23 de jul de 2008

piauí III - martin claret


no pega-pega da arte da guerra, vamos deixar o jardim dos livros para depois, e pular direto para a martin claret.

aí é sempre mais do mesmo. e adam sun tem pleno conhecimento do mar de lama em que ela se move.
"nos domínios da claret, aparentemente a desatenção com o alheio é método", pietro nassetti - "sim, sim", "sim, ele mesmo" - é "o erudito", "o azougue", o prestimoso e prolífico parceiro do "octogenário Claret... habituado à perene ligeireza". já fazem parte do folclore.

mas, indo aos fatos: a arte da guerra publicada pela martin claret, avisa-nos adam sun, é uma apropriação da versão portuguesa de ricardo iglésias, a partir do inglês, na tradução de samuel b. griffith. a cópia foi assinada pelo indefectível nassetti. e, como sempre, o sr. claret afirma que corrigirá "esse erro", lançará uma nova tradução "e está tudo resolvido". simples como isso.

alerta o articulista: talvez claret "mantenha em catálogo, distraidamente, toda uma coleção de vítimas de apropriação indébita". como são mais de 300 traduções sob suspeita, várias delas já comprovados casos de plágio, e como a santillana-prisa (objetiva) pelo jeito desistiu de bancar a aquisição da martin claret, sabe-se lá como ficarão as coisas.

com tanta desmoralização assim, de tudo o que diz respeito ao objeto "livro" - a obra, o autor, o tradutor, o revisor, o capista, o editor, o proprietário, o livreiro, as associações de classe dos editores, as associações de classe dos livreiros, o leitor, as escolas, as bibliotecas, tudo, tudo enlameado, uns com sua delinqüência, outros com sua conivência, outros com o desrespeito e danos sofridos, a sociedade como um todo vítima de um ultraje sem igual na história cultural do país -, eu não estranharia se algum dia a casa caísse.

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