aqui as providências anunciadas pelo sr. luiz fernando emediato, responsável editorial do grupo geração, a respeito de a arte da guerra e o essencial do alcorão, títulos do selo jardim dos livros, do referido grupo.

Alertados pela fraude das traduções de livros da Jardim - e agora pelo renomado Jorio Dauster, que sempre admirei - mandamos avaliar as traduções.

Já identificamos os problemas e tomamos a decisão (já anunciada para a senhora) de determinar a nossos sócios que:

1. Retirem do mercado os livros "contaminados".
2. Providenciem novas traduções para os livros que valem a pena manter à disposição dos leitores.

Luiz Fernando Emediato

pedi ao sr. luiz fernando emediato uma estimativa de prazo. (isso porque, por exemplo, a martin claret sempre dizia que ia retirar de circulação seus plágios, e no fim acabava nunca tirando.) são casos muito diferentes, naturalmente, e a gente sempre torce pelo melhor.

28 de jan de 2009

alô, alô, realengo

uma coisa interessante, por ora apenas um detalhe, mas que achei curioso.

a nova (in)cultural, como a grande desbravadora da rota do plagiato industrial, solertemente acompanhada pelo meliante martin claret, sempre e sempre perpetrou suas delinquências em cima de obras com o original em domínio público. concentrava-se no roubo de traduções, poupando-se a dor de cabeça e o valor de renovar contratos com as editoras legítimas detentoras dos direitos de publicação das tradução ou, em caso das editoras extintas, com os legítimos sucessores desses direitos.

mesmo a pífia tentativa do sr. fábio cyrino, da landmark, de se arrogar a "co-autoria" tradutória de persuasion com a deslavada cópia da tradução de isabel sequeira, ou seu suposto abuso dos termos do contrato tido e havido com a revisora carolina caires coelho, segundo informa ela, no caso da escancarada cópia de o morro dos ventos uivantes, movem-se no campo de obras em domínio público.

a grande novidade trazida em julho de 2008 pelo jardim dos livros, como selo da geração editorial, é praticar o saque explícito em cima de traduções de obras atuais, remotamente afastadas de qualquer futura data para entrar em domínio público.

então, donas editoras preocupadas com a concorrência predatória, atenção aí: esse tipo de tubaína não está apenas poupando lá seus tostões nos contratos de cessão de direitos das traduções, mas pelo visto, ao menos no caso de o essencial do alcorão, dispensa-se sequer de se preocupar com os direitos da obra originária. afora os dois aspectos principais: tratar a nós leitores feito papalvos e detonar qualquer possibilidade de consolidação de um patrimônio intelectual do país.

e depois sou eu que faço "acusações injustas"? acorda lá, seu luiz emediato, e veja se o jardim dos livros que o sr. comprou não veio infestado de erva daninha. como dizem, quem avisa amigo é, e o sr. devia era mais me agradecer. limpe o joio, e dê continuidade àquela sua tão relembrada iniciativa de recall em 2000, arranque ligeiro esse matagal que infesta seu jardim, dê as devidas satisfações ao povo que entregou seu dinheirinho para comprar tais coisas, e toque o barco em frente, com dignidade.

pois isso quem é de bem não merece.

imagem: http://www.ckagricola.com/ckagricola/arquivos/tubarao.jpg

27 de jan de 2009

o milheiro das letras


esta eu encontrei no todoprosa, o blog de literatura de sérgio rodrigues: a lista dos mil romances que the guardian decretou definitivamente imperdíveis. muito divertida!

minha amiguinha raquel do jane austen em português vai gostar: os seis livros da senhorita estão lá.

imagem: www.hex.com.br

sobre o essencial do alcorão

houve uma notícia que achei importante, pois, além de se tratar de mais um plágio em circulação no mercado, iludindo o leitor e ludibriando sua boa-fé, parece indicar o surgimento de mais um fantasma na praça.

trata-se do plágio apontado por joana canêdo na edição o essencial do alcorão, de thomas cleary, pelo jardim dos livros, selo da geração editorial (conforme consta em seu release), aqui noticiado em 23 de janeiro. reproduzo os comentários de joana:

"Não precisei ir além da primeira página no cotejo. Para não dizer que não tem uma vírgula fora do lugar, na última linha da página tem uma vírgula a mais antes do 'etc.'. Além disso, eles atualizaram a referência bibliográfica para a norma abnt corrente - quanta presteza! Diga-se de passagem, até a nota do tradutor é idêntica. Curioso como duas pessoas diferentes conseguem não só fazer a mesma tradução, mas tb bolar a mesma nota! Se ainda não está convencida, digo com todas as letras: não são em absoluto duas traduções; é a mesma tradução letra por letra.Tá bom, eles inovaram na edição: cortaram a introdução no meio e criaram um capítulo novo que começa no parágrafo em que a introdução havia sido interrompida. Outra novidade é uma nota que na edição de 1993 não tem autoria indicada (o que dá a entender que se trata de uma nota do autor), agora devidamente assinada por Pedro H. Berwick! Ok, talvez eu esteja exagerando, já que as notas do autor estão devidamente organizadas no final do capítulo da ed. de 1993 e devidamente reproduzidas nos rodapés da ed. de 2008."

comparando-se os scans aqui publicados com a introdução e o primeiro capítulo disponíveis para download no site geração online, fica evidente que se trata de uma cópia da tradução de leila v. b. gouvêa, publicada pela best seller em 1993, lançada no jardim dos livros em julho de 2008 em nome de "pedro h. berwick".

meus votos de que o grupo responsável pelo selo tome rápidas providências para retirar o livro de circulação e fazer uma errata pública avisando os leitores sobre o fato.

les belles-lettres



indicação: federico carotti

26 de jan de 2009

mais claro impossível

Denise,

Excelente sua resposta, clara e objetiva. Não resta dúvida de que, ao adquirir a Jardim dos Livros e continuar a publicar as obras que passaram a seu controle no bojo dessa operação, a Editora Geração passou a ser responsável pela distribuição do plágio da Arte da Guerra. Caso seus dirigentes não soubessem que a tradução era um miserável embuste, basta que reconheçam esse fato, suspendam imediatamente a venda da obra conspurcada e encomendem novo texto em português junto a um dos muitos bons tradutores que estão por aí – sem prejuízo de buscar reparação judicial junto aos que lhe venderam um produto tóxico.

Jorio Dauster

PS – Você está autorizada a publicar essa mensagem no blog.

esclarecimentos dos esclarecimentos

a afirmação dos drs. armando mendonça e gerson mendonça neto, em notificação enviada a mim e publicada aqui, de que são inverídicos os fatos narrados no blog, em que eu teria feito acusações levianas contra seus clientes e sem comprometimento com a verdade dos fatos, não procede.

pelas seguintes razões:

- as informações sobre o livro a arte da guerra, que consta no catálogo do grupo geração, foram extraídas do site geração online.

- as informações de que a geração editorial, em sociedade com a editora leitura, adquiriu 50% da antiga editora jardim dos livros, convertendo-a em selo do grupo geração, também foram extraídas do site geração online.

