13 de nov de 2008

a madame bovary da l&pm

ontem recebi a grata notícia da publicação de madame bovary, de flaubert, pela l&pm, em tradução de ilana heineberg.

a história foi a seguinte: em outubro do ano passado, descobriu-se que a madame bovary em tradução de araújo nabuco tinha sido plagiada. a editora nova cultural, em 2002, tinha pegado essa tradução consagrada de araújo nabuco, feito algumas poucas e levíssimas alterações e publicado esse plágio atribuindo a tradução a um tal "enrico corvisieri", dentro de sua coleção "obras-primas" em parceria com a suzano celulose (instituto ecofuturo).

em 15 de dezembro o jornal a folha de s.paulo publicou uma matéria, "crítico vê plágio de versão de quintana", de autoria de marcos strecker, desmascarando três plágios cometidos pela nova cultural/ecofuturo na mesma coleção "obras-primas":
- voltaire, contos, trad. original de mario quintana, plagiado sob nome de "roberto domenico proença" [fraude constatada por manuel da costa pinto]
- edmond rostand, cyrano de bergerac, trad. original de carlos porto carreiro, plagiado sob nome de "fábio m. alberti" [fraude constatada por ivo barroso]
- flaubert, madame bovary, trad. original de araújo nabuco, plagiado sob nome de "enrico corvisieri" [fraude constatada por esta que vos fala]
http://recantodaspalavras.wordpress.com/2007/12/15/novo-caso-de-plagio-em-traducao/#comment-159

a peculiaridade no caso do plágio da madame bovary era que a l&pm também tinha editado exatamente o mesmo plágio da nova cultural/ecofuturo em nome de "enrico corvisieri". contatada pelo repórter da folha de s.paulo, a l&pm declarou que tinha feito uma permuta de títulos com a nova cultural. sentindo-se lesada em sua boa-fé, por ter sublicenciado traduções legítimas suas em troca de traduções falsificadas da nova cultural/ecofuturo, a editora entrou com uma ação judicial contra a espertinha.

assim, em 10 de maio de 2008, o jornal folha de s.paulo publicou a matéria "plágio leva l&pm a processar editora", de autoria de marcos strecker, sobre o contrato fraudulento com que a nova cultural havia embaído a l&pm e as medidas judiciais desta.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1005200820.htm

já na época em que a l&pm teve conhecimento das fraudes em que se vira involuntariamente envolvida, ela teve por bem retirar de circulação todos os exemplares de madame bovary que havia editado por sublicenciamento da nova cultural, e divulgou suas providências em seu site:
http://www.lpm-editores.com.br/v3/artigosnoticias/user_exibir.asp?ID=638229

a nova cultural/ecofuturo publicou mais de 100 mil exemplares ilegais só da madame bovary, leitores saíram lesados, a memória tradutória do país foi atingida, lares, escolas e bibliotecas ainda possuem esses exemplares criminosos.

saldo positivo não houve, não para as pessoas e empresas de bem. talvez para os malfeitores. foi um desgaste e uma vergonha. a nova cultural admitiu o crime a portas fechadas, mas não reparou os danos morais, materiais e culturais que causou.

mas a l&pm está de parabéns pela forma como conduziu a defesa de sua integridade. e possam agora os leitores ter acesso a uma nova edição, límpida, boa e honesta. e possa nosso patrimônio literário traduzido continuar a aumentar com decência e qualidade.

3 comentários:

  1. Anônimo3.3.14

    Conheci a l&pm hoje e buscava sobre a qualidade das traduções em seus livros. Fiquei muitíssimo feliz em saber da postura da editora. Ainda há empresas de bem no país, para a minha surpresa.

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  2. Olá, Denise. Vim aqui tirar uma dúvida: será que a edição da Martin Claret de 2015 para Madame Bovary é legítima? Trata-se dessa, com tradução de Herculano Villas-Boas e acabamento pomposo https://www.amazon.com.br/gp/aw/d/8544000371/ref=mh_s9_acss_cg_cupons_1e1?pf_rd_m=A1ZZFT5FULY4LN&pf_rd_s=mobile-hybrid-9&pf_rd_r=BR3SPNAS3QMWJYMSYYY6&pf_rd_t=1201&pf_rd_p=2471355182&pf_rd_i=13420230011 Uma vez que, ao acompanhar seu blog, muita coisa da Martin Claret é fraudulenta, queria me certificar se essa é legítima. Obrigado

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  3. olá, vollzin: não cheguei a vê-la, mas, até onde sei, herculano villas-boas existe e não tenho notícias de nada que o desabone.

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