26 de nov de 2008

"é muito difícil, trabalhoso, demorado"

hoje no final da tarde me liga christiane, da ed. nova cultural.

a história é que em outubro liguei para o instituto ecofuturo e para dr. pedro, advogado da nova cultural, para saber em que pé estavam as coisas, o que iam fazer com os alguns milhões de fraudes descabeladas que a editora tinha impingido à sociedade, com sua coleção "obras-primas" e algumas obras da coleção "pensadores".
quanto à suzano celulose (mantenedora do instituto ecofuturo) já informei abaixo as desconversas da diretoria da ong e a facilidade em proceder ao embolso de dinheiro escuso para financiar sua filantropia social.
quanto ao dr. pedro, ele me aconselhou a falar com christiane, pois ele, como advogado, fazia parte de um escritório de advocacia que apenas prestava serviços à nova cultural e que não poderia dizer nada para não se ver "envolvido em saia justa" [sic] junto à empresa. naturalmente, então, liguei para christiane.
muito urbana, muito polida, num estilo de executiva paulista que me soa tão familiar, meio "casual", sempre naquele tom de "oh, somos tão legais, como é que foi acontecer uma coisa dessas", queria vir aqui em casa, queria que eu fosse ao escritório dela, queria "olhar olho no olho" pois "conversa ao vivo é diferente", que, por mais que alguém se dissesse conhecedor de tons de voz pelo telefone, nada substituía a honestidade do contato direto - UFA!!!! - e iria me explicar tudinho só para eu entender que a nova cultural é ótima, tem as melhores intenções etc., aquela história toda.

ficou que ela estava embarcando para a feira de frankfurt dentro de dois dias e que após o término da feira ela ligaria para combinarmos um encontro. eu: "sim, sim, claro", porque era evidente que ela estava apenas marcando presença e não tinha a menor intenção de comentar coisa alguma sobre as providências que a nova cultural tomaria (ou NÃO tomaria) quanto a suas gigantescas fraudes na coleção obras-primas.

claro que a feira terminou acho que faz quase um mês, nem lembrei mais da moça, pois era evidente que era só conversa para boi dormir, e hoje me liga ela - "ah, estou dando retorno, pois vc me pediu a posição da nc etc. etc.".

em suma, acho que ficamos uns 40 minutos, sempre aquelas absurdidades e frases feitas, ela insistindo em encontro pessoal para ouvir o que eu tinha a dizer. tentei explicar que EU não tinha nada a dizer, ELES é que deviam ter algo a dizer. ao que christiane tentou me explicar longamente que é tudo muito difícil, trabalhoso, demorado (aliás, todo o tom da coisa tinha um ar ... assim, como dizer ... um pouco cínico, mas que seja - afinal, a moça é apenas uma funcionária, e certamente estava apenas executando ordens de escalão mais gabaritado.)

a conversa foi cômica e muito irritante: resumindo, segundo christiane, os primeiros plágios (datados de 1995), na coleção "os imortais da literatura", já estavam a cargo de janice florido, e que não eram de responsabilidade da empresa, pois havia "delegação de responsabilidades", e que iriam fazer uma declaração explicando que não sabiam de nada e nem teriam como nem por que saber, visto que eram responsabilidades delegadas. como sou boazinha, opinei vivamente que, ao declarar isso, estariam apenas passando um atestado de irresponsabilidade. demorou um pouco até christiane entender e afinal concordou entusiasticamente. [isso parece sugerir que é muito entranhada a cultura do ponciopilatismo na n.c. ...]

outra coisa engraçada na conversa: a certas alturas, e meio de ponto em branco, christiane promete em tom solene que as fraudes e plágios não voltariam a ocorrer; ressalvou que, "claro, não podia garantir, nunca se sabe", mas que fazia votos que não ocorressem mais.

outro ponto: enfatizei muito que questão de editora lesada e tradutor plagiado não era comigo, isso eles que vissem ou deixassem de ver com os devidos interessados, e que meu escarcéu era em relação ao patrimônio cultural dilapidado e à má-fé da nova cultural contra o leitor - ou seja, uma questão de direito público e direito do consumidor, em defesa dos bens culturais do país.
ela então pediu uma proposta, e dei a mesma de sempre: errata pública durante 3 dias nos jornais de grande circulação no país, recall geral dos exemplares vendidos e reposição das fraudes com obras devidamente creditadas a seus verdadeiros tradutores. ela ficou de passar minha posição para a "presidência" e a "diretoria" da empresa, e manifestou seu ceticismo a respeito. trocamos saudações e ponto final.

assim vão se costurando os pontos: consultei várias vezes, por telefone e e-mail, os principais envolvidos, publiquei mais de 500 posts no assassinado assinado-tradutores, apresentei cotejos exaustivos etc. etc.

por outro lado, a nova cultural está nesse siricotico de tentar entender o que está rolando ou vai rolar concretamente contra eles. fui clara, e disse com todas as letras. agora depende da boa vontade da nova cultural em corresponder à lisura e transparência que se esperam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.