- as informações sobre a responsabilidade específica da editora geração pela parte editorial do grupo geração foram igualmente extraídas do mesmo comunicado no site geração online.

- as informações sobre a prática de plágio utilizada na obra a arte da guerra pela jardim dos livros foram extraídas da matéria "o pega-pega da arte da guerra", de adam sun, na revista piauí, n. 22.

- as informações sobre a manutenção da obra a arte da guerra no catálogo ativo do grupo geração foram extraídas do informativo publishnews.

- as datas de referência:
a. da formação do grupo geração, com a transformação da editora jardim dos livros em selo editorial do grupo e a definição da responsabilidade editorial específica a cargo da editora geração;
b. da denúncia de plágio da obra a arte da guerra, feita por adam sun;
c. da divulgação dos resultados comerciais do grupo geração para o ano de 2008, com destaque para a referida obra a arte da guerra,
são respectivamente os meses de março, julho e novembro de 2008.

- as informações referentes ao teor e à cronologia das datas acima citadas foram extraídas: a. do site geração online; b. da revista piauí; c. do site da publishnews.

- as informações sobre os números de isbns estampados na obra, seja em paperback ou em formato pocket, foram extraídas do site geração online, já mencionado, e do site da agência brasileira do isbn, na fundação biblioteca nacional, além de verificação adicional feita em consulta aos sites de várias livrarias, a saber, livraria cultura, fnac e curitiba (n/c). as discrepâncias apontadas no nãogostodeplágio resultaram das comparações entre essas fontes.

não posso crer que todas essas fontes sejam levianas ou inverídicas. meu trabalho de consulta e pesquisa se baseou nas referências acima citadas, que foram sistematicamente mencionadas neste blog. quanto às conclusões objetivas a partir de tais informações, parecem-me acima de qualquer margem de dúvida.

esclareço também que não é meu propósito levantar acusações contra quem quer que seja. não faço trabalho de promotoria; faço pesquisas editoriais - quando constato eventuais irregularidades, apropriações, fraudes e falsificações, venho a público e apresento os fatos.

por fim, quanto à conceituação utilizada neste blog para definir os casos de irregularidades comprovadas, ela se baseia em dois elementos:
a. a convicção implícita e explícita de que o livro é um bem cultural e social da máxima importância, regulamentado por leis e normas que devem ser acatadas e cumpridas pelas editoras e seus responsáveis;
b. as acepções dicionarizadas dos termos, aplicados aos casos pertinentes após análise cuidadosa dos fatos objetivos.

não sou diretora de consciência de ninguém - mas, como cidadã preocupada com a idoneidade editorial brasileira submetida a fortes abalos desde 1995, expresso constantemente meus votos de que as editoras envolvidas interrompam essas práticas lesivas e contribuam para a restauração da credibilidade do livro no país.
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notificação

sexta-feira no final da tarde recebi um e-mail que trazia o título "notificação".

como ele especificava que seu conteúdo era sigiloso e proibia a divulgação de seu teor, no mesmo dia solicitei ao remetente autorização para publicá-lo no blog, pois a matéria tratada dizia respeito a dados divulgados publicamente no nãogosto, sob minha responsabilidade.

hoje recebi a gentil autorização de divulgá-lo com seus esclarecimentos.

Prezada Senhora Denise Bottman

Na qualidade de advogados de Luiz Fernando Emediato e Editora Geração de Comunicação Integrada Comercial Ltda., vimos, pela presente, esclarecer serem inverídicos os fatos narrados na matéria veiculada no blog Não gosto de plágio¸ em que, de forma leviana e sem o comprometimento com a busca da verdade real, foram feitas acusações contra nossos clientes.

O Grupo Geração e Luiz Fernando Emediato não possuem nenhuma ligação com a publicação referenciada. Já a Editora Geração apenas adquiriu o selo O Jardim dos Livros muito tempo depois da publicação da arte da guerra.

Por fim, vale ressaltar ser positiva a livre manifestação das pessoas, sendo que eventuais excessos com falsas acusações, calúnias e difamações serão prontamente refutadas, com medidas judiciais objetivando o resguardo à honra e dignidade das pessoas atacadas.

Atenciosamente
Armando Mendonça
Gerson Mendonça Neto
Advocacia

24 de jan de 2009

fórum nacional do direito autoral, atualizando

legal! o minc, em seu fórum nacional do direito autoral, disponibilizou ontem em seu blog os vídeos com as diversas apresentações feitas durante o seminário "autores, artistas e seus direitos", realizado no rio de janeiro em 27 e 28 de outubro do ano passado.

veja aqui.

a exposição de sheyla barretto, em nome da abrates e do antigo assinado-tradutores, é rápida, sucinta e densa. a meu ver, alguns pontos estão meio atropelados, e não entendi direito. em todo caso, acho importante a sugestão de que a legislação referente aos direitos autorais passe a incluir cláusulas sobre a necessária proteção contra terceiros que os titulares dos direitos patrimoniais das obras devem assumir como responsabilidade sua.

trocando em miúdos, no caso do livro: se o autor da obra (no original ou na tradução, tanto faz; a lei protege ambos por igual) cede os direitos de exploração comercial a uma editora, cabe a ela defender a integridadade dessa obra contra eventuais plágios, contrafações, apropriações indébitas, falsificações ideológicas e assim por diante.

até final de setembro de 2008 participei do grupo do assinado-tradutores. por discordar da orientação sindicalizante que alguns membros pretendiam imprimir ao trabalho, resolvi me afastar. mas a elaboração da pauta a ser apresentada no fórum do minc se deu no começo e meados de setembro, e participei ativamente dela.

esses pontos da pauta apresentada no seminário, referentes especificamente à necessidade de proteção dos direitos das obras cedidas, têm como pano de fundo as seguintes referências:

- o livro não é apenas um bem material. ele é também, e talvez principalmente, um bem imaterial, que se insere dentro do patrimônio intelectual de uma sociedade e do mundo todo. dentro de um determinado prazo, que pode variar de 50 a 100 anos após a morte do autor, dependendo do país, aquela obra entra em domínio público e passa a integrar o patrimônio cultural não só do próprio país, mas de toda a humanidade. deixa de ser propriedade particular de um determinado indivíduo ou de uma determinada empresa, e pode ser livremente reproduzida por qualquer pessoa física ou jurídica, desde que respeitada sua integridade (basicamente, respeitados os direitos morais do autor).

- ou seja, desde a sua criação, a obra do espírito traz dentro de si esse sinete indelével, essa marca definidora de sua inserção social, e ela passará a integrar o patrimônio intelectual de toda a sociedade, decorrido o prazo permitido por lei para sua exploração comercial em caráter de exclusividade.

- ora, é esse caráter de bem imaterial, de fruto da criação do espírito humano, que distingue uma obra intelectual dos bens estritamente materiais. vocês imaginam a coca-cola em domínio público? naturalmente a patente é protegida, e existem direitos de propriedade industrial muito bem definidos, garantindo a exploração comercial privada daquela mercadoria pelo tempo que for.

então o ponto é: quando um autor cede os direitos patrimoniais (isto é, de exploração comercial) de sua obra a uma editora, ele jamais cede os direitos morais - basicamente, seu nome como autor. o nome é, por lei, um direito indissociável, intransferível e inalienável de qualquer ser humano, que vale a qualquer tempo. [é por isso que o plágio é tido como o mais grave crime contra as obras do espírito, pois fere um direito de personalidade absolutamente básico e essencial, a saber, o direito do autor à sua identidade de pessoa, expressa no nome.] *

* aliás, é por isso que obras anônimas não são protegidas pela lei, pois, na ausência de nome, escapam à definição jurídica de pessoa e a qualquer responsabilidade civil. e é por isso que é feio ser anônimo - ao lado dos direitos, há os deveres, naturalmente. como anônimo, perde-se qualquer direito, mas sobretudo foge-se a qualquer responsabilidade.

mas, como a obra não é um simples bem material, e sim uma criação do espírito que integra o patrimônio intelectual da humanidade, ela não pode ser tratada a mesmo título de um bem material. assim, quando o autor cede sua obra para ser explorada comercialmente, e reserva para si esse seu direito inalienável de personalidade - o nome -, espera-se que a editora respeite esse direito que não lhe foi transferido. geralmente isso acontece, as editoras costumam respeitar o direito moral do autor.

o problema é que, nesses últimos 15 anos no brasil, com a onda de plágios que tem assolado o país, muitas editoras, mesmo sendo lesadas pelos plágios de concorrentes desleais, não querem, não podem ou não conseguem defender seus próprios direitos patrimoniais e muito menos os direitos morais daquela obra que está em seu catálogo. é uma situação complicada. muitas vezes o autor morreu, não tem descendentes, ou os descendentes não se interessam em fazer respeitar o nome do falecido, a editora considera que não vale a pena se desgastar ou acionar a concorrente fraudadora e assim por diante. assim, o aspecto principal de uma obra do espírito, que é sua inserção e pertença à sociedade, fica ao deus-dará. é este cenário de impunidade que favorece a proliferação do plagiato no brasil.

o aspecto que eu gostaria de ver contemplado na legislação autoral brasileira é a garantia de que o cessionário (isto é, o comprador) dos direitos de exploração da obra irá protegê-la contra ilicitudes de terceiros.

durante a apresentação no seminário do fórum nacional, sheyla barretto deu ênfase à reversão da titularidade ao cedente - na verdade, creio que isso seria meio ineficaz, embora seja uma possibilidade a ser contemplada. de meu ponto de vista, eu acharia mais eficaz e mais compatível com a própria natureza de uma obra intelectual que, constatada a eventual negligência ou incapacidade do cessionário em defendê-la contra terceiros, ela passasse a integrar o patrimônio cultural do país a título de obra em domínio público.

sempre faço uma comparação mental entre comprar um carro e adquirir os direitos de exploração comercial de uma obra: um carro, se você compra, você pode fazer o que quiser - largar, detonar, cuidar, botar fogo, deixar que roubem, fazer seguro, não fazer seguro. você é dono dele. agora uma obra não - você nunca a compra inteira, compra apenas o direito de reproduzi-la e vender essas reproduções - é o chamado copyright. então você nunca é proprietário completo da obra: é mais ou menos como se você fosse um depositário da confiança do autor, com o compromisso implícito de defendê-la.

resumindo: eu gostaria que esse compromisso implícito se tornasse explícito na reforma da lda.





uma dúvida que já me levantaram algumas vezes: se uma obra está em domínio público, então qual é o problema do plágio? são duas coisas diferentes. entrar em domínio público significa que qualquer pessoa pode reproduzir aquela obra sem pagar direitos autorais, pois ela pertence a toda a sociedade. já o plágio significa ferir um direito que nunca deixa de existir, mesmo após a morte da pessoa: o direito ao nome. ou seja, se miguel de cervantes está em domínio público, isso não significa que ele deixou de ser miguel de cervantes e que você pode publicar dom quixote dizendo que foi você ou zequinha da silva que escreveu o livro.

imagens: http://www.kingsgrave.com/; calder, maquette III, national gallery; iluminuras, biblioteca vaticana

23 de jan de 2009

the spectacled bear

fábio cyrino, o autonomeado "co-autor" de persuasão de jane austen, na edição da landmark que é uma cópia mal disfarçada da tradução de isabel sequeira, publicada pela europa-américa, agora ganha fama internacional.

o essencial do alcorão/ best seller 6


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

o essencial do alcorão/ best seller 5


o essencial do alcorão/ best seller 4


o essencial do alcorão/ best seller 3


o essencial do alcorão/ best seller 2


o essencial do alcorão / best seller 1


para ampliar, clique em cima da imagem.

o essencial do alcorão / jardim dos livros

a geração editorial disponibiliza em seu site o primeiro capítulo do livro chamado o essencial do alcorão, para visualizar ou baixar em pdf.

reproduzo aqui apenas a página de rosto:

THOMAS CLEARY
O ESSENCIAL DO ALCORAO
O COR A Ç ÃO DO I S L Ã

Tradução de
Pedro H. Berwick


e a página de créditos:

Título original: The Essential Koran: The Heart of Islam Copyright © Thomas Cleary, 1993 Licença editorial para Jardim dos livros Editora Ltda. Todos os direitos reservados.
Editor: Cláudio Varela
Diretor executivo: Ado Varela
Projeto gráfico: Vanderlucio Vieira
Revisão: Luciara Assis
Tradução: Pedro H. Berwick
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
C56e
Cleary, Thomas F., 1949
O essencial do Alcorão : o coração do Islã / Thomas Cleary ; tradução Pedro H. Berwick. - São Paulo : Jardim dos Livros, 2008.
il. ;
Tradução de: The essential Koran
ISBN 978-85-60018-14-7
1. Alcorão. 2. Islamismo. I. Título. 08-1911. CDD: 297.122 CDU: 297.18 16.05.08 19.05.08 006059
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem a prévia autorização da editora, por escrito, sob pena de constituir violação do copyright (Lei 5.988).
Impresso no Brasil Belo Horizonte – 1ª edição – julho / 2008
Todos os direitos reservados, no Brasil, à © Jardim do livros Editora Ltda. http://www.jardimdoslivros.com.br/editorial@jardimdoslivros.com.br

o texto para cotejo pode ser visto ou baixado aqui.


atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

como funciona o voluntariado cívico-cultural


minha querida amiga joana canêdo é uma figura. não a conheço, mas adoro!

ela apareceu quando o assinado-tradutores já estava se desmilinguindo - tentou bravamente dar uma ordem razoável à pauta de pontos que eu havia montado para enviar ao fórum dos direitos autorais do minc.

e se a sheyla carvalho da abrates conseguiu fazer uma apresentação decente no seminário do minc, foi por mérito seu e sobretudo por mérito da joana, que até o último momento corrigiu, montou, botou as coisas em ordem, pôs em powerpoint minimamente inteligível.

que figura! que generosidade e espontaneidade e eficiência!

bom, perdemos contato por alguns meses. retomamos nesta semana.

eu estava aqui alucinando com os meandros do submundo editorial, com as tubaínas venenosas do livro, e tentando manter um certo foco. aí, revendo umas suspeitas conexões entre a nova cultural, via best-seller, e a jardim dos livros, topei com algo que me pareceu ser mais um ectoplasma das letras.

bom, hoje a joana me informa sobre suas pesquisas.

meu deus, como é bom sentir gente ao lado, batalhando junto, e como é bom saber que a gente não é louca e que tem outras pessoas que também não se conformam com os descalabros.

depois que passar a aflição de mais um desmascaramento da bandidagem editorial brasileira, postarei um cotejo detalhado.
na versão inicial deste post, eu tinha redigido uma informação errada, envolvendo a dpl/golden books, que retirei agora. este plágio a que me refiro é da jardim dos livros, selo da geração editorial.
imagem: matisse

22 de jan de 2009

a ambiguidade ontológica do (i)mortal arnaldo niskier


no ano passado, com um intervalo de três meses e meio entre a redação e o despacho da missiva, recebi aqui em casa um envelope contendo uma linda moção da academia brasileira de letras, cheia de lindos timbres - "ad immortalitatem" - com a assinatura em tinta de verdade do presidente cícero sandroni, expressando a "grande preocupação" da academia à qual "pertencem alguns dos mais ilustres tradutores brasileiros", declarando "emprestar seu integral apoio" ao protesto contra os plágios de tradução, em defesa da "nobre atividade que vem sendo achincalhada por casas editoriais indignas de seu nome".

bom, quem acompanha este humilde blog e minha persistência de moscardo na questão dos plágios sabe muito bem que mandei individualmente a todos os imortais um histórico e dossiê das fraudes cometidas nessa infeliz terra do plagiato desbragado, e até hoje continuo a infernizá-los com meus boletins informativos. ou seja, nenhum deles pode alegar ignorância.

então a pergunta é: o sr. cícero sandroni, como presidente da academia brasileira de letras, ao me enviar aquelas cartas, estava falando em nome de quem? de todos os imortais? da maioria dos imortais? de alguns imortais? dele mesmo?

pois o ilustre imortal arnaldo niskier está presente, lépido e fagueiro, na chapa mais espantosa que já vi na vida, concorrendo a um cargo na vice-presidência da câmara brasileira do livro.

resumindo: O IMORTAL NISKIER É CONTRA OU A FAVOR DOS PLÁGIOS?

se ele for contra os plágios, que renuncie à sua infamante candidatura na chapa com editores que publicam ou mantêm em catálogo obras plagiadas, na disputa pelo comando da principal entidade do livro no país.

se ele for a favor dos plágios, que renuncie condignamente à sua cadeira na academia brasileira de letras.

em suma: não tem como adotar as duas posições ao mesmo tempo - ou se aceita ou se repudia o plágio.

imagem: carmen miranda

viva legal


letrinhas vieram, e disseram: estamos tristes, estamos nos sentindo meio desmoralizadas, queremos de volta nossa integridade alfabética.

aí avançou uma, e depois outra e mais outra. deram-se as mãozinhas e disseram:
"nós, c, b e l, agora queremos dizer Campanha pelo Bom Livro!"

depois vieram umas outras meio abatidas e disseram: "nós também queremos ser outra coisa, hoje em dia é uma bagunça, ninguém respeita f, b nem n, assim não dá! agora somos a Frente das Boas Normas!"

atropelando logo atrás, quatro letrinhas pálidas, esbaforidas, gritaram meio arquejantes: "dia e noite temos pesadelos com revólveres e metralhadoras, isso não é vida de letra que preste, agora nós, a, b, d e r, damos Acolhida Belamente Democrática às Reivindicações do povo que quer ler trechinhos em xerox sem ir para a cadeia!"

e lá no fundo, amontoadinhas, cambaleantes, escorando-se umas nas outras de tão fracas que estavam suas perninhas, quatro esquálidas letrinhas mal e mal conseguiam murmurar: "Ih, Sem Biotônico, Neca..."

só que, pelo jeito, as pobres letrinhas continuarão tão abusadas e violentadas quanto os leitores brasileiros que não gostam de comprar livros plagiados e quanto o pobre patrimônio intelectual do país, entregue à cupidez de editoras que publicam e mantêm plágios em seus catálogos.

atualizado em 07/03/2010: retirei algumas considerações finais em relação à cbl que não se fazem pertinentes.

21 de jan de 2009

martin claret fashion

a foto é boa, mas o livro ...

quanto à verdadeira paternidade desse moby dick em português, é de péricles eugênio da silva ramos, e não do tal alex marins que consta aqui no exemplar que tenho em mãos, igual ao da moça da foto.

coisas boas


hoje a europeana retorna ao ar. lembram quando foi lançada? ficou por pouco tempo, a visitação foi tão gigantesca que deu tilt. agora volta reconfigurada: http://www.europeana.eu/portal/

e algum dia teremos também a brasiliana digital. legal!

20 de jan de 2009

retificação

procedo hoje a uma retificação: o nome de carolina caires coelho foi excluído da lista das pessoas que assinam plágios, e nos respectivos cotejos da obra em questão passam a constar apenas os nomes das editoras.

embora apareça como responsável pela tradução de o morro dos ventos uivantes, tanto na ficha catalográfica quanto na página de créditos do exemplar impresso da editora landmark, informa carolina caires coelho que seu contrato com a referida editora foi exclusivamente para a revisão de texto.

tendo utilizado indevidamente o nome de sua colaboradora nos créditos de tradução, caberia à editora vir a público e expor as razões para o fato. caberia também a retirada imediata dos exemplares em circulação, uma errata para as livrarias, a imprensa e os leitores, além da atribuição dos verdadeiros créditos de tradução. em meu modesto entender, seria também conveniente eximir publicamente a profissional de qualquer responsabilidade pelo plágio.

com a palavra a editora landmark.


só finalizando

pela incontabilésima vez, quero deixar absoluta, meridianamente claro que não tenho nada a ver com a seara editorial. se os empresários se comem entre eles, se um fala mal do outro, se outro fala mal de um e por aí afora, it's not my bísnis, como dizem.





o ponto é um só: o livro vai para o leitor. tem que ir certo, idôneo, dentro da lei. os editores têm alguma dúvida a respeito? vão lá e briguem em suas entidades, briguem com o governo, mas enquanto isso publiquem livros certos, idôneos e dentro da lei.

posto isso, e para finalizar esses meus comentários intrometidos sobre as eleições na cbl, meu estado de choque perante a candidatura do sr. fábio cyrino e do sr. emediato à direção da referida entidade atingiu níveis estratosféricos quando reli a composição da chapa. pois foi aí que notei que o postulante à presidência é o sr. armando antongini filho, apresentando-se pela editora leitura.

bom, vários meses atrás o sr. emediato da geração editorial anunciou a meio mundo que estava se unindo justamente à editora leitura para comprar a jardim dos livros.*

então tudo o que falei até agora sobre minhas dúvidas quanto à probidade da geração editorial, a meu ver, pode se aplicar igualmente à editora leitura, pois são elas juntas, em sociedade, que comandam o selo jardim dos livros.


em suma: viva o plágio! do acoitamento à prática, da cabeça aos pés, da presidência à diretoria, passando pela vice-presidência da principal entidade do livro no brasil. aiai, amiguinhos, sobrou para nós.

* "a Geração já está em nova parceria: associou-se com a editora Leitura, de Belo Horizonte, e juntas compraram metade da Jardim dos Livros, de São Paulo. [...] Nessa fusão, a Leitura cuidará da parte comercial e logística; a Geração, da área editorial, e a Jardim dos Livros da área comercial em São Paulo e da direção editorial de livros de negócios."

19 de jan de 2009

como é mesmo?


livro tem dois documentos de identidade obrigatórios por lei: a ficha catalográfica e o número de isbn. refleti um pouco sobre isso num post de algum tempo atrás.

então fico meio espantada que algumas editoras nem dêem muita pelota para isso.

ainda em estado de choque com a notícia de que ilustres luminares praticantes ou acoitadores do plágio pretendem assumir a direção da cbl, resolvi dar uma olhadinha na jardim dos livros, que virou um selo da geração editorial.

a editora divulga em seu site 17 obras pelo dito selo "jardim dos livros", com os respectivos isbns. mas, se vc for ao site da fbn/isbn, vai encontrar apenas 7 registros. o pior é que, destes 7 registros, apenas 1 bate com o número de isbn que aparece no site da editora. ou seja, há 6 obras com registro de número trocado ou falsificado, e 10 obras de números sem absolutamente nenhum registro.

um exemplinho de consulta realizada.
A vida secreta de Laszlo, Conde Drácula Autor: Roderick Anscombe. ISBN: 978-85-60018-10-9
fbn/isbn: RESULTADO DA BUSCA - Nenhum registro foi encontrado.

se alguém quiser se entreter com uma brincadeira triste e enfadonha, é só pegar os números usados pela editora (que estão no site dela) e comparar com os números na fbn, que são estes:

7 Publicações encontradas, distribuídas em 1 página
85-60018-00-X ARTE DA GUERRA: OS TREZE CAPÍTULOS ORIGINAIS
978-85-60018-01-7 LINGUAGEM DO AMOR - MISCELÂNEA ROMÂNTICA
978-85-60018-02-4 TESOURO DOS REMÉDIOS DA ALMA
978-85-60018-03-1 COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA SER FELIZ
978-85-60018-04-8 A ARTE DA GUERRA - OS TREZE CAPÍTULOS ORIGINAIS - VERSÃO DE BOLSO
978-85-60018-05-5 O TOQUE DE UM ANJO - HISTÓRIAS PARA AQUECER O CORAÇÃO
978-85-60018-06-2 O PRÍNCIPE - COMENTÁRIOS DE NAPOLIÃO BONAPARTE E DA CRISTINA DA SUÉCIA

e não se preocupe se não entender direito. é uma vasta confusão, não porque seja tão impossível assim ter um isbn de verdade, mas porque tem mesmo coisa esquisita no meio desse troca-troca ou nessa falta de registro. hoje em dia eu penso assim: burlou isbn, está escondendo coisa.

imagem: releitura.wordpress.com

17 de jan de 2009

a cruzada de todos nós

quero agradecer a todas as pessoas que mantêm link em seus blogs para o nãogostodeplágio.

as editoras hedra e crisálida sempre estiveram na linha de frente nessa briga, e a partir de hoje o nãogosto está também no site da l&pm, com direito a notícia em destaque e tudo.


que legal, o leitor agradece!

imagens: lpm.com.br; emoticon, thumb up

16 de jan de 2009

tu quoque, cbl?

foi com imenso espanto que recebi o informe da publishnews sobre uma das chapas concorrendo às eleições para a presidência e diretoria da principal entidade do livro no brasil, a câmara brasileira do livro (cbl). chama-se mudança&participação, e apresenta como candidato a uma das vice-presidências o sr. luiz fernando emediato, da geração editorial, e como candidato a uma das vagas na diretoria o sr. fábio cyrino, da landmark.

a geração editorial é aquela do escândalo denunciado por adam sun, na matéria sobre a arte da guerra publicada na revista piauí em julho de 2008. o jardim dos livros é um selo do grupo geração. publiquei alguns posts sobre essa matéria de adam sun.

a landmark é aquela dos plágios de persuasão e de o morro dos ventos uivantes. o tempero especial da landmark é que um de seus donos, fábio cyrino, parece ter sentido grande prazer em se apresentar como "co-autor" de persuasão, que afinal de contas não passa de uma cópia, com tenuíssimas alterações, da edição da europa-américa. vejam meus posts sobre este caso e sobre o caso dos ventos uivantes.

ademais, tanto a geração quanto a landmark tratam a fundação biblioteca nacional e a agência brasileira do isbn com um descaso que, a meu ver, não é a melhor recomendação para o comando de uma entidade do porte e da representatividade da cbl.*

tal seria! que exemplo para o setor!



















sinceramente, como cidadã, não consigo de forma alguma engolir que o atual quadro da cbl sequer tenha aceitado receber a inscrição de candidaturas que não se destacam por um firme e sólido compromisso com a mais simples ética editorial.

* curiosamente, outro candidato da mesma chapa a uma das vice-presidências é o acadêmico sr. arnaldo niskier - todos devem lembrar que a academia brasileira de letras (abl) manifestou seu veemente repúdio contra o plágio de traduções. talvez o imortal niskier não tenha se dado conta da posição ambígua em que está.

imagem: paul cézanne, pirâmide de crânios, www.niilismo.net


pois é isso




um apanhado muito bom, feito por allison roberto:



imagens: emoticon, ninja; crizlai.blogspot.com

15 de jan de 2009

o valor das coisas


queria esclarecer umas coisas quanto ao tradutor de livros:

- tradutor não é um pobre coitado nem ganha uma "merreca" - é uma profissão digna, uma atividade com uma remuneração que permite que ninguém passe necessidade: talvez você não consiga dar uma ferrari de presente para seu genro nem tomar veuve clicquot todo dia, mas mesmo assim...

- tradutor não é desvalorizado, pelo contrário: o bom tradutor é disputado, e muitos livros são comprados ou apreciados pelo nome de quem o traduziu

- tradutor não é só alguém que pega palavras numa língua estrangeira e põe em português: o tradutor é um dos principais agentes a criar e a definir o que é o vernáculo de qualquer país, sobretudo um país de formação colonial e língua minoritária, como o brasil

- qualquer editora minimamente decente sabe que seu êxito depende de traduções que prestem: a boa editora é a primeira a valorizar o trabalho de tradução.

então, por favor, gente, o nãogostodeplágio não entoa a cantilena dos mendigos.

se os tradutores lesados quiserem protestar, e deveriam querer, eles saberão o caminho a tomar.
se as editoras lesadas pela concorrência desleal resolverem reagir, com certeza saberão se virar muito bem.

aqui o nãogostodeplágio está preocupado com dois problemas: o do leitor que compra um livro na boa-fé e o do patrimônio intelectual do país lesado pelas falcatruas.

então agradeço inúmeras manifestações compassivas em relação ao tradutor - mas digo: compaixão tem que ter é pelo leitor e por nossa parca bagagenzinha cultural.

então a landmark pegou gosto pela coisa?

publicado inúmeras vezes no brasil, o morro dos ventos uivantes já apareceu nas traduções de rachel de queiroz, celestino da silva, vera pedroso, oscar mendes, davi jardim jr., renata cordeiro com eliane alambert, levando até uma tremenda garfada da nova (in)cultural (em nome de silvana laplace, plagiando oscar mendes).


a nova garfada agora quem dá é a landmark, em cima da tradução de vera pedroso (publicada pela bruguera em 1971, reeditada pela art em 1985, para o círculo do livro).

no exemplar impresso, a façanha é assinada por outro nome. já na agência do isbn, como comentei na semana passada, a suposta tradução consta em nome de uma misteriosa "ana maria oliveira rosa".

afora o habitual procedimento de mudar uma parte das frases iniciais dos capítulos, é um plágio sem maiores rebuços, e até reproduzindo os mesmos saltos de palavras e orações.
The little party recovered its equanimity at sight of the fragrant feast. They were hungry after their ride, and easily consoled, since no real harm had befallen them. Mr. Earnshaw carved bountiful platefuls, and the mistress made them merry with lively talk. I waited behind her chair, and was pained to behold Catherine, with dry eyes and an indifferent air, commence cutting up the wing of a goose before her.
Os dois visitantes voltaram a sorrir à vista da esplêndida mesa. Estavam famintos, após a viagem, e, como nada de mau lhes acontecera, não tardaram a se reanimar. O Sr. Earnshaw serviu grandes pratadas e sua esposa iniciou uma conversa animada. Eu estava atrás da cadeira dela e fiquei triste de ver Catherine, olhos secos e ar indiferente, começar a cortar uma asa de ganso. (Vera Pedroso, Art, p. 76)
Os dois visitantes voltaram a sorrir à vista da esplêndida mesa. Estavam famintos após a viagem e, como nada de mau lhes acontecera, não tardaram a reanimar-se. O senhor Earnshaw serviu grandes pratadas e sua esposa iniciou uma conversa animada. Eu estava atrás da cadeira dela e fiquei triste em ver Catherine, olhos secos e ar indiferente, começar a cortar uma asa de ganso. (Landmark, p. 55)








Cathy was a powerful ally at home; and between them they at lenght persuaded my master to acquiesce in their having a ride or a walk together about once a week, under my guardianship, and on the moors nearest the Grange: for June found him still declining. Though he had set aside yearly a portion of his income for my young lady's fortune, he had a natural desire that she might retain - or at least return in a short time to - the house of her ancestors [...]
Por seu lado, Cathy não cessava de suplicar a mesma coisa; e ambos acabaram persuadindo o meu amo a deixá-los passear a pé ou a cavalo juntos, uma vez por semana, sob a minha guarda e na charneca vizinha à granja, pois junho veio encontrá-lo ainda mais fraco, e, embora tivesse posto de lado uma parte do seu rendimento anual para o futuro da filha, ele alimentava o desejo natural de que ela viesse a conservar a casa dos seus antepassados [...] (Vera Pedroso, Art, p. 284)
Por seu lado, Cathy não cessava de suplicar a mesma coisa em casa; e ambos acabaram persuadindo meu patrão a deixá-los passear a pé ou a cavalo juntos, uma vez por semana, sob a minha guarda e na charneca vizinha à granja, pois junho veio encontrá-lo ainda mais fraco, e, embora tivesse separado uma parte do seu rendimento anual para o futuro da filha, alimentava o desejo natural de que ela viesse a conservar a casa dos antepassados [...] (Landmark, p. 227)








I felt stunned by the awful event; and my memory unavoidably recurred to former times with a sort of oppressive sadness. But poor Hareton, the most wronged, was the only one who really suffered much. He sat by the corpse all night, weeping in bitter earnest. He pressed its hand, and kissed the sarcastic, savage face that every one else shrank from contemplating; and bemoaned him with that strong grief which springs naturally from a generous heart, though it be tough as tempered steel.
Quanto a mim, estava perplexa - e a minha memória pôs-se a recordar tempos passados, com uma espécie de opressiva tristeza. Mas foi o pobre Hareton, precisamente o mais injustiçado, o único a sofrer realmente muito. Velou o corpo durante toda a noite, chorando sem parar. Apertava-lhe a mão, beijava-lhe o rosto sarcástico e terrível, que todos os demais evitavam contemplar, e carpia-o como só sabem fazer os corações generosos, embora endurecidos como aço temperado. (Vera Pedroso, Art, p. 368)
Quanto a mim, estava perplexa - e minha memória pôs-se a recordar tempos passados, com uma espécie de opressiva tristeza. Mas foi o pobre Hareton, precisamente o mais injustiçado, o único a sofrer realmente muito. Velou o corpo durante a noite toda, chorando sem parar. Apertava-lhe a mão, beijava-lhe o rosto sarcástico e terrível, que todos os demais evitavam contemplar, e carpia-o como só o sabem fazer os corações generosos, embora endurecidos como aço temperado. (Landmark, p. 293)
só para mostrar como as traduções são únicas e irrepetíveis - uma frase muito simples deste último trecho, "I felt stunned by the awful event", fica:
- para vera pedroso: "Quanto a mim, estava perplexa";- para rachel de queiroz: "Eu me sentia aturdida ante a pavorosa ocorrência";- para celestino da silva: "Eu fiquei bastante impressionada com o tristíssimo acontecimento";- para oscar mendes: "Sentia-me aturdida pelo terrível acontecimento".
também fico "stunned by the awful event". não bastava o uso da persuasão de isabel sequeira, perpetrado pelo sr. fábio cyrino, que em sua singela vaidade alardeou na imprensa seu suposto trabalho de tradução, prossegue a pilhagem. ademais, se lembrarmos que a landmark é uma editora basicamente maçônica, e que "landmarks" são os princípios basilares que sustentam a doutrina da maçonaria, essa desmoralização editorial e cultural praticada pelos irmãos cyrino adquire uma faceta tristemente irônica.

espero vivamente que a editora não ceda à ilusão do lucro fácil, não siga na trilha da nova (in)cultural e da martin claret. do logro e da mentira não resulta boa coisa. srs. cyrino, assim como os senhores lançaram esses livros fraudados, venham a público e retirem essas barbaridades de circulação.

imagens: museum plagiarium em solingen

obs.: veja aqui as razões para a modificação deste post, feita em 20/01/2009.

atualização em 16/2/12 - obs.: estes são apenas alguns exemplos a título ilustrativo, extraídos de um extenso cotejo feito entre as traduções, com outras traduções e com o original. veja aqui.

14 de jan de 2009

ah, tá

Senhora Bottmann,
O pessoal do serviço cultural do Consulado francês do Rio de Janeiro falou ontem com o senhor Jérémie Desjardins sobre a sua observaçao. O jornalista confondiu a editora Martins Fontes com a Martin Claret.
Agradecemos lhe por ter nos mostrado esse erro.
Atenciosamente, Alice Toulemonde

imagem: aguadouro.blogspot.com

13 de jan de 2009

benesses para a delinquência

o governo francês resolve financiar a delinquência editorial brasileira.

saiu ontem na matéria de bolívar torres, JB online

"O governo francês distribuiu 150 mil euros entre editoras brasileiras (Martin Claret, Record, Objetiva, Companhia das Letras, Jorge Zahar, entre outras) para a publicação de autores franceses de ciências humanas. Outros 30 mil euros devem ser destinados a projetos de ficção."

agradeço a joana canêdo pela notícia.

sobre docências e indocências


tenho batido um pouco forte nos orientadores que desorientam, nos professores que desensinam, nos alunos que se acomodam e assim por diante.

que ninguém me leve a mal, e entendam que, se protesto, é justamente porque levo a sério o papel dos docentes, a importância das instituições de ensino, o empenho dos estudantes e tudo o mais.

vamos recapitular o caso da claret. ela vinha lépida e fagueira ao longo dos anos, publicando barbaridades.

um docente do departamento de filosofia da universidade de goiás, que demonstra não ser bobo nem laxiste, que domina seu métier, conhece a bibliografia que indica, respeita o valor da integridade intelectual, sabe que é responsável pelo que diz e faz perante seus alunos, em setembro de 2007 alerta um jornal de seu estado e avisa que a república da claret é plágio da república da calouste gulbenkian, que pietro nassetti é cópia de maria helena da rocha pereira.

eu jamais saberia disso, acho que 99,9999999% dos brasileiros jamais saberiam disso. claro que sempre há os pedantes que acham que sabem tudo, mas que também se acham importantes demais para se darem ao trabalho. tirando esses excêntricos parasitas, repito, acho que 99,9999999% dos brasileiros não se dariam conta do plágio.

então vem esse senhor muito digno, dr. gonçalo armijos, da universidade federal de goiás, cumpre com o que lhe parece ser seu dever profissional, intelectual e cívico, alerta o jornal opção na figura de euler de frança belém, o jornal entrevista o editor e proprietário da nefanda martin claret, publica uma matéria que marcou época, vem a folha de s.paulo e dá divulgação nacional a essas calamidades da martin claret apodrecendo esse segmento do mercado editorial.

o resto já virou história.

o que vale ressaltar é que é um digno funcionário público, um doutor de uma universidade pública mantida com dinheiro público que vem a público denunciar publicamente a fraude de que o público é vítima. é tudo público.

foi dr. gonçalo armijos que veio lá de sua salinha da universidade, que saiu lá de seu departamento e de seu instituto, que pôs o nariz para fora de suas altas pesquisas, e veio a nós, brasileiros, ingênuos leitores, e disse: gente, etc.etc.

meu ponto é que a universidade, sobretudo na área de filosofia, letras e ciências humanas, inegavelmente anda fazendo um papelão, nessa indecência de ser conivente com a mais baixa degradação intelectual - e, por ser conivente com isso, naturalmente se degrada também. e cada docente que indica ou acoita o mais grave crime do ponto de vista intelectual, a saber, o plágio, está se degradando de idêntica maneira. no meu tempo, dizia-se que havia um "pacto da mediocridade" na universidade - pelo jeito, hoje em dia tem-se é um "pacto da ruindade".

mas meu ponto principal é que a universidade também conta com docentes sérios, com pessoas dispostas a colaborar com a vida cultural do país, com gente que acha que o trabalho do espírito tem algum mérito e que a honestidade intelectual é um valor a ser preservado.

então abaixo todos os indocentes e vivam os docentes de verdade de todo o país!

12 de jan de 2009

ementas / utilidade pública


como eu estava dizendo, é o professor que ensina.

seguem-se alguns exemplos de ementas de curso para graduação e pós-graduação, de norte a sul do país. são recentíssimos: 2008 e 2009.

como a revelação escandalosa dos plágios da martin claret, com repercussão nacional, ocorreu em outubro/novembro de 2007, não dá para alegar desconhecimento.

[para ver os programas completos, clique nos respectivos links]

Disciplina: PGL 3123 – Tópicos Especiais de Leitura
Período: 2º semestre 2008 Roteiro de leituras dos textos clássicos [...] PLATÃO. A República. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo. Editora Martin. Claret 2007 ________ Apologia de Sócrates. Tradução de Jean Melville. São Paulo. Editora Martin. Claret 2003 ________ Fedro. Tradução de Alex Marins. São Paulo. Editora Martin. Claret 2007

PLANO DE ENSINO 2008 2.2 VII – BIBLIOGRAFIA BÁSICA [...] PLATÃO. A República. São Paulo: Martin Claret, 2001. ARISTÓTELES. Ética à Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2001

Ementas BIBLIOGRAFIA – APROVEITAMENTO DE ESTUDOS (1º Período) FILOSOFIA ANTIGA – CH 60h/a [...]PLATÃO. A República. Livro 7º. São Paulo. Martin Claret, 2001.

Disciplina - Listagem de Ementa/Programa 2008/2 [...]MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Martin Claret, 2001

PLANO DE ENSINO 2008/02 IHERING, Rudolf Von. A luta pelo direito. São Paulo: Martin Claret, 2001. LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Martin Claret, 2002. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do partido comunista. São Paulo, Martin Claret, 2000. [...] ROSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2001 [...] WEBER, Max. Ciência e política: duas vocações. São Paulo: Martin Claret, 2001.

Cód.: IMS03912 Teoria Social EMENTA 2008/01 [...]WEBER, Max ([1904-5] 2001) - A ética protestante e o espírito do capitalismo, São Paulo, Editora Martin Claret

PROGRAMA DA DISCIPLINA 2008/01 BIBLIOGRAFIA [...]WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 13. ed. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.

ÉTICA EMPRESARIAL EMENTA 2008 Bibliografia básica: [...]PLATÃO. A república. São Paulo: Martin Claret, 2002 (curiosamente o link deixou de abrir: em todo caso: é unifra, pós-graduação em finanças, disciplina de ética empresarial)

FILOSOFIA POLÍTICA EMENTA 2008 Bibliografia Básica [...]HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martin Claret, 2002 (coleção Obra prima de cada autor). LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Martin Claret, 2005 (coleção Obra prima de cada autor). MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2003 (coleção Obra prima de cada autor).

Módulo II: DIREITOS FUNDAMENTAIS JUNHO 2008 REFERÊNCIAS Bibliográficas MONTESQUIEU. Do Espírito das Leis, Tradução: Jean Melville. São Paulo: Martin Claret, 2005.

PLANO DE ENSINO 2008/01 Bibliografia Básica [...]DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martin Claret, 2006 [...] MARX, Karl; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Martin Claret, 2004

EMENTA BIBLIOGRAFIA BÁSICA [...]ARISTÓTELES. Política. São Paulo: Martin Claret, 2002

PROGRAMA PÓS-GRADUAÇÃO FILOSOFIA UNB 2009/2010 ÉTICA IV. Bibliografia básica: AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Martin Claret, 2003. [...] PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS 5. Bibliografia: [...] Aristóteles. Ética a Nicômaco. Tradução Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret Editora, 2001.

PLANO DE CURSO 2008/01 Disciplina: Literatura Latina 9. BIBLIOGRAFIA: BÁSICA ARISTOTELES. A arte poética. São Paulo, Martin Claret: s/d [...]EURIPEDES. Alceste, Electra e Hipólito. São Paulo, Martin Clarte; s/d [...]HOMERO. Ilíada. São Paulo, Martin Claret: s/d HOMERO. Odisséia. São Paulo, Martin Claret: s/d OVIDIUS. A arte de amar. São Paulo, Martin Claret: s/d ________. Metamorfoses. São Paulo, Martin Claret: s/d [...]PETRONIO. Satiricon. São Paulo.,Martin Claret: s/d PLATÃO. Fedro. São Paulo, Martin Claret: s/d PLATÃO. A república. São Paulo, Martin Claret: s/d [...]SÓFOCLES. Édipo rei e Antígona. São Paulo, Martin Claret: s/d VERGILIUS. Eneida. São Paulo, Martin Claret: s/d

ADEQUAÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO aprovado em set/2007 para implantação 2008 FILOSOFIA E EDUCAÇÃO Bibliografia Básica [...]MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. SP:Martin Claret, 2002. Bibliografia Complementar ARISTÓTELES. Política. SP: Martin Claret, 2002. [...]DESCARTES, René Discurso do Método. SP: Martin Claret, 2002. [...]MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. SP: Martin Claret, 2002. KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. SP: Martin Claret, 2002 PLATÃO. Apologia de Sócrates. SP: Martin Claret, 2002. [...]WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. SP:Martin Claret, 2002.

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LINGÜÍSTICA APLICADA E ESTUDOS DA LINGUAGEM - LAEL 2009/01 Argumentação e Produção de Conhecimento Ementa [...] SPINOZA, Baruch de. Ética: demonstrada à maneira dos geômetras. Trad. Jaena Melville. São Paulo: Martin Claret

PLANO DE ENSINO 2008/01 I – IDENTIFICAÇÃO DA DISCIPLINA VIII – BIBLIOGRAFIA [...] DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. Coleção a obra prima de cada autor. São Paulo: Martin Claret, 2007.

PROJETO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO DO CURSO DE DIREITO FILOSOFIA DO DIREITO B I B L I O G R A F I A B Á S I C A: [...]KANT, Immanuel. Metafísica dos Costumes. Martin Claret, 2004. LOCKE, John. II Tratado Sobre o Governo. Martin Claret, 2003. PLATÃO. Apologia de Sócrates. Martin Claret, 2001. ________. A República. Martin Claret, 2001. ROUSSEAU, Jean-Jaques. Do Contrato Social. Martin Claret, 2003

1º Semestre de 2009 Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – PPGAS, UFAM. Linha 3: - A Dinâmica da Cidade e o Fenômeno Urbano [...] De Coulanges, F. A Cidade Antiga. São Paulo, Ed. Martin Claret, Ltda, 2006

USP Escola de Comunicações e Artes Artes Cênicas 2008 Disciplina: CAC0237 - História do Teatro II Bibliografia ARISTÓETELES Poética. São Paulo: Martin Claret, 2004. [sic]

INSTRUÇÕES ESPECÍFICAS QUE REGULAMENTAM O CONCURSO PÚBLICO PARA PROFESSOR ADJUNTO OU ASSISTENTE Bibliografia:[...] Max Weber. Ética prostetante e o espírito do capitalismo. Coleção os pensadores. Martin Claret, 2001 [sic]

Programa da Disciplina 2008 Bibliografia [...]DURKHEIM, Emile. As regras do método sociológico. Traduzido por Pietro Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção obra-prima de cada autor).

CURSO: LETRAS DISCIPLINA: TEORIA DA LITERATURA 2008/1 e 2 BIBLIOGRAFIA BÁSICA ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Martin Claret, 2003

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO Bibliografia:[...]HOBBES, Thomas. Leviatã – Ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. (tradução de Alex Marins). São Paulo: Editora Martin Claret, 2002

HISTÓRIA ANTIGA 2009 (anual) Referências Fontes impressas: EPICURO. Pensamentos. São Paulo: Martin Claret, 2005. MARCO AURÉLIO. Meditações. São Paulo: Martin Claret, 2005. OVÍDIO. A arte de amar. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Doutorado em Administração de Empresas Epistemologia Bibliografia Básica: DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo. Martin Claret, 2002.

Plano de Ensino Consolidado NOCOES GERAIS DE DIREITO 2008/2 Bibliografia 12. MONTESQUIEU, C. L. de S. Do espírito das Leis. Trad. de J. Melville. São Paulo: Martin Claret, 2003. [...] 23. ROUSSEAU, J.-J. Do contrato social: ou princípios do direito político. Trad. de P. Nassetti. São Paulo: Martin Claret, 2003. 24. ROUSSEAU, J.-J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. de A. Marins. São Paulo: Martin Claret, 2006.

Sociologia das Organizações Ementa Bibliografia [...] WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2001.

Disciplina Ciência Política 2008/02 Bibliografia Complementar [...]ARISTÓTELES. Política: São Paulo: Martin Claret, 2004 [...]ROUSSEAU. Jean Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Curso de Ciências Econômicas Disciplina Política 2008/1 Bibliografia Básica [...] 3. LOCKE, JOHN. Segundo tratado sobre o governo. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2002

Direito 2008/2 bibliografia complementar ROUSSEAU, Jean Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Disciplina Empreendedorismo: Teoria e Prática Bibliografia WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo. Martin Claret. 1ª Edição

sinceramente não entendo, pois a claret é notória fraudadora e delinquente editorial; professor tem responsabilidade social e moral pelo que ensina; a maioria dos títulos indicados é de facílimo acesso, em edições idôneas, muitas delas inclusive mais baratas do que a infeliz claret (o grande argumento falacioso que tantos repetem). então por quê?

imagem: www.absolutmartunis.blogspot.com

11 de jan de 2009

de te fabula narratur


escrevi uma cartinha singela, mais singela impossível, e estou mandando para professores do brasil afora. ei-la:

prezado docente:
colabore na campanha contra o plágio de traduções no país.
em suas ementas e bibliografias de curso, evite indicar livros de editoras suspeitas e edições fraudadas.
consulte uma lista preliminar de plágios e obras sob suspeita, disponível em http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/para-fugir.html
atenciosamente,
denise bottmann

receando que o apelo possa passar meio em brancas nuvens, gostaria de colocar duas coisas:

- até por determinações socioculturais, às vezes pode acontecer que alguns professores achem esses assuntos um tanto vulgares em termos intelectuais. só que existe uma quantidade descomunal de teses, estudos e artigos de professores e alunos da usp, da unicamp, da unesp, da puc-sp, da ufsc, da ufrgs, da ufba, da ufpb, da ufrn, e de todas as ufs e pucs que se possam imaginar, usando as referências fraudulentas claretianas e novaculturalianas de uma maneira não propriamente elegante do ponto de vista intelectual.

- existe também uma quantidade descomunal de ementas de curso em que inúmeros professores recomendam essas fraudes em suas bibliografias, o que é tanto mais lamentável se lembrarmos acacianamente que a função precípua da docência é ensinar os alunos.

então, caro docente, antes de descartar o assunto, peço que reflita nisso também: de te fabula narratur.

imagem: http://www.kunsthaus.adlerstrasse.de/